A imagem de uma pessoa, de um grupo ou de uma coisa  não se constrói de um dia para outro.  Quer comece a ser trabalhada do zero ou continuada sobre um projecto já começado. Um verbo bem apropriado é mesmo o construir, utilizando aquilo que se pode reunir de melhor sobre o que, ou sobre quem se vai trabalhar. É bastante frequente alguém comparar uma imagem de marca, com tudo o que este conceito inclui, a um edifício de concreto, armado sobre uma estrutura sólida e segura, ou reforçada, de modo a ser capaz de sustentar paredes rijas que aguentem ao mau tempo, aos maus ventos e que resistam ao esforço periódico de manutenção - crescer dói e mudar inclui sofrer choques e abalos. Com uma fachada que chame a atenção pelo objectivo, pelas suas peculiaridades, mas também pela harmonia com o conjunto. Definindo fachada não como um disfarce, uma parede falsa, mas como um realce do conteúdo.
Conteúdo  que se esconde não  rende imagens. Modéstia, sobriedade e discrição são qualidades elegantes, mas há que ser dosadas nesse trabalho, para não serem confundidas com hipocrisia. Palavras que dão nome e que rotulam. Muita coisa vale mais para ilustrar esta analogia com o verbo construir, como a preocupação com a economia em material – por exemplo com a  qualidade das canalizações e sistemas eléctricos de um edifício. Com a imagem das pessoas também é assim, a economia em material pode prejudicar a construção, manutenção e durabilidade. Uma imagem construída com pouca informação, ou com dados mal escolhidos, não favorece a que vá sendo, aos poucos, mantida, restaurada e até reestruturada nos seus alicerces. Vamos chamar de agora em diante de "coisa" – e  sem aspas – as pessoas, empresas, instituições, objectos e o conjunto da clientela desta ideia. Apenas para simplificar raciocínios. Há a coisa, a imagem sobre a coisa (a fotografia no sentido mais abrangente do termo) e a imagem da coisa. Esta última interage com as outras duas estruturas, intertransformando-as. Sempre que preciso falar com alguém sobre este assunto, cito como exemplo a história da imagem construída do falecido político brasileiro de direita António Carlos Magalhães, baptizado espontaneamente pela mídia brasileira de Toninho Malvadeza. Sem se preocupar prioritariamente em esconder o seu passado, até porque isto não seria mesmo possível, foi mudando a sua imagem, realçando pontos flexíveis do seu carácter e se expondo à transformação. E colocando os feitos à frente do homem. Morreu como liberal, reconhecido por elementos de expressão da esquerda que anteriormente o criticaram, e por todo o povo da Bahia, sua região e celeiro político. O que pode nos levar até a pensar que, se alguns políticos – que nem o marketing político os salvaria – imitassem o ACM nos seus últimos anos de vida, o Brasil seria outro em pouco tempo. O marketing é uma ferramenta para ajudar na construção de uma imagem, mas o material vem da própria coisa e da história da coisa, fotografada e exposta, em transformação. Por isso até agora nenhum marketeiro vislumbrou candidatar-se à reabilitar a imagem do Pinochet e do Bin Laden. Ou já? Tudo o que sai na foto se revela tende a mudar, penso eu, ao contrário do que reza a convenção, de que a coisa se mexe e a fotografia é estática. Em marketing pessoal isto não é bem assim.
Uma fotografia bem focada (nos jornais ou na TV, por exemplo) de uma coisa má ou uma coisa feia (real), pode levar à construção uma boa imagem da coisa. Como? Se aos olhos dos outros  parecemos belos, belos nos tornamos. Essa transformação gradual vai obrigando a coisa a ser mais parecida com o que parece, se o que parece é bem melhor. Vai mudando a coisa a um ponto de ela necessitar parecer, aparentar, mostrar que está mudando, dinamicamente para melhor, para não ficar para trás. Ao contrário do que afirma o senso comum, trazer à tona as coisas más não as valoriza nas más influências que podem conter, mas pode significar influenciá-las e transformá-las. Os maus pontos da imagem, bem escolhidos e revelados fazem com que os bons pontos sejam editados em alto contraste, o que é positivo para ambas as coisas. As pessoas mudam, as coisas mudam, mas as fotografias e os filmes ficam, comprometem, exigem coerência, reforçam a construção da imagem dinâmica, no seu sentido mais amplo e contínuo.  Uma imagem que não  revela uma coisa apta a ser sempre melhorada  é como um edifício belo e abandonado. E uma imagem bem construída, assim como um edifício, para se manter bela tem que ser assistida constantemente, e não parecer uma coisa pronta e acabada.

É esta a lógica que faz com que um assessor de Comunicação e Imagem não discrimine um cliente com uma história particularmente incorrecta e difícil de ser contada. Na perspectiva de que o cliente sempre poderá melhorar um pouco se o assessor for competente e tiver sensibilidade e inspiração. Assim como um advogado de defesa ou um médico (muitas vezes em urgência), como acontece em tantas outras profissões de cariz humano, o assessor de Comunicação e Imagem também é um “salva-vidas”. A partir do momento em que você resolver construir ou reforçar a sua imagem, deve estar consciente de que entrou em um processo de transformação interior, de melhoramento como coisa, e que isto virá à tona.  Para isso deve lançar mão do que há de melhor em si para oferecer e informar. Sem esquecer do que aparentemente teria de ser esquecido, na sua história, quando no espelho se olha. Muitas vezes, os pontos negativos de uma história, quando assumidos positivamente podem revelar uma experiência humana a não ser repetida por quem a viveu ou por outras pessoas a quem a revelação pode ajudar.

