Recebo com euforia o livro “Trilhas”, antologia poética organizada por
Virgilene Araújo que reproduz três décadas da incessante guerrilha de
Rogério Salgado com sua verdade fundamental: os versos.

Essa reunião representa um troféu pros admiradores do estilo “livre de estilos”,
é um documento pertinente para futuras gerações.

Dezessete anos depois reafirmo as palavras de José Louzeiro (autor de
Lúcio Flávio, passageiro da agonia): “Infelizmente, vivemos em um país
 que perdeu o respeito. Um país que não divulga seus poetas.
Mesmo assim, esteja certo: seu talento é incontestável”.

E digo mais, além de incontestável também é incomum. O coloquialismo
da verve criativa de Salgado soa doce e causa arrepios ao remeter
Drummond em “Poema explicativo para Beto Moreira”:

“Um poeta caminha na calçada. / se fosse um político, uma mulata/
ou um cantor de pop rock/ talvez houvesse alvoroço. / mas é somente um poeta/
 que caminha na calçada.” Santa constatação.

Passeando pela visão política de Rogério Salgado, encontramos “Mote
para um samba enredo”(parceria com Virgilene Araújo),
onde ele demonstra toda sua preocupação com as injustiças sociais,
usando o carnaval (nossa maior festa pagã) pra ironizar
os bandidos que nos governam:

“A merda é que / justo no cú do mundo / onde se caga mal / se come mal /
se vive mal/ se fala mal / políticos fazem o carnaval”.

Dono de uma eroticidade refinada e particular, Rogério nos apresenta
e nomeia pêlos, sumos e sensações, todos bem escondidos, porém acessíveis
na arena dos lençóis, sempre lembrando que os dedos nunca estão sós,
como em “Completa Ceia”:

“ Meu tesão/é poder comer teu corpo/ numa ceia/ter ter inteira/
e não somente meia”.

Ou em “Poema teso”:

“O que possuo /entre as pernas /duro e teso feito madeira /
é essa vontade arretada /de fazer besteira”.

Joga com as palavras como se estivesse em uma partida de pôquer,
a diferença é que quase não blefa, assim nos mostra em
“Poema maquiavélico” :

“Cérebro e /mente /da /sacanagem /agem sacana /mente”.

e “Genética”:

“Veneno/ vem/ no/ ventre/ na/ veia/ e/ na/ mente:/ serpente!”.

Rogério Salgado ou Rogério soldado, como queiram, batalhador que é,
de fato e de direito, demonstra todo seu respeito pela poesia,
pelo fazer poético, ao protege-lo com até certo rigor das garras
das feras famintas por desinformação, e dispara certeiro
seu tiro de misericórdia:

DECRETO

Poesia não deve ser dita aos imbecis
pois será como jogar pérolas aos porcos.

O livro “Trilhas” deve seguir sua própria trilha, DEVE CORRER O MUNDO,
pois tem muito a dizer, principalmente sobre compromisso com um ideal,
A poesia de Rogério Salgado, fluminense radicado em minas,
É exatamente isso, uma arte honesta e natural, um exemplo de grandeza.

BRUNO CANDÉAS

Autor de “Férias do gueto” e “Indigestual”
Recife, 17 de novembro de 2007






Esta semana a poesia de Nildo Gambarra-PE, uma poética que aos poucos encontra uma dicção muito particular, se percebe muita oralidade e revolta nos versos desse jovem poeta, ele descreve o cotidiano sofrido da periferia, a falta de grana e a juventude que se enforca a cada geração, tudo de uma maneira coloquial, compreensível em todos os idiomas – vale a pena conferir – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 

MINHA VÉIA

No sol seu véu
Na vida fel

Cabeça chata
Equilibra a lata

Mocotó rachado
Coração calejado

A dureza de ser mulher
Quando não há colher

O menino no quarto
A poeira na vista

Lá vai minha véia


NA CARA
O olhar
Distante

A falta
de chance

o gosto
do chão

o tudo
pro cão

desfecho
indigestual

na cara
da multidão


ÊXODO ANOREXICO
Todas as manhãs
Acontece o esperado
Um êxodo anorexico

Magrela nas costas
Engrenagens do cotidiano

Corações se misturam
Anônimos vão e vem
Como um bando

Suor no rosto
Nos buchos um osso

Duro de se roer


XERA COLA
Corpos magros
E esqueléticos
Arrastam-se como fantasmas
Na periferia

Infâncias roubadas
Infâncias perdidas
Perdidas na lata
No amarelo que mata


REMÉDIO
Febre
Fezes

Anemia
Manias

Cancro
Canto

Úlcera
Cera

Bubônica
Tônica

Malária
Dia

Esta semana a híbrida poesia de Rynaldo Papoy. Papoy traz temas míticos  e descreve uma realidade agressiva e sexual. Papoy é urbanamente correto, atinge com o que foi atingido, Se expressa como jovem tolo e sábio chinês, consegue fluir.
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RE-POESIA
Me falava sobre anjos
Em cavalos negros.
E apenas eu, apenas eu
Soube disto.
Falei (e falo)
Sobre vulcões em erupção
Em luas de Júpiter.
Atravesso o Universo
Em busca de sua ausência.
Sua inexistência seria tão doce.
Mais doce que você.
A inexistência de seus olhos
Seria como orvalhos em capim,
Preenchendo minha duvidosa existência.
Sem lentes de contato,
Perdi-me em volta de sua casa.
Sem a totalidade de meus neurônios,
Perdi-me em minha insanidade.
Cometi mais erros em 15 dias
Que em minha vida toda.
Você também.
Mas só eu te mandei flores.
Só eu te mandei o cd do
Radiohead no dia do seu aniversário.
O anjo do cavalo negro está em coma.

