O alcoól é uma droga que, se ingerida com excesso, causa muitos problemas.
Além de fazer mal à saúde, faz muito mal para o moral. O indivíduo que bebe em demasia, comete atos que nunca passou pela sua cabeça. Cria coragem e até fantasia. Tem gente que bebe e fica amuada, outras ficam alteradas e até valentes, passam a falar alto, e sofrem síndromes estranhas.
O Diniz, corretor de seguros muito popular e conhecido na praça, contou-me que certa vez, comprou uma égua “manga larga” no leilão, pagou, e no outro dia não sabia que seu lanço havia vencido.
Esta história se passou no Park de Exposição de Valadares.
Os pecuaristas da região costumam fazer com freqüência, leilões de animais de raça ou mesmo de boa espécie.
Diniz contou-me que gosta de freqüentar os leilões. Para isso comprou roupa adequada. Veste à caráter, bota cinco estrelas, chapéu de aba larga, cinto largo com fivela de metal brilhante e costuma até desfilar puxando os animais.
Depois de tomar umas oito dozes de wisk falsificado do Paraguai, sofre a síndrome de fazendeiro. Num desses leilões, Adalto Cardoso, pessoa largamente conhecida nos meios sociais de nossa cidade, colocou uma égua “manga larga” para ser leiloada.
Esses leilões acabam virando festa, rola wisky, vinhos e cerveja entre os pretensos compradores.
Adalto, como já teve restaurante muitos anos, sabe como ninguém, servir bebidas e tira gosto.
Diniz se assentou ao lado de Durval Metsker, um tremendo gozador, que também já estava pra lá de Bagdá.
Adalto notou que, entre os pretensos compradores, havia um indivíduo muito eufórico, e quando sua égua desfilava, ele levantava e batia palmas. Parecia que era grande conhecedor da raça.
Adalto aproximou-se mais dele e serviu mais e mais wisky, pois ele seria, na pior das hipóteses um estimulador para os compradores.
O lanço mínimo da égua era R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais)
Quando o leiloeiro gritou o primeiro lanço, o Adalto, que era o dono da égua, gritou logo o lanço mínimo e o indivíduo, que já estava eufórico gritou R$ 2.200,00 (dois mil e duzentos reais).
Daí para frente, o leiloeiro ficou mudo e mais ninguém gritou. Acabou que o leiloeiro não perdeu tempo. Bateu o martelo e a égua foi comprada pelo Diniz.
Apesar de grogue, Diniz cumpriu a palavra. Assinou um cheque e pronto. Ali mesmo, comprou um cabresto bonito e botou na égua e contratou um indivíduo para tomar conta dela.
Acabado o leilão, todos foram embora, Diniz também. No outro dia, o Adalto telefonou para ele perguntando qual o número da inscrição dele e para onde levaria a égua. Diniz recebeu o telefonema ainda na cama.
Estava meio sonolento ainda e levou um susto danado. E respondeu assim:
Qui égua é essa? A égua que você comprou no leilão ontem..!  Eu? Eu não tenho inscrição, não sou fazendeiro, pra que eu quero égua!.. Eu moro em apartamento, onde vou colocar essa égua? Na garagem, disse Adalto.
Adalto acabou ficando em maus lençóis. Não sabia o que fazer com a égua, apesar de já ter recebido o dinheiro.
Diniz então autorizou ele vender a égua. Adalto, após deduzir todas as despesas, vendeu a égua, recebeu um cheque e passou para o Diniz. O cheque não tinha fundos e o Diniz perdeu tudo.
Ele continua indo aos leilões, desfila com sua roupa à caráter, mas não dá nenhum lanço, nem toma wisk do Paraguai. Aquela égua serviu de experiência pra ele.