Por que é que ultimamente está na moda as pessoas famosas irem à televisão e aos jornais e assumirem publicamente os seus defeitos crónicos de carácter, suas doenças-tabu e seus vícios? Simplesmente porque a negatividade dá audiência e porque a plateia é selvagem? Não! É porque tornam a coisa, na fotografia, mais humana e mais autêntica. Até o imaculado e claustro cantor Roberto Carlos, em subtil transformação desde a jovem-guarda rebelde, assume que sofre de transtorno bi-polar. Isto seria impensável há uns anos atrás. Mas assumido agora, isto também é bom para a imagem dele, sólida mas em constante evolução. Porque construir ou manter um edifício ou uma imagem, não é apenas fazer uma pintura nova o uma cirurgia plástica, ou, para os mais radicais, derrubar paredes para as fazer de novo, começar “nova vida” como dizem os amadores. É valorizar velhas e sólidas experiências – inclusive as de mudança – e reeditá-las, somando-as às novas. Informações verdadeiras, bem escolhidas, compiladas e divulgadas, que reforçam a imagem construída, tornando-a mais bonita, durável e resistente às adversidades. Quem contrata um especialista em imagem certamente não quer mudar apenas a imagem, e mesmo que só queira isso, não é só isso o que acontecerá.
 
Ana Lúcia Araújo
Operária em construção.

A platéia e a imagem do artista
 
No mundo do espectáculo também tudo muda, tudo evolui, tudo passa. Ou quase tudo. Diariamente se cria e se reinventa conteúdos, novos gêneros e formatos aparecem, novas modas vão e vêm. E o show continua porque ninguém é de ferro e mesmo os workaholics, os tesos e os mancos precisam soltar os ombros e descontrair vez por outra. Para actividades como por exemplo comida, bebida e lazer, não há tempo de todo ruim na economia ou na política. Quanto mais nas artes. Na abundância como na crise, na guerra como na paz, algumas coisas são fundamentais para que as pessoas se sintam vivas. Entretanto, no espectáculo como em todas as actividades humanas, há produtores e consumidores, balcão e clientela, há palco e há platéia. Um não existe sem o outro. É sobre platéias que comento esta semana, pois mesmo não havendo quem nunca tenha desempenhado uma vez que fosse esse papel, em qualquer lugar do mundo, em Portugal, ao contrário do que acontece no Brasil, ainda há pouco quem se importe com esta componente, no espectáculo diário da vida ou na elite do show business.
 
Desde que plantei o meu dia a dia em Portugal, após 27 anos anos de Brasil, passei a observar atentamente também as platéias portuguesas, na sua evolução, características, influências e comportamento, e nas mais diversas vertentes do espectáculo. Nem precisaria dizer que, para isso, além de observar de cima para baixo, tomei parte nos mais diversos tipos de platéia, desde a fila da frente de teatros tradicionais, até ao rush dos concertos de hip-hop. Directo pela televisão, gravadas e editadas, ao vivo nos teatros, nos coliseus e nas praças, platéias brasileiras, platéias portuguesas e daí também comecei a olhar outras platéias. Ser platéia é divertido, vicia e não é prejudicial à saúde. Mas é inevitável fazer comparações, nesse tipo de observação, mesmo sabendo que a cultura, a língua e até o clima interferem no comportamento das pessoas. Há o que não se pode mudar, mas há o que se pode e não se muda, por puro estrelismo de quem está acima de qualquer platéia, ou se considera assim, ou está tecnicamente mal habituado.
 
Vou me referir a dois ou três exemplos para comentar sobre platéias portuguesas. E começar pelas platéias televisivas dos programas realizados em directo ou gravados, e que disputam as maiores audiências, os programas de variedades, nas manhãs e tardes dos canais abertos. Se estivesse a analisar a qualidade dos apresentadores, as pautas, os entrevistados, a música, a realização e edição em directo, deveria fazer isso programa a programa, pois embora em formatos parecidos, há os diferenciais. Apresentadoras com voz de cana rachada e que cansam, como a Júlia da TVI, apresentadores que pensam que tem piada e exibem mais caras e bocas que conteúdo - não que não tenham, vejam bem - como o Rui Unas e o Nuno Eiró, cantoras pimba todas iguaiszinhas, metidas a pop fingindo dançar sobre tacões que não as deixam sair do sítio, e um avulso das bandas de axé, que enjoam com as suas letras estúpidas. O excesso de lágrimas nas entrevistas e o excesso de entrevistas com colegas entrevistadores e outros do mesmo canal. Mas há bons apresentadores, dinâmicos como Jorge Gabriel e Júlio Isidro, sagazes como Malato - com muito boas partners, em todos os sentidos - boas duplas que dão espectáculo de espontaneidade como a Rita Ferro e o Nuno Graciano, boas bandas de apoio, bons realizadores, boa produção. Esses programas evoluíram com o passar do tempo, para muito melhor. Interagem na medida com o jornalismo, utilizam bem os novos meios, promovem debates, satisfazem bem nos momentos cor-de-rosa.
 
O problema  continua a ser as platéias, quase sem excepções a considerar nos programas de auditório da televisão portuguesa. O que vejo em todos os canais é mais ou menos o mesmo: rapazes e raparigas, senhoras e senhores bem distribuídos no espaço e confortavelmente sentados. Alguns auditórios lembram mesmo uma sala de chá daquelas bem monótonas, cheias de clarões pelo meio na imagem. Pessoas impecávelmente bem comportadas, apesar de em alguns casos estarem sob orientação de um animador. Mal se mexem, mal riem, mal mexem as mãos para bater as palmas perfeitamente sincronizadas, sem o menor à vontade para uma gargalhada, um pulo para o ar ou um grito fora do esquadro. Não é raro ver-se nas platéias da televisão portuguesa as mulheres todas com as perninhas postas da mesma maneira. Ou de pé fazendo uma coreografiazinha sem graça. Os programas melhoram em tudo a cada dia, menos nas platéias. Nem o Fernando Rocha, o "senhor anedota" consegue um efeito de proximidade com a sua platéia enquanto distribui dinheiro no seu concurso. O distanciamento é mesmo uma regra bem visível entre artista e platéia, mesmo no caso das mais participativas. Para confirmar a regra, cito algumas excepções a este viciado "design": Um programa de auditório que já não existe e que era apresentado pelo actor João Baião, outro para crianças apresentado pela Ana Malhoa - dois dos melhores animadores de televisão que Portugal tem e que estão no momento a trabalhar em outra actividade. Outra excepção para a aconchegante platéia do programa A Revolta dos Pastéis de Natas. No mais a impressão que dá é que nem um "pum" é permitido. Nem com a platéia dos Gato Fedorento. Aqui vai quase uma excepção para as platéias do extinto Levanta-te e Ri, ainda comportadas a mais para o tipo de anedotas contadas.
 