Sem resposta

Meu coração
é como a bandeira de Israel
no Líbano.
Quem despreza
viverá o desprezo.
E eu..cheguei ao limite.
Agora, quero
regurgitar sua imagem.
Imagem de Universos em criação.
Imagens de estrelas explodindo.
Imagem de explosões nucleares
em Júpiter.
Imagem da luz do sol
invadindo este banheiro.
Seus lábios não pertencerão
mais aos meus lábios.
Dor.


BLUES DA POESIA DO REPENTE
(por ocasião da tristeza e filmes na tv)

Estribilho (ou mote):
Por que esqueço que sou poeta?

Astros de Hollywood tem olhos azuis;
Às vezes, de outras paragens também,
Como Franco Nero e Isabella Rosselini.
(Bem. Vejo uma atriz que parece
A I.R. mas não é ela, nem sei se tem olhos azuis).

Estribilho (ou mote):
Por que esqueço que sou poeta?

A Joana e a Talita poderiam
lamber meu corpo nu cheio de
sorvete napolitano e terminariam
disputando meu pênis pré-duro.
No outro dia, a Bárbara,
Anete e Andréa lamberiam meu
Tórax, disputando meus mamilos.
(É que estaríamos na garagem da casa da Andréa).

Estribilho (ou mote):
Por que esqueço que sou poeta?

Vou montar uma grife para lançar
Cuecas de couro e de seda e de lã
E outros tecidos inusuais.
Mas, no momento, tenho dentes podres.

Estribilho (ou mote):
Por que esqueço que sou poeta?

Está passando Taxi Driver. Adoro.
Estou cada vez mais diretor de cinema
Sem despoetizar-me.
Claro que não sou o Loucura Póstuma original,
Mas eu seria?

Estribilho (ou mote):
Por que esqueço que sou poeta?

Este Taxi Driver é um dos filmes do século
E definitivamente tenho frio.
E só me empolgo em escrever quando
Sei que mostrarei para os outros.
E quero que meus pais, além de todo mundo,
Vão para puta que pariu.

Estribilho (ou mote):
Por que esqueço que sou poeta?

Por que tenho pais tão xaropes?
Como eu e meus irmãos conseguimos não ser imbecis
Apesar de nossos pais?
Esqueci o nome daquela minazinha da Rua 30 que gosto.

Estribilho (ou mote):
Por que esqueço que sou poeta?

Poucas vezes em minha vida
Vi seios tão bonitos quanto os
De I.R. cover.
E do jeito que gosto: bicos róseos.
Que belo filme este do SBT vermelho,
Qual será?
Ela está se transformando num
Demônio mas o cara nem liga.

Estribilho (ou mote):
Por que esqueço que sou poeta?

Mais mulher pelada, agora na Bandeirantes.

Estribilho (ou mote):
Por que esqueço que sou poeta?

Escrever poesia é como tomar
Uma droga estimulante bem forte.
Caralho, esqueci o nome da gatinha da Rua 30.
Ela já veio em casa e sorriu para mim.
Foda é que meus dentes estão podres e
Não tenho calça.

Estribilho (ou mote):
Por que esqueço que sou poeta?

Eu queria agora chupar bem chupado uma boceta.
Qualquer uma.

"... blank faces of the houses
and cylindrical trees"
(William Carlos Williams)

 

Esta semana a poesia da gaúcha Cláudia Gonçalves, uma poesia de busca infindável. Cláudia nos brinda com o requinte da simplicidade, com romantismo, paixão... um fazer poético sem firulas, vale a pena conferir! ( Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)  
 

Sonho

Sinto-me,
um barco perdido
a procura do cais
a cada nova aurora
ao sentir
o sopro do vento,
ali estou,envolta em
um cobertor de sonhos...
querendo ver
o mundo suspenso,
nos olhos dos meus desejos...
e quem sabe ao anoitecer
o cobertor seja de beijos.


Mulher

Anoitece
e na ante-sala do amor
transborda néctar
frutal
rosa chá.

alma desnuda
saindo do prumo
tal fera selvagem

bastam, os sentidos
e explode a paixão...

nas arenas do corpo,
caem folhas de outono
e floresce
...mulher



Insone

Noite embala
suave melancolia
enquanto o silêncio
zomba em gotas

pálpebra
cristalizada
tomba exausta
mas o porto é insone

o pensamento voa
e brota o desejo
de com palavras bordar
e um poema esculpir
invadir o silêncio
e a insônia banir.


Sol noturno

Te encontro
na delícia das maçãs
a pele orvalhada
de flores de ontem
flagrada pela retina
a taça do amor
retratando a leveza
no desfolhar do desejo
o vinho de hoje
quebra o silêncio
um sussurro rouco
de palavras tontas
percorrendo
corredores estreitos
de um sol noturno
desperto
ao sabor da manhã. 

 

Rebento

Que seja pleno
se tardar...tanto faz
quero agarrar o poema
com as unhas do coração
e não negar
o que explode em mim

quero rasgar o peito
com um verso feito
que seja bobo
ou que me questione
mas que me leve
e me aprisione.


Ecos


Salgado silêncio
pintado de breu
andando de rua em lua
buscando a cor
na derme do escuro
um mergulho vermelho

ao centro túnel
um coral de palavras loucas
entorpecendo, cantando
em labaredas beijos

que inflamam
aquecem
transpiram e amam. 

Amigos-leitores do jornal “O Rebate”, esta semana direto de Natal/RN: Carlos Gurgel.
Um cara simples que reflete isso em seus versos desprendidos. Gurgel luta, ama, se transforma, reforma as velhas paredes, aceita a dor e a solidão. Gurgel não esconde
as mãos nem usa sandálias pra pisar nas brasas que o caminho oferece.