março de 2004

Jairo Guedes Viana
Membro da Academia Valadarense de Letras
















O nome e o sobrenome a gente carrega para o resto da vida, é a nossa identidade. Por isso quando os pais vão registrar os filhos devem ter o máximo de cuidado para não trazer problemas no futuro. Infelizmente ou felizmente, a população brasileira é uma mistura de raças do mundo inteiro. No inicio eram portugueses, africanos e índios, depois foi chegando imigrantes de todos os lados e fizeram uma verdadeira salada de raças. Por isto que existem uma infinidade de nomes e sobrenomes estapafúrdios que provoca grande incidência de cacofonia, sons desagradáveis aos nossos ouvidos, e o pior, dando sentido pejorativo às frases. Vamos falar apenas dos sobrenomes que são heranças de família, por exemplo: Jacinto é um nome comum, mas se colocar o sobrenome Aquino Rego não soa bem em nossos ouvidos e pode trazer graves conseqüências ao seu portador. O sobrenome Pinto é muito freqüente, mas precisa ser colocado no lugar certo. O nome Jacinto é meio complicado. Conheci um cidadão de nome Jacinto Pinto Brochado. Esses dois sobrenomes são muito usados no Brasil. Os pais quando vão registrar os filhos precisam observar bem a ordem dos nomes. O nome Jacinto Aquino Rego, se a gente trocar a ordem, pode melhorar: Jacinto Rego Aquino. Na minha terra chegou um japonês, para cultivar a agricultura da região, com o nome muito engraçado. Takano Brochado, eu não sei onde ele arranjou o sobrenome Brochado, deve ter sido originário dessa mistura de raça que, acontece aqui. A esposa dele tinha o nome Ana Maria Pinto que com o casamento, passou a assinar Ana Maria Pinto Brochado. Os meninos do lugar faziam chacota com seu nome. Ela ficou grávida de trigêmeos e o japonês não sabia, naquele tempo não tinha ainda recursos para fazer exames de pré-natal. Quando a parteira começou a tirar meninos o japonês quase ficou maluco. Perguntou à parteira qual havia nascido por último e botou o nome nele de Ultimo Pinto Brochado, pensando ser aquele o último. A Ana Maria ficou passando mal e o japonês teve que levá-la ao médico. Ao examiná-la verificou que precisava fazer uma cirurgia de períneo. O japonês pediu então que o médico receitasse um remédio para evitar mais filhos. O médico receitou um anticoncepcional e recomendou que tomasse um por dia, durante 28 dias por mês. Acontece que o japonês entendeu que era ele quem devia tomar o remédio. Passados doze meses, Ana Maria apareceu barriguda e o japonês virou uma fera, foi ao médico reclamar que havia tomado o remédio de acordo com a receita e a Ana estava novamente grávida. Foi então que o médico explicou que quem tinha de tomar era a mulher. Dessa vez nasceu um só, mas pesava cinco quilos, era exagerado. O japonês estava tão feliz com a cirurgia e o menino veio estragar tudo outra vez. Então foi ao cartório registrá-lo e queria colocar um nome muito feio no menino, pois estava com raiva dele. Queria que colocasse Renegado Pinto Brochado, o oficial do cartório não concordou e se recusou registrá-lo. Ana e o japonês começaram discutir por causa do nome, ela não concordou com o Renegado. Então o oficial do cartório quis ajudar e resolveu dar uma sugestão e disse: eu sugiro... antes mesmo de terminar a frase o japonês bateu a mão sobre a mesa e falou: -- esse nome está bom, embora a Ana Maria não concordasse, ele registrou com o nome Sugiro Pinto Brochado.