Nos espectáculos musicais ao vivo passa-se o mesmo. Quer no palco esteja um rancho folclórico típicamente português, ou uma escola de samba de inspiração brasileira, quer esteja uma banda de death metal ou hip-hop, a descrição é a mesma. E há muito boas bandas em Portugal, de rock, pop, música afro e tantos outros gêneros. Habitualmente, no miolo junto ao isolamento do palco algumas pessoas dançam conforme a música e não mais. E entre o isolamento e o palco, na maioria dos casos, a distância funciona como um vácuo na interação com o público. No último concerto aberto em que fui, o vocalista desceu o palco e veio para a área isolada receber os cumprimentos do público, para quebrar o gêlo. Mas não foi capaz de pedir que cantassem qualquer coisa com ele. O palco altíssimo, e nem por isso a banda conseguia se dirigir às pessoas posicionadas ao fundo.  Recentemente fui assistir a um outro espectáculo aberto, com um artista que é autor de verdadeiros hinos, refrães conhecidíssimos que nunca deixam de tocar nas rádios. Ele é um daqueles ícones da canção portuguesa engajada com a revolução. Tomo-o como exemplo porque ele nunca sai de moda, inova em parcerias internacionais incríveis, cativa aos mais jovens, toda a gente sabe cantar as suas composições. Além do que é acompanhado por instrumentistas soberbos. Mas não consegue incendiar uma platéia. Durante a apresentação, observei atentamente a reacção das pessoas, todas de pé, com a letra na ponta da língua, mas cantando baixinho e mexendo timidamente a cabeça ou um pézinho, quando muito. Era um deus a cantar para devotos respeitosos. O artista, cujo nome não digo porque ele não é o único que não consegue temperar o público em Portugal - nem a Ivete Sangalo com o seu refrão (eca!) "puêra" consegue fazer um estádio todo tirar os pés do chão, em Portugal, como fez no Maracanã. Ele até fez algum esforço para entrosar-se com a assistência, mas a distância física também o intimidava.
 
Não sei se consegui diferenciar uma platéia portuguesa de uma brasileira em todas as suas nuances. A intenção aqui também não era esculachar ninguém, mas chamar a atenção dos produtores de televisão, de espectáculos e também dos artistas portugueses. Enfim, de quem está nos palcos da vida e por detrás desses. Para emitir a opinião que é minha, de que, mesmo em Portugal, nem sempre a culpa pelo problema da falta de entrosamento é da platéia. Quem se põe na frente de um palco para assistir a um espectáculo e ainda paga por isso, é porque acha que ali está alguém que é um pouco deus para si, que faz algo fora do comum. A platéia espera e anseia por receber estímulos para reagir. E os profissionais portugueses do espectáculo, que tanto aprenderam com os brasileiros e se referenciam neles no  campo da ficção televisiva, da publicidade e da música, deveriam realizar no Brasil estágios prolongados em termos de formação de platéias. Formar e estimular platéias é muito mais do que colocar diante delas um exército de animadores que mais parecem bombeiros, a puxar reacções ensaiadas e a conter espontaneidades. Procurem ver pelo Youtube uma determinada gama de shows ao vivo e programas de televisão produzidos nos dois países e observem o que eu vejo. Foi depois de ter assistido a um vídeo com os Skank, uma banda pop brasileira diante de uma platéia numerosa e enlouquecida, cantando "Três Lados", que resolvi escrever sobre este lado: a platéia. Não vi nenhum show dos Skank em Portugal, mas vou procurar as imagens e aposto com vocês se alguma ganha desta que vos mostro no link abaixo. Divirtam-se.
http://www.youtube.com/watch?v=VsgGdRJQFHg
 
Ana Lúcia Araújo
Na platéia das platéias

O que o Green Peace tem que a esquerda brasileira não tem?
Comentando o plebiscito da Vale.

Quase ao mesmo tempo em que acontecia no Brasil o plebiscito nacional sobre a anulação do leilão, notoriamente ilegal, em que foi privatizada a companhia mineradora Vale do Rio Doce há 10 anos, o Green Peace realizava em Botafogo, no Rio, um protesto cujo tema nem chamava muito a atenção, perto da importância da discussão em torno da Vale. Mas ao contrário do que aconteceu com o plebiscito, o protesto dos verdes ganhou as páginas da grande imprensa brasileira e repercutiu no resto do mundo, muito mais porque o Green Peace foi corrido a gás lacrimogênico. O que faltou acontecer na campanha do plebiscito - pelo NÃO ou pelo SIM, para chamar a atenção, por exemplo, do O Globo? Se até as perguntas estavam direccionadas para um não sonoro e sintonizada com um pretenso  sentimento negativo nacional?! Se até foram incluídas questões locais no questionário - um achado em termos de idéia. Faltou incêndio? A esquerda brasileira, que liderou o plebiscito e a campanha, terá se endireitado?
 
A questão mais importante nem é esta, mas vale a pena pensar. Se a esquerda brasileira tivesse endireitado,  era suposto os movimentos coordenados por esta terem passsado a constar no menu obrigatório da pauta do O Globo, um jornal burguês. Então não se endireitou nada, ficou foi monótona nos seus formatos de campanha. Quando era incendiária nos protestos, a esquerda precisava da imprensa engajada para propagar os seus interesses. Agora que os protestos são pacíficos, continua na mesma. Ou nada disso, só estou a raciocinar. Portanto, será porque os verdes são chatos e incomodam muita gente que são corridos e chamam a atenção da imprensa, ou porque aparentam não ligar nenhuma a isto?  Porque têm uma causa mais justa ou mais popular,  à direita ou à esquerda, ou é por tudo isso e mais alguma coisa? Estou apenas estudando o assunto, mas acho que tem a ver com o "discurso" prático, com o foco dado às causas e aos interesses. Se o leilão que vendeu a Vale foi ilegal, se a sangria das riquezas brasileiras atingiu grande fluxo a partir desta desastrosa privatização, se nem os interesses actuais do Governo Federal foi capaz de impedir a realização do plebiscito, se a participação foi recorde, o que faltou para que a ainda chamada grande imprensa - pela própria esquerda - fosse obrigada a acompanhar? Faltou que os leitores pedissem isso, lá do fundo do seu anonimato. As secções do leitor ganham cada vez mais importância e interatividade com as pautas dos chamados grandes jornais. Não subestimemos os foros de leitores.
 
