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Machuca é mais um filme latino-americano que mexe com os nossos brios. Influenciado pelas transformações político-sociais que o Chile atravessava no governo Allende, o padre McEnroe(Ernesto Malbran), diretor do conceituado colégio Saint Patrick, um dos mais conceituados do País, implementa o programa nacional de ação afirmativa que abre as portas da instituição para as crianças pobres da região, integrando assim os dois mundos.

Já no meio do ano letivo, Pedro Machuca ingressa no educandário religioso, em uma classe equivalente a sua idade (11 anos), e conhece Gonçalo Infante. Este mora numa boa casa em um tradicional bairro de classe alta, enquanto que aquele vive em uma favela de Santiago.

A despeito do enorme abismo social que os separa, os deixa deslocados e atrai brincadeiras preconceituosas por parte de algumas crianças ricas do colégio, como reflexo do descontentamento com as políticas governamentais de inclusão social, Pedro e Gonçalo tornam-se amigos.

 Nesse momento, o Chile passa por uma conturbada crise política. De um lado Salvador Allende, que tenta implantar um governo marxista em uma das sociedades mais conservadoras da América-Latina, apoiado por classes mais baixas urbanas, universitários, camponeses e de outro, as forças conservadoras, em geral compostas por segmentos da classe média burguesa e da elite reagem violentamente com boicotes, panelaços e pedidos de intervenção militar.

Sem tomar conhecimento das mudanças que estão por acontecer, apesar de participarem dos movimentos que a antecedem, Pedro e Gonçalo passam a conhecer as realidades completamente distintas de ambos. Pedro dorme um noite na casa de seu colega da burguesia e testemunha a hipocrisia de sua intocável família, a qual essa classe tanto se esforça em defender. Por outro lado, Gonçalo conhece a favela e na sua inocência sente-se confortável, apesar das enormes dificuldades.

Vale ressaltar a excelente atuação e a importância do papel de Manuela Martelli, como Silvana Ernesto, uma menina pobre, um pouco mais velha que a dupla, que já começa a tomar consciência do acirramento da luta de classe que está sendo travada em seu país, razão pela qual divide sentimentos de atração e repulsa pelo novo amigo rico.

 Em 11 de setembro de 1973, o Palácio La Moneda foi invadido a mando de Augusto Pinochet, para depor o presidente eleito democraticamente pelo povo. Com o golpe militar, a favela de Machuca, pessoas progressistas como o padre McEnroe e toda a classe trabalhadora do Chile passam a conhecer a fúria da classe burguesa, quando retoma o poder que havia perdido.

Ficha Técnica
Título original: "Machuca"
Gênero: drama
Distribuição: Mais filmes
Direção: Andrés Wood
Roteiro: Andrés Wood
Elenco:
Matias Quer
Ariel Mateluna
Manuela Martelli
Ernesto Malbran
Aline Kuppenheim
Estúdio: Wood Producciones/Tornasol Films

Veja o trailer

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Aproveitando que nessa semana estamos lembrando os 40 anos do assassinato de Ernesto “Che” Guevara, a dica da semana é Diários de Motocicleta, um filme marcante e inesquecível. Longa internacional dirigido pelo brasileiro Walter Salles é premiado e sempre muito elogiado.
O filme foi inspirado nos diários de  Ernesto Guevara de La Serna (Interpretado por Gael García Bernal),  ainda longe de ser um dos guerrilheiros mais admirados da história e com o apoio de Alberto Granado (interpretado por Rodrigo de La Serna, primo de segundo grau de Che), ainda vivo. Retrata a primeira  viagem que Fuser (Ernesto) e Mial (Alberto) fizeram pela América do Sul.
Depois de muito planejarem, os amigos seguem a jornada rumo a um sonho: Percorrer a Patagônia, Andes, Macchu Picchu, passando por um leprosário peruano e terminando na Venezuela. O veículo que realizaria essa façanha era uma moto de 1939, chamada de “La Poderosa”.
A viagem começa. Primeira parada acontece na casa de Chichina (Mia Maestro), uma namorada de Che.
Aos poucos vão surgindo paisagens novas, pessoas novas...Ernesto e Granado, em muitas situações, precisam usar a inteligência e todo um poder de persuasão para comer e para dormir. O método para vencer obstáculos era o da improvisação.
A “Poderosa” transforma-se em sucata e fica completamente inutilizada. Os viajantes precisam caminhar pelas trilhas marcadas no mapa. A partir desse momento é que começam a ter mais contato com a população latino-americana. Assim vão conhecendo situações, passam a enxergar um novo mundo e uma realidade que ignoravam: injustiça, miséria, camponeses que foram expulsos de suas terras de cultura familiar. Relatos de grupos que perderam tudo, pessoas perseguidas, opressões, explorações...Todas essas situações de submissão do povo fizeram uma profunda reforma nos sentimento de Ernesto e Alberto.
A chegada dos dois amigos ao leprosário na amazônia peruana é um ponto marcante. O hospital é dividido pelo rio. De um lado moram os doentes e do outro, os “saudáveis”. Não havia ali mais do que uma relação paciente-médico. Podemos conferir como os jovens subverteram as regras locais, tratando os doentes como amigos e dispensando  o uso das luvas que eram exigidas pelas freiras que cuidavam da instituição. Observamos como Ernesto se posiciona, escolhendo comemorar seu aniversário com os doentes na outra margem do rio.
Assistindo Diários de Motocicleta, entendemos o que levou Guevara a lutar por justiça, buscando mudar toda a ordem social que massacrava e ainda massacra os desfavorecidos da América Latina. Tudo o que foi visto por Che, serviu para um despertar interior, um afloramento  de revolta e indignação com as desigualdades sociais e regionais. Tornou-se um dos líderes da Revolução Cubana e um exemplo de luta pela liberdade seguido por várias  gerações.
40 anos depois de seu assassinato, o Revolucionário Socialista continua vivo no coração daqueles que tremem de indignação perante as injustiças. Uma prova de que não se pode deter a primavera.