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José Honorato, possuía um sítio pertinho da cidade. Vivia trabalhando com a família. Todos os dias, ia à cidade para vender seus produtos. Plantava pequena roça de milho, mandioca, feijão e alguns tipos de hortaliça. Era um homem simples e muito trabalhador.
Sua atividade principal era a lavoura de cana. Fabricava rapadura e cachaça . Seus produtos eram consumidos entre os vizinhos e o restante vendido na cidade.
Para moer a cana e transportar seus produtos, possuía três animais de tração. Dois bois de canga e um burro de cela.
Os bois puxavam a carroça com cana a da roça para o engenho. Depois de fabricadas a rapadura e a cachaça, os bois também é quem faziam o transporte para a cidade. De maneira que eles trabalhavam muito. Não tinham descanso.
O burro só carregava o patrão para cidade, onde vendia os produtos. No mais, ficava à toa quase o tempo todo.
Os bois vendo aquela mordomia do burro, começaram a reclamar:  Só nós que trabalhamos, você fica aí no bem bom. Só tem o trabalho de levar o patrão à cidade. Nós ficamos o dia todo sem pastar. Quando chega a noite, não temos tempo nem de dormir. Passamos a noite toda nos alimentando para trabalhar no outro dia.
O burro, para mostrar que era inteligente disse:
Vocês trabalham muito porque são bobos. Quando cansado, finjo que estou doente. Então meu patrão chama veterinário, me dá remédio, repouso e algumas mordomias mais.
Mediante essa orientação do burro, os bois fingiram que estavam doentes. Comeram bastante à noite. Encheram bem a barriga e de manhã deitaram debaixo de uma grande árvore, fingindo que estavam doentes.
José Honorato, quando viu os bois doentes, ficou preocupado, pois havia feito compromisso de entregar dez cargas de rapadura na feira, no outro dia.
Ficou pensativo. De repente, veio-lhe uma luz na cabeça e achou a solução:
Colocou a cangalha no burro, pois era o único recurso que lhe sobrava. Foi para a lavoura e encheu os balaios de cana. Chegando ao engenho, colocou o burro para puxar a manjarra. Esse serviço era dos bois e era o mais pesado. Ficavam o dia todo puxando a manjarra em volta do engenho. O burro não tinha a mesma força dos dois bois, mas dava para quebrar o galho.
Assim se passaram três dias. No quarto, o burro já cansado não conseguia nem se alimentar. E os bois estavam lá debaixo da árvore deitados, comendo ração, tomando remédio para engordar. O veterinário dava a melhor assistência e riam do burro.
O burro, então, se vendo em apuros, teve também um estalo na cabeça e encontrou a saída. Chegou perto dos bois e disse:  Olhe, se fosse vocês, acabariam com essa doença rapidamente. Ouvi o patrão dizer para a patroa que, se vocês não melhorarem depressa, vai vendê-los para o açougueiro.
Com essa notícia, os bois se levantaram e aproximaram-se do engenho, começando a berrar, como quem quer trabalhar.
O burro, nunca mais quis dar conselho para ninguém. Ao sair da fria, disse: “Dessa vez me escapei”.