Artista sem fã-clube não se mantém na media. Cada vez mais ganha importância no cenário da informação globalizada a sociedade civil "desorganizada", que precisa ser trabalhada na sua espontaneidade individual, com a mesma importância com que os coletivos que representam os interesses sociais são mobilizados pela esquerda. A informação espontânea é a maior fomentadora de media espontânea, maior aliada ainda de conceitos já quase ultrapassados como "comunicação de massa", "formadores de opinião" e outros tantos que se transfomaram em meros chavões diante de outros já bem experimentados na vida diária, como os "multiplicadores de opinião", "grupos de interesse", etc. Formador de opinião, nem o Caetano Veloso quer ser mais. Este Caetano sempre se superando. Chorar o desinteresse da media no site www.avaleenossa.org.br é pecado mortal para a causa. Criticar o Lula, heróico sobrevivente dos escândalos governamentais, campeão de opinião, por ele ter falado que o PT apoiou o plebiscito para fazer média foi mau negócio. Em campanha, isto deveria ter sido capitalizado como um elogio à causa. São pequenos gestos que podem promover ou despromover uma causa junto da opinião dos grupos de interesse, compostos por pessoas que frequentam foros na internet e que se ocupam regularmente de escrever para a imprensa de alcance nacional, para criticar, enviar pauta, dar sugestões, xingar... e que se recusam, na prática, ao papel de formandos em opinião. Por falar no site A Vale é Nossa, acho que é objectivo, contém o essencial, mas não tem um apelo informativo aos jovens, aos adolescentes e às crianças. Um apelo aos que não votam ainda, mas multiplicam informação e sabem bem o significado de um roubo. O rosto do site quase lembra os visual da campanha "O Petróleo é Nosso" de tão anacrónico. E a imagem de cabeçalho invocando apenas mais um protesto.
 
A mobilização pela internet foi positiva. E ao fim e ao cabo foi esta media a que mais puxou a numerosa participação no plebiscito. Agora é preciso que também seja aproveitada para sensibilizar os poderes quando da entrega do resultado ao presidente Lula e no desenrolar do assunto. Então, porque continuar chorando o desinteresse da grande imprensa? Os leitores que escreveram para os foros de leitores dos jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo - e que ainda circulam em todo o território nacional - aplaudindo o tiroteio ao trem cheio de ministros, no Rio, não foram tolhidos, nem ignorados, nem censurados nos seus interesses. E o próprio O Globo não pôde deixar de lado o assunto e até enfatizou-o bastante. Esses leitores não precisam de sugerir em artigos bem escritos que é preciso uma imprensa "de esquerda" para fazer frente à "imprensa burguesa" e incentivar jornais como O Brasil de Facto - que tem a sua importância na história das causas populares e da esquerda, mas nunca serão o suficiente para divulgar em um país tão grande o que quer que seja. "Massificar" uma causa, para usar mais um termo ultrapassado, requer mais do que afinar um discurso entre lideranças e estabelecer uma linha de campanha. Num mundo visto de todo lado pelas imagens, é preciso regular o foco. Mais importante é explicar a fraude do leilão na ótica das leis vigentes, e menos explicar os intereses tucanos na altura. O desgaste da figura do FHC - já ex-presidente do Brasil - agora, pode ser mau para o futuro dos tucanos e aliados, mas é insuficiente para explicar o facto em si, o facto reversível, o famoso leilão.
 
Voltando ao Green Peace, o que eles tem que a esquerda brasileira não tem? Invertendo a pergunta, o que os verdes não tem e que a esquerda brasileira tem de sobra? Lavam demasiada roupa suja em público, deixam sempre transparecer demasiado as divergências antes de afinarem o discurso - as divergências são salutares, desde que não denotem interesses demasiado próprios de alguém. O acúmulo desta prática vai desgastando as causas comuns. E por falar em causas comuns, muita atenção a este apelo da reestatização. Eu sou a favor da anulação do leilão fraudulento, e como operacional do marketing político ouso me posicionar. Mas reestatizar uma empresa rentável para que ela passe a ser gerida por um governo impregnado pela idéia da corrupção? Coloco-me no lugar da  brasileira, leitora, cidadã participativa que não vai em qualquer conversa, internauta e multiplicadora de opinião. Não confio que o actual governo gerisse bem a Vale do Rio Doce. A ainda superestimada grande imprensa já não esconde os actos corruptos dos governos - deveria esconder para que o discurso da reestatização pegasse? Se calhar daria jeito. Mas não. Tudo o que é gritante está na grande imprensa, na pequena imprensa, na internet, na cabeça do cidadão ex-alienado.  Deixem-me "viajar" um pouco, eu que não dependo do O Globo para opinar, muito pelo contrário:
 
E se a idéia fosse transformar a Vale do Rio Doce em uma sociedade aberta à participação dos cidadãos? Uma empresa gerida pelos brasileiros e que o Estado apenas a regulasse? Bem explicado isso, não faltaria quem escrevesse para os jornais todos esmiuçando, especulando, forçando as pautas. Alguém falou durante a campanha sobre um novo modelo possível de estatização, mas foi pouco. Mal acabou o plebiscito, o resultado nem foi entregue ao Presidente Lula e já estou a pensar num futuro possível para a Vale. E não devo ser a única. Penso que seria muito bom para o Brasil se a empresa fosse nacionalizada, mas com Oferta Pública de Acções, percentagem de participação estrangeira regulada em quotas não limitadas ao mínimo, mas com limite máximo regulado por aquisição. Não sou economista nem creio estar falando de alguma novidade. É um pensamento positivo pós-plebiscito que sugere confiança no futuro e pode incentivar decisões. Reestatização, para além de ser um termo carrancudo, é uma solução discutível.
 