 

POEIRA DA ESTRADA 

Quando eu me vejo, como a vela da minha vida
descubro o sangue, eu corto a pele daquele sono
é como o céu da boca que fica negro, espelho que refina
escolho a trouxa, que me dá fome e eu nem como

E como de noite, tudo cabe e eu sou facho
enfileiro meus dedos no pó que a guelra há de querer
é como uma madeira que corto, entorto e me lasco
são lanternas, binóculos, viseiras e tudo que tem que se ver

E no banquete do que a hora me chama
eu viro anjo, rato, lagarto, cheiro do mato
como fumaça, jejum, um toco e tudo que o mundo difama
o risco de uma gilete, a ponta da poeira em tudo que é pasto

Sou torre de torresmo, como bagulho que corre solto
é o rôle que dou, por dentro de imundícies e lixões
é o pensamento que corre como se fosse o outro
que me joga no podre, no gueto da grama, no difícil vale e seus leões

Só assim no meio da noite, eu encontro a vida
que corre na via daquele expresso que me consome
tudo que some, como uma vã espécie que rasga o véu daquela ferida
do que me resta daquele pincel que me colore e que não tem nome.

VELA DO TEMPO QUE NÃO SE APAGA 
 

Quando você me pedir um café
Liquidificarei na xícara, manjares e florais
Mel, abacates e pincéis
Imensos arquipélagos dos nossos quintais
 
Quando você me pedir um chocolate
Lhe servirei uma porção dos deuses
Ramalhetes de açúcares, de inúmeros anéis
Um sonho cremoso, das milhares de vezes
 
Quando você me pedir um picolé
Embrulharei o palito com fitas, fotos e festas
Tudo que sua lembrança trouxer e quiser
Como janelas de leitos e bocas abertas
 
Quando você me pedir um talher
Arrumarei a casa como uma mariscada
Escolhendo o melhor do melhor da maré
O requinte do turbilhão da idéia pescada
 
Quando você me pedir um vinho rosé
Misturarei todos os meus sabores, licores, amores
Ao redor de taças e vidraças do escondido chalé
De tantas e sortidas e infinitas cores .
 
NOVA SOLIDÃO 

 
Eu tenho medo da solidão
Ela me assusta, me deixa mudo
Com ela, eu não sei quem sou
Eu não escuto, eu fico surdo
 
Quando a solidão me atinge
Eu não consigo andar, eu não consigo falar
Ela me deixa cego, eu não consigo perceber
Em você, o que me interessa, o que me faz seu par
 
E assim a vida fica como um nó cego
É como se fosse um caminho louco, sem eira
Pois eu só, sou sem sua companhia, eu não te pego
É como se eu pisasse em cima de uma fogueira
 
Eu só, me olho no espelho, e não me vejo
É como um lago com uma imagem que não reconheço
É como olhar para trás e procurar por um beijo
Vou voando, procuro a alma, um cheiro, o pedaço do preço
 
E quando fecho os meus olhos, eu me assusto
É como se fosse a solidão da solidão
Como se eu me tatuasse, me tocasse
Com o fim do mundo, a vida daquele cão.
 
FLORAÇÃO DA BARRA DO DIA
 
Quando do pote eu levanto a moringa
a formiga que há em mim, desaparece
como se fosse a lágrima que ainda restinga
e que das minhas fraldas, desacontece
 
o sertão é uma flor que não me cabe
sou assim como um assum que vai me chamando
é um som que não me esqueçe , como tudo que você sabe
uma ribeira, uma canseira, uma baladeira e tudo que vive sonhando
 
quando eu te quero, eu sou um doce de família
eu te procuro como aquela fonte da memória
e não me esqueço daquele beijo que tanto humilha
sou eu que sei, daquela estrela, sou eu você e a sua glória
 
não se incomode, tudo são rios e eu te quero bem
tenho mil asas igual a um corvo que te faz flanar
você se lembra, eu misturei flores com o além
igual aquela corda que estica pra lá e pra cá
 
e no varejo do trem que nós estamos
a vida é uma história que passa por suas umbrelas
somos como rostos do qual restamos
ao convívio das suas lágrimas, como cachoeiras tão íntimas das suas velas

AUSÊNCIA 
 

Me apaixono por você, só em lembrar da cor dos teus olhos
Com a tua ausência coleciono roupas, cheiros e cartas
E no jardim que de tuas recordações eu me molho
Estou como se fosse em um lugar, onde tudo me mata
 
É tão enorme o sentir dos teus beijos que me resguardo
Pelas paredes, armários, louças e pastas
A sensação do não começo, é como se fosse a lágrima de um arco
Que dilacera o meu leito, espírito, sombra e o que me basta
 
E assim vagueio no meio da noite, como se fosse a réstia de uma saudade
À procura de um farol, seta,luz, ou de tudo que me ache
Estou só, como nunca estive, eu sou metade
Sou como se fosse uma serpente, que de tua língua, me enrole, na tua face
 
Sou agora, aquela sombra, que minha vida me esqueceu
Chuva de lágrimas, perdões, desculpas e recolhimentos
Uma mão que afaga, como se fosse tudo que se perdeu
Ao redor daquela noite, e de todos os seus instrumentos
 
E por fim, suplico por tudo que me afasta
De ti, de tua vida, de teus lábios, pele e perfumes
Como se fosse uma pérola, licor, estrada tão vasta
Uma montanha, precipício, milhares de ilhas e de todos os teus ciúmes.