Jairo Guedes Viana – Membro da Academia Valadarense de Letras

Essa história teve o seu início por volta de 1945. Eu tinha 14 anos, mas me lembro como se fosse hoje. Morava e trabalhava na roça. Tinha um vizinho da mesma idade que era meu companheiro de fé. O apelido dele era Zé Galo, porque gostava de briga de galo. Nos fins de semana, nossos pais mandavam a gente vender verduras e frutas colhidas em nossas terras. Certo dia uma garota de nossa idade, filha da dona do melhor restaurante do arraial fez uma grande humilhação a ele. Ao oferecer suas mercadorias, a moça riu e disse que não possuía criação de porcos. Ele ficou muito envergonhado, pois havia muitas pessoas no restaurante e jurou vingança. Logo, a moça mudou-se para o Rio de Janeiro com a família. Com 18 anos eu fui para a cidade estudar e nunca mais vi nenhum dos dois. Após me formar, encontrei-me com Zé Galo. Parecia muito feliz. Possuía uma pequena fazenda. Convidou-me para tomar uma cerveja e recordar as histórias de nossa adolescência. Lá pela quarta ou quinta cerveja ele lembrou-se da humilhação sofrida no restaurante da Norma (nome fictício) e contou-me como foi que se vingou. A mãe de Norma comprou um bordel no Rio de Janeiro e ela acabou virando profissional no ramo. Era linda a Norma. Morena de olhos verdes, boa estatura, cabelos ondulados e extrovertida. Com o passar do tempo os jovens mudam muito a fisionomia. Tanto ele como a Norma ficaram diferentes e não dava para se reconhecerem à primeira vista. Norma e sua mãe ficaram bem de vida. O comércio da prostituição no Rio de Janeiro era muito rendoso, especialmente quando os marinheiros americanos passavam dias no Rio em treinamento e soltavam dólares a rodo no comércio. Zé Galo teve que ir ao Rio de Janeiro a negócio e pensou em procurar a Norma para se vingar de alguma forma. Disse que foi o mesmo que ganhar na loteria. Procurou uma prima de Norma que morava em Alvorada, distrito de Carangola, para saber se precisava mandar alguma coisa para ela. A moça disse que tinha sim uma encomenda. Norma havia lhe emprestado C$ 3.000,00 e pediu a Zé Galo para entregar o dinheiro e trazer a promissória. Zé Galo pegou o dinheiro e preparou sua mala. Colocou um terninho feito por costureira lá da roça, que era para impressionar sua desafeta. Assim que chegou ao Rio, preparou-se e foi para o endereço do bordel. Foi recebido pela secretária e disse que desejava falar com Norma. A secretária olhou bem para seu tipo e achou que ele não tinha cacife para ficar com Norma e perguntou: o senhor não quer outra mulher? Norma é a mulher mais cara do bordel! Quanto é? Perguntou Zé Galo! Ela disse que era mil reais por hora. Ele então disse: pois é ela mesmo que eu quero! Assim ele repetiu três noites, sempre pagando mil reais a cada programa. Norma ficou curiosa e perguntou: o senhor mora onde? Eu moro em Alvorada, distrito de Carangola. Que coincidência! Eu sou de lá. Você conhece a Tânia? Conheço. Ela até pediu que lhe entregasse 3.000,00 e levasse a promissória. Mais que depressa Norma entregou-a e perguntou pelo dinheiro. Zé Galo então respondeu: o dinheiro é esse que paguei para ficar com você nessas três noites, uai! Eu sou o Zé Galo que vendia verdura para você, lembra-se?
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A honestidade é uma virtude, a traição é um vício. Ninguém, com raras exceções respeita os compromissos assumidos no altar no dia do matrimônio. A traição tanto pode vir do lado do homem, como da mulher. A história da humanidade conta que houve uma época em que os homens podiam ter tantas mulheres quantas pudessem sustentar. Nesse caso não era traição, era lei. Hoje, que a mulher conquistou os mesmos direitos e obrigações, a bigamia ou poligamia são procedimentos fora da lei. Mas, o homem sempre foi mais aventureiro e audacioso em matéria de traição, além de trazer embutidos em sua personalidade o espírito de machista e conquistador. Apesar da conquista das mulheres, muitos países ainda mantêm as mulheres sob forte regime. A bíblia cita a história da mulher que foi apanhada em adultério e levada à presença de Jesus para dar o veredicto. Ele então disse aos presentes: “Se algum de vocês nunca cometeu nenhum pecado, que atire a primeira pedra”, mas todos tinham consciência de seus erros, a mulher foi absolvida do castigo. Aqui no Brasil, a mulher sempre foi submissa ao homem. De tempos para cá, ela adquiriu a igualdade de direito. Com isso o adultério passou a ser cometido tanto pelo homem como pela mulher, pois ela se achou senhora de suas ações e em igualdade de condições. E a mulher quando parte para o adultério, ninguém segura. Mas, o forte mesmo neste assunto, ainda é o homem. Devido ao seu trabalho, e suas viagens, ele tem mais oportunidade do que a mulher. Na sociedade tudo pode acontecer. Há os casos dos “cornos mansos”, em que o homem aceita a traição de bom grado. São os assumidos. Mulheres existem também que sabem e faz de conta que não sabem, seja para proteger a família ou porque não são muito chegadas ao sexo. Deixam que os maridos se virem por onde quiserem. Conheci um casal em que a mulher era uma fera. Toda vez que o marido chegava em casa, ela cheirava sua boca, cheirava e examinava a roupa, e se o marido tivesse gastado a cota dela com outra, aí o pau quebrava. Ele andava afinado; mas sempre dava o jeito brasileiro. Quando se esgotaram todas as desculpas para sair de casa, inventou de pescar à noite. Apanhava o anzol, saía para pescar. Na volta, passava no mercado. Aliás, já deixava comprado um quilo de peixe no bar de um amigo. Nunca perdeu uma pescaria. Sempre trazia peixes, muitas vezes até limpos. Todos nós acostumamos com o perigo, e ele se acostumou, mas se esqueceu de que sua mulher não ia na conversa, assim à toa. Passou a pesar os peixes. E todos as noites ele trazia a mesma quantidade, um quilo certo. Um dia, a esposa pegou a tesoura, cortou seu anzol, e deixou a linha enrolada do mesmo jeito. À noite, ele saiu para pescar e trouxe novamente um quilo certo de peixe. Aí ele entrou pelo cano. A mulher chegou perto dele e disse: Engraçado, você pesca todos as noites um quilo certo de peixe, eu tolero. Mas agora você pesca também sem anzol? Eu cortei o anzol da sua linha, e mesmo assim você conseguiu pescar sem ele? Isto foi o bastante para ela arranjar um advogado e requerer a separação. Quem tem costume de trair, só deixa quando morre.