Ana Lúcia Araújo
No papel de marketeira e multiplicadora do NÃO

Thesaurus Editora

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A 'novela' Amazônia depois de Chico Mendes continua...
 
Do jornalista Pedro César Batista

Síntese: O livro Marcha Interrompida, de Pedro César Batista relata um episódio representativo da 'marcha' de uma região e de um país. O desfecho deste episódio, conhecido como o Massacre do Eldorado do Carajás, que completou 11 anos, feriu um país em pleno desenvolvimento económico e em condição democrática recém-reconquistada. A ferida está situada na Amazónia, entre outras tantas da mesma natureza que frequentemente se reabrem em diferentes pontos, dizimando pessoas, famílias, comunidades. É preciso que seja mostrada ao mundo em todas as línguas possíveis, a partir do interesse de Organizações Não Governamentais vocacionadas para a defesa dos direitos humanos e apoio às vítimas de injustiça. Isto para que outros episódios semelhantes não venham a suceder, ou caso sucedam, os responsáveis sejam denunciados e punidos. É preciso que sejam reparados os danos que esta ferida deixou na história das pessoas e famílias que a viveram directamente. O livro Marcha Interrompida, conforme está contado, propõe não apenas reabrí-la por si, mas fazê-la sarar, fazendo-a conhecida por todo o mundo. 

 Maddie. Se estás vivas, que algo providencie para que apareças, sejas libertada, revelada. Se estás morta e tens acesso ao que se passa entre nós, ajuda os bons a estabelecerem a verdade. O mais rápido possível. Apelo a ti, que suponho, viva ou morta esteja em um mundo que não é o nosso, o dos espíritos e das crianças. Pois custa tanto crer, que toda a invasão de toda a privacidade, de todos quantos são alvo de interesse, que toda a curiosidade não sirva para se chegar a algo tão simples, tão universal, tão antigo, a verdade. A verdade ainda existe? Ou também é relativa como tudo? Bendita fosse curiosidade mórbida do paparazzi que invadisse a privacidade do criminoso e nos revelasse a verdade. Sei que todos os factos possuem a sua aparência, sua “verdade” ficcional, interpretada, autónoma, a sua superfície. Um facto contado nunca será o facto ocorrido. Mas a verdade, no caso do teu desaparecimento, Maddie, é uma só, a que perseguimos, a que esperamos, a que queremos conhecer, a que não conseguimos atingir, apesar de tantos ensaios de verdade que fazemos todos os dias quando ligamos no telejornal.

Em torno do teu episódio nesta vida, e da tua procura, acontecem disputas, questões de afirmação, problemas de sobrevivência humana extremos, descompasso entre os poderes. Há quem conheça a verdade e esteja sob a mordaça da lei, há quem não saiba e a queira desvendar, há disparidades entre interpretações de quem tenta juntar informações e arrumar um puzzle. Quem pensa, formula. Quanto menos se sabe mais se especula, mais se erra e se influencia erradamente as opiniões. Quanto menos se sabe, mais a verdade está protegida. Com quem está a verdade? Dependendo da resposta, pode não ser justo proteger a verdade. Não nos poupe, Maddie. Como sonho que a viragem dos últimos dias, neste início de Setembro, que aponta tudo contra os teus pais, Maddie, seja uma manobra conjunta entre as polícias inglesa e portuguesa, para distrair o raptor, para que ele se descuide e apareça, seguro de que o mundo segue a pista errada. Até o Vaticano retirou o caso do site, após o papa ter recebido os teus pais em ocasião especial, num esforço extraordinário das relações exteriores do governo inglês! Os teus pais são assassinos ou protegem alguém? A pista do rapto foi abandonada e o raptor relaxa. Seria tão bom, Maddie! Especular também é buscar a verdade e sonhar com a melhor das verdades. Maddie, você viva, sendo resgatada, como num final feliz de sequestro no Rio de Janeiro ou em São Paulo… provando que a humanidade ainda é algo mais do que um conceito.

Perguntas, que é o que nos resta. Como é possível que a probabilidade de rapto tenha sido quase totalmente abandonada? Aos olhos e ouvidos do público, foram. Mas na verdade não foram. Para isso seria preciso haver certezas, pontos fixos de certeza a serem ligados. E se existem queremos saber. E se essas certezas parciais chegam de maneira torta até ao conhecimento dos que se perguntam diariamente onde está a menina, é porque foram sonegados, ainda que com a melhor das intenções, a de preservar as investigações. Interessante que a Comunicação Social seja tão questionada, contraditoriamente, depois de ter sido usada por todos os actores do caso, e bem usada. Os pais constataram o desaparecimento da criança deram o alarme, a Praia da Luz soube, Portugal e a Inglaterra souberam, o mundo soube. A imprensa foi utilizada para isso. E agora as perguntas que todas as pessoas do mundo fazem – que têm de longe volume bem maior do que as da imprensa, debaixo da censura da lei, mas obrigada a especular em nome do compromisso com o público – são minimizadas como disparates ditos por figurantes no set de gravação de um filme de suspense. Parece haver uma defasagem nas leis quanto a uma verdade inquestionável: vivemos a era da comunicação instantânea, da informação dinâmica, das avaliações rápidas, das formulações precipitadas e exigentes, da interactividade. E a imprensa, mediador da informação liberada e da verdade confirmada, altar da imparcialidade, encontra-se sob o risco de ser ultrapassada pelas pessoas, como público, cidadão, ou outra classificação qualquer. A confusão parece estar em que o público reage mais rápido, questiona mais rápido, quer respostas eficazes, e exige da imprensa que esta seja mais ágil na busca da verdade e exija mais velocidade da justiça. Aí parece estar o problema: a justiça subestima a interactividade. No caso do desaparecimento de Maddie, como em outros, a justiça não ganha novos motores. A cautela justifica os atrasos, o mau funcionamento, a ineficiência e a lerdeza, inclusive em informar? Na falta de respostas, mais perguntas se produzem e se confundem. Estamos em um vácuo informativo, onde a imprensa parece se encontrar no mesmo nível do público em questionamento, quando deveria estar alguns níveis acima. Reduzida a fingir que é espectadora da justiça a imprensa interpreta e informa verdades pontuais, que se cruzam com as questões do grande público. É por isso que a imprensa dita sensacionalista continua a contar a história das sociedades, nas suas entrelinhas. “Não sabemos tudo… sabemos mais do que podemos dizer… “ são impressões trocadas entre jornalistas e fontes especializadas. A imprensa me está a esconder alguma coisa, parece saber mais do que diz e ainda afirma isso. Refém da justiça, cúmplice involuntária do culpado e causadora da nossa ansiedade em nome dos segredos de justiça. A verdade provada é necessária, devemos ser pacientes, mas há limites. Qualquer dia crio um jornal pessoal e vou investigar os segredos de imprensa. Era o que faltava…