CONFESSO
 
Minha vida hospeda
Despedidas e enganos
Vazios e esquecimentos
 
Como um corpo que arde
E não se lembra do frio que encobre seus pecados
 
Como um lobo que protege portões e olhares
E do dilúvio de um deserto de sangues e espinhos
 
Como uma boca que lambe lixos e restos
E do termômetro de um sonho que salva mentiras e desculpas hipócritas
 
É como a sobra de uma sombra
Que reparte o hino que fala de ausências e desmaios
 
E da vazante de uma lágrima
Que escorre o perdão
No meio da noite que não dorme                                                                             

“Minas abraçando a poesia nacional”

 

“Este Evento é dedicado a memória do Poeta Márcio Carvalho”

 

Dias 12, 13, 14 e 15 de julho de 2007
Local: SESC LACES/JK – Belo Horizonte/MG
Rua Caetés, 603 – 3o andar – Esquina com Rua São Paulo



“Alterando consciências”


O fazer poético na perspectiva da transformação e na busca da vida poética é um forte aliado para a humanidade neste século XXI e nos próximos que virão. Muitos mostram-se indignados, milhões estão alheios, mas poucos agem por um mundo melhor; contra a brutal violência que nos violenta todos os dias, a vergonhosa corrupção, dos quase intocáveis que da lei vestem-se em vão; os desastrosos desastres ecológicos que são um total desastre global, o medíocre consumismo padronizado por um padrão de existência mediana, o empobrecedor poder do capital em várias capitais e em inúmeros cantos mais.
Uma emancipação faz-se necessária e o novo paradigma da linguagem pode ajudar a abrir muitos caminhos, desde que os discursadores, em seus atos de fala, busquem levantar as seguintes pretensões: de verdade, de correção e de sinceridade.
É preciso que se resista conscientemente todos os dias, a muitos absurdos do presente, transformando eu, tu, ele, nós, vós... e buscar os fundamentais sentimentos: amor, prazer, cooperação, solidariedade e muitos outros, relegados apenas ao mundo subjetivo.
No universo poético, pouco a pouco, uma intertransformação de todos vem se consolidando. Poetas saem do lugar comum e em seus movimentos procuram expandir a busca pela vida poética e já vêm contando com a participação de poetas e não poetas de várias localidades, sem preconceito de preferências poéticas e outros preconceitos sem razão; para refletir, discutir, agir e transformar o universo em que vivem.
Convidamos, portanto, todos vocês a buscarem uma perspectiva de futuro e de um mundo cada vez melhor para todos.

Rogério Salgado & Virgilene Araújo

Programação

(A poética em sintonia com a ética do discurso)


Ficha de inscrição no final desta programação

12 de julho – quinta-feira

19h às 20h – Abertura oficial com homenagem às personalidades que contribuem e/ou contribuíram com a poesia brasileira. Na seqüência, abertura da “Exposichão”, projeto idealizado durante o 2o Belô Poético pelo poeta Dinovaldo Gilioli e Deuci Napoleão Gilioli (Florianópolis/SC), Exposição do trabalho da artista plástica Isa de Oliveira (Contagem/MG) e Mostra do Painel: “Poeta Márcio Carvalho/Vida e obra”, organizado por Tanussi Cardoso (Rio de Janeiro/RJ).

Apresentadores: Paulo César Barros e Graça Faisão.

Homenageados:

Greudo Catramby (Rio de Janeiro/RJ), Idealizador e realizador, na década de 70, da 1a Feira do Livro em Belo Horizonte/MG, portanto, pioneiro na criação de feiras do Livro na Capital mineira.
Tânia Diniz: (Dores do Indaiá/MG), poeta e escritora que há 18 anos publica o “Jornal Mural Mulheres Emergentes” aproximando poetas de todo o mundo.
Artur Gomes: (Campos dos Goytacazes/RJ), poeta que ao longo dos seus 34 anos de carreira literária, vem enriquecendo o Brasil culturalmente, ao ministrar oficinas de poesia para crianças, jovens e adultos de norte ao sul do país.
Maria Morais: (Brasilândia de Minas/MG), em sua cidade, uma das incansáveis articuladoras do Projeto “Porto Poético”, o qual teve significativa contribuição e reconhecimento do Ministro da Cultura Gilberto Gil.
Nelson Fachinelli - Homenagem póstuma - (Porto Alegre/RS), idealizou e co-fundou várias entidades, entre elas, a Casa do Poeta Rio-Grandense, Casa do Poeta Brasileiro, Casa do Poeta Latino-Americano, Grêmio Literário Castro Alves e União Brasileira de Trovadores.

20h às 20h30 – Apresentação do Grupo Cênico Poético “Poesia Simplesmente” (Rio de Janeiro/RJ), com os poetas Angela Carrocino, Delayne Brasil, Dalmo Saraiva, Jorge Ventura, Laura Esteves, Rosa Born e Sílvio Ribeiro de Castro, numa homenagem ao Poeta Márcio Carvalho. Poetas convidados: Carmen Moreno (Rio de Janeiro/RJ), Rogério Salgado e Virgilene Araújo(Belo Horizonte/MG).

20h30 à 21h – Palestra: “A ética do discurso no contexto poético”, com Rodrigo Marcos de Jesus (Belo Horizonte/MG), graduado em Filosofia pela UFMG e membro do NEPPCOM - Núcleo de Estudo e Pesquisa do Pensamento Complexo/FAE-UFMG.

21h às 21:30h - Apresentação do Grupo Cênico Poético “Poesia Simplesmente” com a performance Poético-Musical: “Evocação ao Recife: Bandeira, a Rosa, a Estrela, a Canção”, com direção de Mônica Serpa.