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Outros artigos

A troca de cadáveres nos necrotérios e de criança aqui no Brasil é muito comum. Vez por outra a gente fica sabendo de crianças que foram roubadas ou trocadas nas maternidades e hospitais. É comum também o desaparecimento ou a troca de cadáveres nos necrotérios. Isto se dá muitas vezes, por interesses diversos. Há milhares de casais sem filhos querendo adotar uma criança. Quando não é possível pelos meios legais, apelam para a violência e roubam crianças recem-nascidas nos hospitais. Já o caso dos cadáveres tem um fundamento maior por causa dos transplantes de órgãos. Com o avanço da medicina em transplantes, a procura é muito grande. Existem milhares de pessoas na fila esperando por um órgão vital para ser transplantado. Há suspeitas no Brasil até de assassinatos para retirada de órgãos. Mas, por outro lado, essas trocas podem acontecer por pura negligência ou engano. Lá na minha terra, não faz muito tempo, houve uma troca de cadáveres por negligência ou falta de cuidado. Houve um acidente de ônibus onde morreram várias pessoas. Entre elas duas senhoras. Uma lá da minha terra e outra de uma cidade vizinha. Os corpos ficaram bastante mutilados com o acidente, principalmente nos rostos, ofuscando a fisionomia. Como é comum hoje em dia, a industria da morte aparece em primeiro lugar. No caso dessas duas senhoras não foi diferente. Uma empresa funerária manteve contato com os familiares por telefone para adiantar o serviço. Nessas horas de angustia, os familiares ficam desnorteados. Acabou que umas das empresas conseguiu autorização para comprar os caixões e até roupas. Naquela confusão de lavar dar o banho e mudar a roupa nos cadáveres, houve troca de identidade. Por coincidência as duas senhoras eram semelhantes fisicamente. A própria empresa se encarregou de levar os cadáveres aos seus destinos. A família lá da minha terra, era de origem humilde, mas muito conceituada e gozava de grande amizade. Dada a mutilação dos rostos das vítimas, os familiares nem retiraram a tampa do caixão. Olhavam apenas pelo visor. Houve muito choro, onde o filho mais velho, muito apegado à mãe, chorou a noite toda. Para enxugar as lágrimas, usava uma fralda de criança em lugar de lenço. Quando o dia amanheceu, encostou um carro da funerária à porta. Vieram fazer a troca dos cadáveres. A outra família notou uma diferença. A dita cuja tinha uma pinta preta no braço direito. Então vieram fazer a verificação e fazer a troca. Acontece que a família da minha terra não concordou. A prova era muito fraca. Podia ser um hematoma e não uma pinta conforme alegava a outra família. Nesse entreveiro, o filho mais velho gritou em alto e bom som que não aceitaria em hipótese alguma a troca. Alegou que tinha chorado a noite inteira para aquele cadáver que estava em sua casa.E que, se trocasse, ele teria que chorar tudo de novo. Ai ele não suportaria mais. Chamaram até a polícia, mas na realidade, não dava mesmo para identificar os cadáveres a não ser por meio de DNA. Acabou ficando por isso mesmo, pois o moço não queria perder o choro e as lágrimas que verteu para aquele cadáver que ele confiava ser sua mãe.

Jairo Guedes Viana

Membro da Academia Valadarense de Letras

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