A justiça é cautelosa ou é mesmo lenta na disponibilização da verdade? Posso perguntar o que quiser. Não acompanha o nível do interesse do público (cidadão) de hoje? Sim, pois vamos lembrar de que as pessoas quando são exigentes, questionadoras e até invasivas, são classificadas como público. Quando são ponderadas e confiantes na justiça, são caracterizadas como cidadãos. E a imprensa?! Se anda rápido demais, especula e divulga informação não liberada é irresponsável, manipuladora. Se demora a satisfazer a curiosidade do público, é conciliadora e sonegadora da verdade. Vai entender a imparcialidade. Alguém ainda consegue lembrar quem inventou esta balela semântica? Queremos a verdade, ou muitas verdades por dia até chegarmos a final. Que a imprensa nos represente nesta busca incessante e diária, que pulse connosco em todos os questionamentos que fazemos em casa, nas esquinas e nos cafés, que leve até a justiça a nossa sede de saber. Será, Maddie, que só mesmo tu sabes onde estás? Impossível. Nós, o público, somos culpados pela nossa famigerada curiosidade, a imprensa é culpada por tentar satisfazê-la, errando ou exagerando muitas vezes. Os teus pais, arguidos por uma justiça que não nos explica os porquês, comos e porondes. A polícia, a justiça e as leis são culpadas por serem lentas demais, perto da nossa velocidade. E o verdadeiro culpado? O que te raptou ou te matou? Queria ser um paparazzi virtual, interactivo, uma mosquinha, para invadir os espaços interditos onde estão escondidas as verdades. E te resgatar.


Ana Lúcia Araújo
A media no público

 

Portugal e Brasil revêem o percurso histórico em uma arriscada expedição.

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 A serra que emocionou Vieira

Faz agora um ano e meio que o professor Abreu Freire me falou da sua intenção de refazer o percurso histórico do Padre António Vieira em um pequeno barco a velas. Embora eu soubesse que ele é um especialista no jesuíta já há bastantes anos e um navegador provado, achei aquilo na altura uma ideia suicida. Pelos riscos que a navegação oceânica impõe, pelos 64 anos do professor, pelo tamanho do barco e não só. Da minha parte pelo pouco tempo que teríamos para “produzir” a aventura. O tempo de preparação era pouco, não haveria como obtermos todos os apoios oficiais necessários, aqui, no porto de partida, Portugal. Já teríamos que começar “navegando contra corrente”, apostando que a importância do tema suplantaria as maiores dificuldades. E não estava enganada. Quanto mais importante e sensível à história é o tema, mais tempo de análise os apoios em papel (referências oficiais) necessitam. Nem 400 Anos depois Vieira é uma unanimidade. Nem sequer entrou na eleição do maior português de todos os tempos! Quem somos nós? Se os primeiros patrocinadores tivessem exigido à partida uma capacitação documentada para o mecenato, certamente teríamos que esperar para produzir um Vieira 401 ou 402. Decidimos não ir por aí, não perder mais tempo e “pescar” os apoios oficiais possíveis pelo caminho.

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Professor Abreu Freire com Ariano Suassuna no PE

A sensação de que havia me metido numa empreitada suicida, de facto, se acentuou, mal o barco passou a barra de Aveiro. A linha telefónica por satélite Iridium começou a falhar e eu fiquei exactamente quatro dias sem sinal nenhum, com Cabo Verde definido no roteiro como próxima escala e as tempestades de Inverno nas notícias dos telejornais portugueses. Eu a pesquisar Cabo Verde, a ler os jornais, a preparar a media com o apoio da Comunicação e Imagem da Universidade de Aveiro, mas com o coração na boca. Estariam mais ou menos a passar a Ilha da Madeira na altura daquelas tempestades, e foi para onde eles fugiram para se proteger. Ainda por cima tinha voltado a ler as aventuras de navegação de Geraldo Tollens Linck, o experimentado navegador que desapareceu no mar com o seu barco. Na Madeira se refugiaram, mas apanharam com outra tempestade que castigava o mar próximo da ilha. Refugiados, tiveram que remendar a vela principal. Enfim o telefone tocou e o Prof. Abreu Freire me disse: - O CHIC é uma prancha de surf, quanto mais apanha, mais “voa”… batemos com certeza um recorde entre Aveiro e Madeira! A sensação de suicídio eminente passou na hora. O barco passara no teste. No Diário de Bordo está relatado, entre outras cenas, a do assalto ao barco por piratas armados na Cidade da Praia, em Cabo Verde. Nesta altura, a adrenalina já nos patrocinava. Era remendar de novo a vela, consertar o leme quebrado, resolver as surpresas financeiras e seguir, pois dali até a próxima escala, Salvador da Bahia, seria um passeio. Quando virem o site, não deixem de ver o vídeo que mostra a passagem pela “linha” do Equador. Impagável Luís Costa, o nosso realizador português de cinema. Até uma linha ele arrumou. Bom de câmera e de leme.