21h30 - Coquetel de Lançamento dos livros: “Poetas En/Cena - uma reunião de poemas dos poetas brasileiros”: Clevane Pessoa Lopes, Caio Junqueira Maciel, Luíz Carlos Abritta, Conceição Parreiras Abritta, Walnélia Perdeneiras, João Batista Mariano, Lis Monteiro, Klycia Fontenele, Gertrudes Greco, Célia Siqueira Arantes, Fabiano Filippi Chiella, Cecy Barbosa Campos, Valdemar Alves, Bilá Bernardes, Karla Leopoldino, Fátima Borchert, Edinilson de Paulo, Maria Clara Segóbia, Rogério Salgado & Virgilene Araújo e Vera Puget;
“Navalhas Voadoras para Cortar a Tarde” de Márcio Carvalho;
“Casa do poeta Rio-Grandense (Coletânea Literária – 42 anos)”, organizado por Marinês Bonacina (Porto Alegre/RS) poeta e Presidente da Casa do Poeta Rio-Grandense e Casa do Poeta Latino-Americano;
“Indigestual” de Bruno Candéas (Recife/PE);
“Exercício do Olhar” de Tanussi Cardoso (Rio de Janeiro/RJ);
“Poetas quae sera tamem” CD de Ricardo Evangelista e Sueli Silva (Belo Horizonte/MG).

13 de julho – sexta-feira.

Atividades externas:
9h às 11h30 – “A poesia como um exercício de cidadania”.
Local: Espaço Criança Esperança (Rua Desembargador Mário Matos no 576/Serra-BH. Na seqüência, almoço dos poetas no restaurante popular – Av. do Contorno, 11.484 - centro
Articuladoras desta atividade: Ane Walsh (Cambuquira/MG) poeta e jornalista, Virgilene Araújo (Belo Horizonte/MG) poeta e escritora e Ana Paula Alves Generoso (Belo Horizonte/MG) estudante de Letras/Puc Minas.
Performance Poético- Musical “Poetas quae sera tamem” com Ricardo Evangelista poeta e sociólogo e Sueli Silva, compositora e intérprete (Belo Horizonte/MG).
Contação de Histórias com Glauter Barros (Angra dos Reis/RJ).
Performance Poética com Mavotsirc e Lu, membros da COOPERIFA - Cooperativa de Artistas da periferia - (São Paulo/SP).
Oficina “Brincando e Aprendendo Ecologia” com Daisyluz Vieira (Conselheiro Lafaiete/MG), poeta e membro do Grupo LESMA-Liga Eco-Cultural Santa Matilde.

12h30 às 14h30 – Horário Livre


14h30 às 18h – “Poesia: Memória e Ação”
14h30 às 15h - Palestra “A poética de Conceição Evaristo” com Cecy Barbosa Campos (Juiz de Fora/MG), poeta, escritora, bacharel em Direito e Mestranda em Letras (Teoria da Literatura).
15h às 15h40 Performance “Ais” Wilmar Silva e Luiz Edmundo Alves (Belo Horizonte/MG).
Intervalo: cafezinho
16h às 16h30 - Um pouco sobre Guimarães Rosa com o sociólogo e escritor Newton Emediato Filho (Belo Horizonte/MG).
16h30 às 17h10 - Performance com o Grupo Cênico - Poético Virus Mundanus (Belo Horizonte/MG) com os poetas Jimi Vieira, Júlio Emílio Tentaterra e Sidney do Carmo.
17h20 às 18h – Performance Poético Musical “Os caminhos de Guimarães Rosa”, com Rosa Helena Pimentel, Glaysson Astoni e Grupo Quiálteras (Belo Horizonte/MG).

18h às 19h30 – Horário Livre

20h30 – Sarau Lítero Musical/Festa dos Poetas
Articuladores dessa atividade: Bilá Bernardes, Heleide O. Santos e Arlindo Nóbrega.
Local: Associação das Donas de Casa de Belo Horizonte, Rua Guajajaras, 40 – 24o andar – Edifício Mirafiori.
Abertura: Momento musical com Jorge Dissonância (Aracaju/SE), Rui Montese (Belo Horizonte/MG) compositores e intérpretes, seguido da atividade Versos e Sons – poemas musicados na hora, com o poeta Anand Rao (Brasília/DF).
Participação dos poetas e/ou destaque de poemas de: Leinecy Pereira Dorneles (Cassino/RS), Elza Teixeira Freitas (Uberlândia/MG), Marinês Bonacina (Porto Alegre/RS), Zaira Cantarelli (Porto Alegre/RS), Grupo A Parada/Chico Loppes com Deivid Júnio, Flávio Gonçalves, Marco Anhapoci e Valquíria Rabelo (Belo Horizonte/MG), João Batista Mariano (Belo Horizonte/MG), Maria Clara Segóbia (Porto Alegre/RS), Carlos Gurgel (Natal/RN), Juci Reinhardt (Balneário Camboriú/SC), Maria Gertrudes Horta Greco (Guaratingetá/SP), Sérgio Gerônimo (Rio de Janeiro/RJ), Leonel Ferreira (Belo Horizonte/MG), Lívia Tucci (Belo Horizonte/MG), Iara Alves (Belo Horizonte/MG), Lis Monteiro (Belo Horizonte/MG), Tânia Diniz (Dores do Indaiá/MG), Ana Cláudia Alcântara (Belo Horizonte/MG), Terezinha Romão (Belo Horizonte/MG), Wanda de Paula Mouthé (Belo Horizonte/MG), Isa de Oliveira (Contagem/MG), Vinícius Fernandes Cardoso (Contagem/MG), Wagner Torres ( Belo Horizonte/MG), Beth Fleury (Belo Horizonte/MG), Greyce Soute (Águas Formosas/MG), J. S. Franco (Belo Horizonte/MG), Maria Morais (Brasilândia de Minas/MG), Edinéia Alves (Belo Horizonte/MG), Eugênio Magno (Belo Horizonte/MG), Cida Araújo (Vespasiano/MG), Rosa Helena Pimentel (Belo Horizonte/MG), Glaysson Astoni (Belo Horizonte/MG), Cecy Barbosa Campos (Juiz de Fora/MG), Márcia Simões (Belo Horizonte/MG), Laura Aparecida da Silva (Belo Horizonte/MG), Odete Mendes de Souza (Belo Horizonte/MG), Paulo César Barros (Belo Horizonte/MG), Graça Faisão (Belo Horizonte/MG), Ronaldo Zenha (Belo Horizonte/MG), Deiwson F. de Magalhães (Belo Horizonte/MG), Dulce Batista (Belo Horizonte/MG), Luiz Antônio Leite (Belo Horizonte/MG) e Jacy Gomes Romeiro (Belo Horizonte/MG) .
Encerramento: performance poética com o Grupo Lesma/Liga Eco-Cultural Santa Matilde (Conselheiro Lafaiete/MG) com os poetas Osmir Camilo, Wagner Vieira, Daisyluz Vieira, Patrícia Fonseca, Léo Fernandes, Grupo Orquestra de Violas e convidados.

