Beatles for ever

A tentação de qualquer comentário sobre o filme “Yesterday”, de Danny Boyle, é começar perguntando se é possível imaginar um mundo sem os Beatles e as suas composições. Mas a obra está muito além disso, pois trata, na verdade, de processo criativo e da importância dos mitos para a cultura contemporânea.

https://jornalorebate.com.br/19-10/yest.jpg

A narrativa tem como eixo um apagão que faz com que sumam da memória coletiva não só os Beatles, mas também a Coca-Cola, Harry Potter e a banda Oasis. O protagonista, músico que tenta em vão conquistar o seu espaço, ganha a atenção da mídia justamente a apresentar ao mundo as canções do quarteto de Liverpool como se fossem suas.

O curioso é que não emplaca com facilidade. Demora a ser descoberto, mas, quando isso acontece, o sucesso mundial vem. E traz junto a solidão, a ganância e o afastamento do seu amor também. Nesse momento, é que a estória se torna mais cativante, pois o êxito, em suas várias facetas, apaga nele a luminosidade da amada, interpretada pela carismática Lily James.

Outro ponto essencial da obra é a presença do cantor Ed Sheeran, interpretando a si mesmo. O reconhecimento dele da sua inferioridade como compositor perante os Beatles é significativa, assim como os comentários da empresária do protagonista sobre o mundo da indústria musical e sobre a possibilidade de sucumbir perante a ganância do marketing.

O filme é muito mais que uma homenagem aos Beatles. Em sua essência está um romantismo que poucas obras contemporâneas contemplam. Existe uma percepção do mundo caracterizada pela convicção de que o mundo pode ser melhor ou pior de acordo com a leitura que fazemos dele.

Mais importante do que ouvir Beatles ou conhecer Harry Potter é definir os valores pelos quais a nossa existência é pautada. Essa característica intrínseca do ser humano de escolher seus caminhos é o maior patrimônio de cada um e nós – e precisa ser preservado acima de tudo, a cada instante, para a construção de uma sociedade melhor, onde, por exemplo, John Lennon, não seria assassinado.


Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

publicidade
publicidade
Crochelandia
Visitantes desde fevereiro de 2006:
33771655

Blogs dos Colunistas

-
Ana
Kaye
Rio de Janeiro
-
Andrei
Bastos
Rio de Janeiro - RJ
-
Carolina
Faria
São Paulo - SP
-
Celso
Lungaretti
São Paulo - SP
-
Cristiane
Visentin

Nova Iorque - USA
-
Daniele
Rodrigues

Macaé - RJ
-
Denise
Dalmacchio
Vila Velha - ES
-
Doroty
Dimolitsas
Sena Madureira - AC
-
Eduardo
Ritter

Porto Alegre - RS
.
Elisio
Peixoto

São Caetano do Sul - SP
.
Francisco
Castro

Barueri - SP
.
Jaqueline
Serávia

Rio das Ostras - RJ
.
Jorge
Hori
São Paulo - SP
.
Jorge
Hessen
Brasília - DF
.
José
Milbs
Macaé - RJ
.
Lourdes
Limeira

João Pessoa - PB
.
Luiz Zatar
Tabajara

Niterói - RJ
.
Marcelo
Sguassabia

Campinas - SP
.
Marta
Peres

Minas Gerais
.
Miriam
Zelikowski

São Paulo - SP
.
Monica
Braga

Macaé - RJ
roney
Roney
Moraes

Cachoeiro - ES
roney
Sandra
Almeida

Cacoal - RO
roney
Soninha
Porto

Cruz Alta - RS