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 CHIC Photo Release

Voltando ao princípio. Enquanto eu pensava no assunto, e decidia se me metia ou não ao barulho com esta expedição, o professor entrava em entendimento com o proprietário do veleiro sueco CHIC HOVICK para termos o barco sem de imediato desembolsarmos muito em cash. Mas como a preparação de uma viagem desse porte e o trabalho de investigação que o tema envolve custa sempre dinheiro, o professor resolveu pedir apoio ao futuro editor do livro da expedição, a Gráfica Coimbra 2 Publicações. Por indicação de conhecidos em comum fomos levados até esta que viria a ser, para além de editora exclusiva em língua portuguesa, o nosso principal financiador. A adesão da GC2 aconteceu quase ao mesmo tempo que a do Departamento de Ciências da Educação da Universidade de Aveiro, em Portugal, que se atreveu a incluir a nossa aventura em um programa de mestrado. E após muita discussão, muitas divergências entre todos, já que toda a gente pensava um pouco de tudo no início, muita pechincha nas compras estritamente obrigatórias, alguns adiamentos e muitos nervos, o barco partiu de Aveiro, no dia 17 de Março. Vejam o vídeo da partida. Eu, que era cogitada desde o início para integrar a tripulação, tendo em conta as minhas poucas e boas experiências nas viagens marítimas e nas criações para cinema e televisão… tive que ficar em terra, de BackOffice e muito, mas muito mais mesmo. Desde Março tenho sido o fio terra da história, a ligação com o editor/patrocinador, com a UA no que toca a actualização diária do site, com os prováveis patrocinadores em Portugal e no Brasil, acompanhando e apoiando a agenda durante as escalas, intervindo na divulgação e procurando responder rápido a qualquer emergência de produção. Produção. Esta nem é a minha “praia” como dizem os cariocas. Eu deveria estar no local de gravação, o barco… e na divulgação, quando muito. Mas como diz a música do Pedro Abrunhosa, eu estou aqui. E a expedição marítima comemorativa dos 400 Anos do Nascimento do Pe. António Vieira é agora um projecto de dimensão bi-nacional (Portugal/Brasil)  e está no Maranhão, onde irá registrar mais algumas referências a esta importante personagem da história dos dois países. Não entraram milhares de Euros na conta, embora ela esteja divulgada no site, nem milhares de Reais. Mas entraram apoios preciosos que em determinados momentos definiram a continuidade da viagem. O veleiro está agora em São Luís, convocando através da imprensa regional os grupos e pessoas relacionadas com o teatro, música, cinema e cultura popular local, a participar nas gravações do documentário. Neste exacto momento o veleiro está na Ponta da Areia. Bendita comunicação instantânea que Vieira não tinha, mas nós a temos.

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 CHIC no Equador

O CHIC HOWICK, de 14 metros, largou de Portugal em Março, fez escala técnica na ilha da Madeira, ficou 15 dias em Cabo Verde, fez breve escala em Fernando de Noronha, chegou a Salvador onde permaneceu por quase três meses, esteve três semanas em Recife, quase duas no Ceará, chegou a São Luís do Maranhão e de lá irá ao Pará e ao Tocantins. O percurso brasileiro durará até ao final de Setembro, antes do retorno a Portugal, pelos Açores ou pelas Caraíbas a depender do tempo. Depois virá a etapa conclusiva, Itália, França e Holanda. No site www.ua.pt/vieira2008 indo para o link Cruzeiro Histórico, estão todas as informações sobre o Roteiro Marítimo, Diário de Bordo, Notícias que saíram na imprensa, Vídeos e Fotografias, assim como todas as explicações sobre o tema e o funcionamento da expedição, para quem quiser acompanhar diariamente, de qualquer lugar do planeta e apoiar o projecto. O site oficial, hospedado no portal da Universidade de Aveiro (Portugal) bate recordes de visitação diária pelos internautas que acompanham a aventura. O livro terá uma edição especial para o Brasil, com destaque para cada etapa do roteiro. O resultado desta expedição, entre outros, será editado em livro e DVD, em exposições itinerantes, palestras, e já se fala na edição de um livro em quadradinhos (banda desenhada) sobre o Pe. António Vieira, produzido como apoio da tripulação do Cruzeiro Histórico. A tripulação é formada por um professor universitário português (Prof. Abreu Freire, pesquisador e comandante), um engenheiro sueco e dois cineastas. E mais pessoas que são convidadas a embarcar durante a viagem e que se revezam. Por onde vai, a tripulação contacta empresas e instituições portuguesas com interesses e representação locais, assim como as instituições ligadas aos governos e a cultura local, tanto no sentido obter apoio para a viagem como de realizar intercâmbio informativo sobre o tema. O documentário e o livro deverão estar prontos no início de 2008.

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 Salão do CHIC

Em Salvador, onde o Padre António Vieira viveu 42 anos e onde a expedição fez a escala mais demorada, obtivemos o apoio da Câmara Portuguesa de Comércio do Brasil – Bahia, que se desdobrou em outros apoios importantes, e que trarão outros mais até ao final de Outubro. O intitulado Cruzeiro Histórico Identidade e Cidadania partiu de Portugal com o incentivo inicial do proprietário do veleiro sueco e do Prof. Abreu Freire, com o apoio tecnológico e científico da Universidade de Aveiro, recursos técnicos audiovisuais do Cineclube de Avanca e o incentivo financeiro dos futuros editores do livro, a Gráfica de Coimbra 2 Publicações. Trata-se portanto de um projecto de baixo orçamento, que necessita ainda do apoio e participação dos admiradores do Padre António Vieira em todo o mundo. A partir do Maranhão, iniciamos uma mini campanha para obter um patrocínio extraordinário: UMA VELA NOVA PARA VIEIRA. Isto visando a travessia de retorno à Europa, que é muito mais difícil e demorada que a ida para o Brasil, e sem muitas possibilidades de escala. No site oficial, através do link www.ua.pt/vieira2008/PageImage.aspx?id=5631 já se pode ver quem apoia esta expedição no Brasil e em Portugal, assim como os contactos para todos os assuntos relacionados com o projecto. O e-mail de bordo é o: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e o telefone por satélite 0088 1631543734.