14 de julho – Sábado - Mesas - redondas

9h às 12h – Mesa-redonda “A Ética do discurso, a poesia e a sociedade atual”.
Coordenador:
José Aloise Bahia (Belo Horizonte/MG) poeta e jornalista.
Abertura: Performance poética com Mônica Montone (Rio de Janeiro/RJ) poeta e produtora cultural.
Convidados:
Caio Junqueira Maciel (Belo Horizonte/MG) professor de Literatura, poeta, ensaísta e editor.
Oséias Salomão (Belo Horizonte/MG), graduado em Letras pelo UNI-BH, lavador de automóveis, professor e baterista.
Luiz Alberto Zanotti (Campo Largo/PR) poeta e realizador do Salão Nacional de Poesia de Campo Largo – PR.
Sérgio Gerônimo (Rio de Janeiro/RJ), poeta, editor das Edições Oficina e fundador da APPERJ/Associação Profissional dos Poetas do Estado do Rio de Janeiro.
Ênio (Belo Horizonte/MG) poeta, compositor e gestor cultural.

12h às 14h – Horário Livre

14h30 às 17h30 – Mesa-redonda “O poeta, sua poesia e a poesia do outro, numa perspectiva da Ética do discurso”.
Abertura: Performance poética com Artur Gomes (Campos dos Goytacazes/RJ) poeta, ator, oficineiro e performer.
Provocador: Aroldo Pereira (Montes Claros/MG), poeta e realizador do Psiu Poético-Salão Nacional de Poesia.
Convidados:
Ilma Fontes (Aracaju/SE), poeta, escritora e roteirista de cinema. Editora de O Capital, jornal de resistência ao ordinário.
Artur Gomes (Campos dos Goytacazes/RJ), poeta, ator, oficineiro e performer.
Osmir Camilo (Conselheiro Lafaiete/MG), poeta, membro do Grupo LESMA-Liga Eco-Cultural Santa Matilde e realizador do Abril Poético – Circuito Nacional de Poesia em Conselheiro Lafaiete/MG e região.
Rodrigo Leste (Belo Horizonte/MG), poeta, ator e dramaturgo.

17h30 às 20h30 – Horário Livre

20h30 – Presença dos poetas no Arraial de Belô.

15 de julho – Domingo


10h30 às 12h30 – Teia Poética - Intervenções poéticas e performáticas – para poetas participantes devidamente inscritos no Encontro.

Abertura: Conto, com o escritor e pensador Leonardo de Magalhaens (Betim/MG).
Serão 15 participantes escolhidos por sorteio, durante o Sarau Lítero Musical. (Regulamento com a equipe de apoio)
Premiação para a melhor intervenção: R$ 100,00 (cem reais) e uma cesta literária, incentivo à leitura.
Brindes literários para os demais participantes.

Jurados:
Ademir Antonio Bacca (Bento Gonçalves/RS) poeta e realizador do Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves/RS.
Jimi Vieira (Belo Horizonte/MG), poeta e performer, membro do Grupo Cênico-Poético Virus Mundanus.
Mônica Montone (Rio de Janeiro/RJ) poeta e produtora.
Sérgio Gerônimo (Rio de Janeiro/RJ), poeta, editor das Edições Oficina e fundador da APPERJ/Associação Profissional dos Poetas do Estado do Rio de Janeiro.
Maria Luiza Falcão (Rio de Janeiro/RJ), poeta, escritora e representante regional da APPERJ.
Mônica Serpa (Rio de Janeiro/RJ), poeta e diretora teatral.
Wagner Vieira (Conselheiro Lafaiete/MG), poeta, membro do Grupo LESMA-Liga Eco-Cultural Santa Matilde e realizador do Abril Poético – Circuito Nacional de Poesia em Conselheiro Lafaiete/MG e região.
Zezeca Junqueira (Congonhas/MG), ator e gestor cultural.

12h30 às 14h – Horário Livre

14h às 19h - Atividade extra programação:
passeio turístico – cidade: Congonhas/MG - Patrimônio Cultural Mundial (R$ 35,00) - Maiores informações com o representante turístico, no local.

Durante o Encontro, no local do evento, uma stand da Febac – Federação Brasileira dos Alternativos Culturais estará instalada para a filiação dos órgãos de imprensa alternativa.

Obs: por respeito aos participantes, os horários descritos na programação serão cumpridos. Se 1/3 dos inscritos estiverem presentes, iniciar-se-ão as atividades.
É importante que os poetas participem de toda a programação e não somente do dia em que estarão se apresentando, para que possam perceber o Encontro como um todo e a sua importância para uma sociedade melhor para todos.

INSCRIÇÃO VIA E-MAIL (Até 05/07/2007)

Depositar taxa de inscrição no valor de R$ 10,00 , no Bradesco – agência 081 – Conta 091.915-2 – em nome de Rogério Salgado. Enviar para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. os dados abaixo e apresentar recibo de depósito na abertura de Belô Poético ou enviar o recibo via fax: (31) 3464-4479/3464-8250 – Malibu Calçados – esses recibos enviados por fax serão selecionados para o sorteio de uma camisa do Belô Poético, durante o Sarau-lítero Musical.

