Cinema

As feridas da Segunda Guerra Mundial ainda estão abertas. Uma prova disso é o filme ‘Memórias da Dor”. Baseado no romance ‘A Dor’, de Marguerite Duras, e indicado pela França ao Oscar de Filme Estrangeiro de 2019, traz a escritora, interpretada de maneira excepcional por Mélanie Thierry, às voltas com episódios que mesclam ficção e realidade.

A narradora está à espera do retorno do marido, ativista como ela da Resistência francesa. O drama se instala porque ela não recebe notícias dele. E não está só nessa jornada. São milhares de pessoas sem informações de parentes, desaparecidos em campos de batalha ou de concentração.

Soldados franceses e judeus se igualam pela dor. Esse é o grande tema do livro e do filme. O diretor Emmanuel Finkiel consegue trazer para a tela o sofrimento da incerteza, da esperança e da ansiedade por se estar em busca de algo que nem sempre se deseja saber. Em muitas situações, a dor do desconhecimento pode ser melhor que a de se saber o que realmente aconteceu.

O filme trafega por esse universo com desenvoltura e tem, como um de seus pontos altos, a libertação de Paris pelos Aliados. A dor dos nazistas prestes a ser derrotados é mostrada de maneira poucas vezes vista no cinema, numa mescla de incredulidade com resignação. A agonia do existir e de conviver com a dor ganha uma dimensão épica, mas é mostrada em ações cotidianas com rara sensibilidade.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

A violência ganha dimensões das mais variadas em todo o mundo, sendo quase impossível ter informações das suas mais diversas manifestações. Em 22 de julho de 2011, por exemplo, um homem armado abriu fogo contra os participantes de um acampamento de jovens organizado pela juventude do Partido Trabalhista Norueguês.

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Foram momentos de terror para cerca de 500 jovens, sendo que 69 foram mortos. O filme norueguês ‘Utoya’, de Erik Poppe, reconta essa história numa tomada única feita em tempo real. Os personagens são fictícios, mas as situações de contato direto com a morte e de tentativa de fuga da ilha são infelizmente cruelmente reais.

O eixo central da narrativa é a jovem Kaja, vivida com raro talento pela atriz Andrea Bentzen. Ela conduz nosso olhar pelas crianças abatidas, pela necessidade de tomar decisões e pela busca de uma compreensão para o que estava acontecendo num cenário de terror entre crianças que oscilam entre a valentia, o pavor e a referência dos pais como porto seguro numa situação trágica.

Poucas vezes o cinema contemporâneo consegue tratar uma questão de tamanha seriedade e magnitude com precisão cirúrgica. Não há excessos, melancolia ou cenas fúteis. Os jovens apenas querem sobreviver. Cada um busca esse objetivo a seu modo, de maneira mais ou menos gregária de acordo com sua vivência e temperamento. Dói, mas ilustra bem o mundo contemporâneo, pleno de extremistas das mais diversas causas.


Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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