Ganhou o Oscar 2005 de melhor canção, com Al Otro Lado del Río.

 

Ouça a canção.

Confira o Trailer.

Ficha Técnica
 Diários de Motocicleta
(The Motorcycle Diaries)
Países/Ano de produção: BRA/ING/FRA/ARG/CHI/EUA, 2004
Duração/Gênero: 128 min., Drama
Direção de Walter Salles Jr.
Roteiro de Jose Rivera, baseado nos livros de
Alberto Granado e Ernesto ‘Che’ Guevara
Elenco: Gael Garcia Bernal, Rodrigo de La Serna, Mía Maestro, Susana
Lanteri, Mercedes Morán, Jean Pierre Nohen, Gustavo Pastorin.

 O longa que teve sua estréia em dezembro de 2005, conta a história de um militante (Thiago, interpretado por Leonardo Medeiros) da resistência à ditadura militar, que foi o brigado a manter-se isolado em um aparelho, tendo em vista que o outro em que se encontrava, fora descoberto por agentes da repressão. Na troca de tiro com estes agentes, Thiago fica ferido e sua companheira é presa.

Durante o confinamento, Thiago vive a agonia de não mais participar das ações da sua organização e somente receber notícias de derrotas e mortes de seus companheiros de luta.

A angústia que o confinamento causa ao guerrilheiro, o leva a nutrir sentimentos de desprezo e por fim desconfiança pelo dono do apartamento (Pedro, interpretado por Michel Bercovitch), que mantém uma vida "normal" e que, embora tenha cedido sua casa como esconderijo, não deseja uma participação mais contundente. Desde o primeiro contato do guerrilheiro com Pedro, fica clara a relação tensa que será desenvolvida ao longo da trama. Thiago começa a conjecturar se o proprietário do "aparelho" é ou não um traidor. Além de desconfiar de Pedro, Thiago também começa a acreditar que a organização o esteja mantendo de propósito fora do combate.

 A ânsia do protagonista por manter a disciplina e voltar a se tornar apto para o confronto é amenizada por Rosa (Interpretada por Débora Duboc), militante designada para cuidar de seu ferimento, assim como informá-lo de tudo o que acontece fora do "aparelho".

O filme aborda a persistência de uma geração contra a opressão, a realidade do isolamento e a ação das vanguardas revolucionárias, sua luta e suas contradições internas. Também conta com uma trilha sonora impecável, com releitura de clássicos da música brasileira e a interposição de filmagens da época, que realmente cativa e emociona.

O que temos vai além de um longa, cabra-cega é um documento valioso. Demonstra como homens e mulheres enfrentaram um regime autoritário muito bem armado e nutrido pelo capital estrangeiro e nacional.

Cabra-Cega
 Cabra- Cega, Brasil, 2005.
Direção e Produção: Toni Venturi.
Roteiro: : Di Moretti, baseado num argumento de Fernando Bonassi, Roberto Moreira e Victor Navas.
Elenco: Leonardo Medeiros, Débora Duboc, Jonas Bloch, Michel Bercovitch, Bri Fiocca, Odara Carvalho, Milhem Cortaz, Renato Borghi, Walter Breda e Elcio Nogueira.
Fotografia: Adrian Cooper. Montagem: Willem Dias. Direção de Arte: Cláudia Minari. Música: Fernanda Porto. Figurinos: Carolina Li.

Veja o trailer
 

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