Nome:..........................................................................................
Endereço:.....................................................................................
Cidade:.......................................................................UF:............
E - mail.............................................Tel:( )..................................
Atividade que desenvolve:..............................................................

OBS: os poetas que constam na programação já estão inscritos para o evento.


Este evento tem convênio com o Hotel Esplanada, Av. Santos Dumont, 304 (próximo ao Laces-Sesc). Diária de R$ 35,00 (somente para os inscritos no Belô). Informações pelo telefax: (31) 3273.5311, com Jorge ou Letícia.

Belô Poético/informações (31) 3464.8213 e 8421-6827

Realização: Belo Poético Produções Artísticas e Literárias e Casa do Poeta Serra do Curral

Os maiores apoiadores deste Encontro são os próprios poetas participantes.

NOS PRÓXIMOS DIAS, ESTA PROGRAMAÇÃO ESTARÁ NO SITE:
www.poesianapracasete.com/belopoetico

Visitem também o site: www.poesianapracasete.com

 

Salve amigos leitores do jornal “O Rebate”
esta semana depois dos festejos de São João,
trago a poesia-erótica de Linaldo Guedes/PB
para manter e espalhar pelo Brasil
o clima quente desta festa tipicamente nordestina.
até mais! Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Motivação

confesso que não soube segurar seus bicos

(por isso)
não sou alegre
não sou rico

:só maldito.


Àlpha e Bêta

ah, escrever um pecado em teu corpo...

seria um poema?

estranho fonema
como se fosse esperanto
sem esperanças

bom seria descobrir
o manto vermelho
daquela silenciosa arena

despindo cristos e vergonhas
nos alfabetos fenícios
que formam hebraicos em nosso latim

(e eu apenas escondido atrás da rubrica sem tradução)

Posse

seus dedos
se apossaram feito feudos

-vassalos de minha pélvis.


3 em 1

eu ali
sugando sugando sugando
ânsia do líquido
hastear outra bandeira

ela ali
me atracando em outra península
cercando-me líquidos por todos os poros
palavras ejaculadas em minha garganta

ele ali
crescendo crescendo crescendo
veias e vasos estourando na pele
firme e teso

(presos?)   

COLLECTIVUS

um poema nasce
quando as partes
se contundem

nas moléculas
salgadas

nas estrofes
amadas

nas leituras
armadas

um poema nasce
quando o tudo
é moleque

e confunde
as marcas

e confunde
e marca

traço armorial
na tua pele beatnik.


Apartheid

quase à míngua
invasão de segredos
nas tuas coxas desunidas

Queridos leitores do jornal “  O Rebate”, trago está semana a poesia de um grande “viajante” de nossa contemporaneidade, José Carlos Farias, o poeta Malungo, com sua poesia impregnada
de psicodelismo, luzes coloridas e flash’s da periferia, Malungo/PE nos faz pensar em novos “temperos”, pra escrita e para um mundo menos miserável.  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

OBRA VERSIFICADA
NÃO IDENTIFICADA

Ao som de um hino evangélico,
Surge um boi mameluco; boi de fita.
Um boi maluco, psicodélico; que rumina
Saudades e defeca solidão.
Xabu nos computadores e o mofo deu nos cd's.
Deu o zererê, cachorro em 90: bundalelê

...E o artista continuou discriminado
e jogado a boléu.

Fidalgos mendigos jantando pão com pão
no cinco pontas.
...E lá se vai a tua cabeça a boiar
nas águas do Capibaribe.
Ela está bêbeda por ter enchido a cara
de vinhoto no bar Savoy.

Ela está inchada pela derrota
do time do coração...

Mas pula da água suja pro calçamento
escaldante e sai dançando
ao som de um maracatu

afrociberdélico pela rua da Imperatriz.
Todos os termômetros da cidade
enlouqueceram!

Eles marcam zero grão de terra
na cara dos sem.

E vem você de novo,
fazendo bamburim de xoxota.

Pena que você não nota
que o prêmio é dividido por mais de cem:

Uma tuia de machos esperando
numa fila sem fim.

Derrubei a grande estante
por cima dos bacharéis!

Eles são senhores, caros senhores;
Valendo pouco mais de dois mil réis.
Um verso perverso, louco;
Como o gato de Alice
e o seu sorriso sacana.

Catedráticos de fama se estarrecem.
E os mendigos do Brasil
Com suas roupas de amianto agradecem.
a-gra-de-cem!!!


CARROCEIRO TRANSCENDENTAL
Lá em Peixinhos, a arte mora na favela.
As bandas, o lixo do Beberibe: É o groove suburbano!
Goiamuns plugados se esbarram nas vielas.
Todas as orelhas do mundo viradas para Recife.
Só aqui, não se ouve o novo som Pernambucano.
A luz do sol se reflete nas águas sujas do rio
(nos zincos dos barracões).
Urubus dão rasantes nas montanhas de lixo.
Nas carroças ferro velho, tralhas e papelões,
Carne de rato; pés sujos nos telhados da consciência.
Mocambos, almas encardidas
e balas perdidas sem clemência.
Geladeiras incandescentes iluminam a tua cozinha.
Paredes transparentes revelam as terceiras intenções.
Coloque o plugue e peça linha.
Viaje chutado, num burro sem rabo
rumo a outras dimensões.

MEUS OLHOS EM MANHATTAN

(flashes de terror)
Na luz da manhã, as aves turbinadas:
Fanático mergulho surreal.
Kamikazes e passageiros voando para o fim.
O alvo se aproxima rapidamente;
Explode tudo em nome de Alá.
As cabeças dos irmãos em chamas;
A fumaça irrita os olhos de São Pedro.
Gritam Help (S.O.S em desespero).
A Águia se debate entre os dentes do Leão.
Tudo ruindo; como um sonho mau diante
de todos.
A pedrada e o Golias; inesperada queda.
Fogo; e as torres desmoronam
Inacreditavelmente
Pelos olhos da TV.
O Grande Satã, o pó e as cinzas
passeando pelo ar.
Babel se cala numa nuvem surda de
fumaça e sangue.
Sementes e plantações:
Colheita de frutos amargos bumerangues.
Ganância, maldade e prepotência.
Em todo mundo desfila uma fome digital.
Bombardeios matando pessoas inocentes.

COMPUTADORES A LENHA, CHIPS A VAPOR
Mãos analfabetas folheiam cordéis digitais.
Paralíticos binários dançam
cirandas ancestrais.
Os alto-falantes vomitam
os sons dos sintéticos baiões.
Um bando alienando o povo
com seus forrós charlatões.
Neurônios, fios e tomadas.
Circuitos e impulsos nos pés
Dançando em maracatu elétrico.
Das mãos saem faíscas;
Palmas pro coco de roda!
Um pensamento plugado na eletrosfera
E um cérebro iluminando quarteirões. 

Olá amigos leitores, estréio hoje como colunista do jornal “O rebate” onde trarei toda semana um poeta representativo de nossas letras. Pra começar trago a poesia da Estrela Leminski/PR, uma artista sensível e visceral, observadora das convivências e coincidências do amor e dos desencontros.
até a próxima!  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


Triste poema no caderno velho
Já nasceu pra alguém que é velho
Meu ego de molho
orgulho do medo
sentimento caolho
É óbvio que esse poema padece
Já nasceu pra alguém que não merece
Por não conseguir ser prosa
o podre se repete
Esse poema, coitado
nasceu pra ser esquecido
nasceu pra ser apagado
Esse poema sabe que ser feliz
não vale a pena
Não vale a vida pequena
que lhe cabe      

Não se faça de faceiro
se face a face
essa farsa desfaz-se
e minha força me diz
que você é fraco
e dá sinais que é fácil

Saí da fossa
e não disfarço
Agora faça o que faça
o desfecho final
é que você não passa
de um fóssil.

O mundo é feito de pontos. São muitos se forem pontos de vista. Poucos se forem pontos estratégicos. Muito úmidos se forem pontos de chuva. O mais gostoso é ponto de encontro, mas ás vezes desencontra. Ou pontos de luz, um homem e uma mulher nus. Todos são pontos. O caminho entre dois uma reta. Uma linha. Um caminho que caminha sozinho. Fim da linha. Ou do fio. Fio da meada é na conversa. Conversas são feitas de pontos de enfoque. O palco também. Amores são pontos em comum.  Os pontos são um. 

mesmo sempre sabendo que
no dia que te conheci o mundo ficou da cor do
todos os momentos juntos eram exatamente como
naquele primeiro beijo eu senti que
cada espera tua dói como se
depois deste tempo ao teu lado eu vejo a

desde então
estou sem palavras 

 



BRUNO CANDÉAS


Considero-me um experimentador, como pessoa e como poeta.
Eu nasci em Campina Grande/PB. Residi em Belém/PA,
Taguatinga/DF e Rio de janeiro/RJ; atualmente vivo em Recife/PE

Publiquei os livros Poeta nu na alcova (2002), Filé 1,99 (2003),
a Trégua dos ditadores (2004), Férias do gueto (2005),
Indigestual (2007)
Participei das antologias nacionais:
Painel brasileiro de novos talentos/RJ, Livro de ouro da poesia brasileira /RJ ,
Palavras que falam/SP, Best seller 2006/SP, Antologia del’secchi/RJ,
Margens do atlântico/PR, Marginal recife III/PE, antologia komedi/SP
Antologia de poetas brasileiros contemporâneos/RJ,
Uma história no seu tempo/SP.
Colaborei com mais de 70 jornais:
e revistas de todo o brasil, alternativas e oficiais citando entre elas
pense aqui/ SP, a goiaba/RJ, ação poesia/SP, intervalo/RJ, o literário/RJ,
entreamigos/RS, feridas abertas/PA, leiamigos/RJ, ½ café/SC, a cigarra/SP,
panorama da palavra/RJ, nozarte/RJ, caos/PE, quadrinhos independentes/MG,
garimpo/BA, alternativa/RJ,fécum/RJ, alternaquia/SP, escritos/SP,
estigma/DF, versos livres/SP, sirrose/AM, cartum/SC, Cinform/SE,
Correio do sul/MG, Folha de pernambuco/PE, Alto madeira/RO,
Diário de pernambuco/PE, Sul brasil/SC, Jornal de paraíba/PB,
+1 zine/RS, Jornal do commércio/PE, antezine-se/PE, bio electric/PE
A verdade/PE, Tom zine/MG, Nova mente/RO
No exterior tenho participações nas seguintes revistas/sites:
Ala de cuervo/ venezuela, Boek 861/ espanha, Il convívio/ itália,
Isla negra/argentina, La movida/colômbia, Avión de papel/espanha
Isola nera/ itália, Libros y letras/ colômbia, Libros libres/ chile,
El recreo/ espanha, Helice poesie/ frança, Vuelta de tuerca/ colômbia
Ookee/ espanha, Pliegos de opinión/ espanha, Poegía/ espanha
Annlea/ espanha, Café berlín/ alemanha, Poetas del mundo/colômbia,
Al margem/espanha, Revue d’art et de literature/frança, Andar 21/méxico
Remolinos/ peru, Diez dedos/colômbia, Las filigranas de perder/ colômbia
La plaza humana/andaluzia.

 

 

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