 

Esta semana vou escrever algo sobre a violência, este ente a quem já fazemos concessões, até um determinado ponto de normalidade. Normalidade? Bem, a Violência é um nome próprio já a bastante tempo. Já habituamos a ela as nossas reacções e o nosso discurso. No Rio de Janeiro – apenas para utilizar um exemplo de grande cidade onde ela se encontra instalada – todos, das lideranças políticas e empresariais até ao cidadão mais jovem, já se encontram no campo da autodefesa contra ela. Um brasileiro já nasce se defendendo, já nasce esperto, desde que nasce nunca mais dorme com os dois olhos de um vez. Tem o seu charme. Vista de fora, a violência até já tem um certo charme e oferece uma dose exótica de adrenalina. Nunca consegui ouvir, de um europeu jovem – e converso sempre sobre o Brasil com muita gente – que não iria ao Brasil por causa da violência, de que sabem pela imprensa e pela Internet. Abaixo dos 40, o fascínio pelo Brasil é quase uma unanimidade, mesmo para aqueles que já estiveram indirectamente envolvidos em algum episódio violento, através de um amigo ou parente. Que seria de New York sem os guetos e a violência que alimenta a temática dos filmes?

A violência já faz parte da paisagem brasileira, é uma constatação. A imagem negativa criada pelo noticiário afasta o investimento estrangeiro – em algumas áreas, noutras muito pelo contrário. A violência cresce e se afirma porque há quem ganhe muito com ela. Não se explica em si mesma, não se justifica o descaso em preveni-la e puni-la, mas já faz parte. Povo e governo, bandidos e vítimas, todos a consideram como da família. Dela ninguém se afasta, ninguém foge, a não ser quando o sangue já derrama. Os indignados, as vítimas, os conscientes e engajados se organizam e protestam contra ela, de maneira repetitiva, durante anos. Soltam pombas em manifestações na orla, fazem performances em sacos pretos, destroem montanhas de armas com rolo compressor, criam fantochadas no estilo “Cansei” e isto tem sido válido apenas para que fique claro que a opinião das pessoas é que preferem a paz, viver sem medo, ir e vir livremente, ser bem governadas e bem servidas porque pagam impostos para isso. E votam. Aquilo que todo mundo já sabe bem sabido. As manifestações não apontam caminhos claros, nem novas soluções. E no vácuo desta falta de ideias e acções surgem as milícias, contra as quais também se protesta. Protesto contra os protestos. Cansei dos protestos. Quando alguém protesta, é suposto haver alguém com poder para resolver a nossa causa, alguém que nos verá e será sensível. Se não há, havemos de encontrar maior utilidade para a nossa indignação.

A esquerda brasileira, as instituições humanitárias, a sociedade civil organizada e os simpatizantes das vítimas, tentando ser bem abrangente, têm liderado ano após ano os protestos contra a violência, fomentado estudos que foram postos em prática em raras excepções e isto tanto estando na oposição como estando no poder. A esquerda brasileira em geral e a maioria das pessoas de expressão da esquerda, seus líderes e carismáticos, têm arrastado, ao longo dos anos, toda a discussão sobre a violência para o campo da justificação do crime pelo social. Como se explicar o crime como problema social bastasse e justificasse a incapacidade de combater e controlar a violência instalada. Aquela que atinge os nossos e que não tem charme nenhum. Que mata mais pobres que ricos, que é o principal assunto em todos os jornais – nos sanguinários e agora nos grandes jornais também – que vai além dos episódios emblemáticos que geram mais protestos. A violência, que é crime e não é problema social. A violência que existe porque homens e mulheres violentas estão soltos nas ruas, respaldados por um passado de carências e de falta de oportunidade. E como está demorando a reversão desta mentalidade que se enraizou, pela qual todas as pessoas, com passado de dificuldades, são candidatos a bandido.

Até quando os protestos irão nos consolar a consciência e pronto? Até quando o Rio de Janeiro e o Brasil vão viver de campanhas, movimentos, e de assistir os famosos na TV apelando à “pais”? Não sei, mas como não se perde o vício de um dia para o outro, quero protestar – daqui do meu observatório actual, numa pacata aldeia portuguesa onde os tractores na época da colheita também são violentos, morta de saudade do Rio de Janeiro, mas com um sentimento misto de fascínio e medo – contra uma coisa que li no Globo Online outro dia, salvo engano uma notícia sobre a criação de uma espécie de “bolsa-família” relacionada com a delinquência, anunciada pelo presidente Lula. Não me confundam com ninguém do ruidoso bloco que protesta sobre tudo o que é relacionado com o Lula, eu nem estive no Brasil na abertura dos jogos Pan-americanos. Mas queria sugerir que este assunto de “bolsa-delinquente” – assim se deveria mesmo chamar, se viesse mesmo a existir – fosse discutido até a exaustão. Eu entro neste debate pois não percebi ainda quase nada do que isto será, mas já tenho medo destes programas sociais que servem para abrir precedentes a pessoas violentas. Tenho medo porque sei que as máfias pagam bem melhor do que o Estado. E se enquanto esses programas sociais se desenvolvem, os criminosos ficam soltos a competir livremente com o Estado, os preventores darão com os burros n’água. Gente violenta tem que ser presa. Chega desse marasmo burocrático respaldado na ideia de se “fazer” justiça, de “punir”, de fazer bandido pagar uma “pena justa”. Chega de precedentes para dar tempo à violência para que ela se instale. No Rio de Janeiro, ela já está bem instalada, na sua paisagem cinco estrelas. Tem nome próprio e charme, não como em New York, onde as polícias também competem com o seu charme, e não só nos filmes. Acho bem que todos os bandidos acabem por ir aos tribunais, para serem julgados e condenados. Sou contra a pena de morte, pois perto de uma prisão a sério, morte não é pena, é alívio. Bandido tem que ser preso, não só para “pagar pelo que fez”, mas principalmente para sair das ruas, para não sair pela cidade repetindo os mesmos crimes, reproduzindo a violência, espalhando o medo, pondo em risco a população. Criminoso com antecedente deve esperar julgamento preso, sem prerrogativa. Isto tem que ser feito para se combater eficazmente a violência instalada. E isso nada tem a ver com programas de prevenção à delinquência, não anula a ideia dos tais programas, dependendo de quais sejam e de como sejam executados. Delinquentes ou bandidos, todos tem direito à recuperação, ao arrependimento, à conversão religiosa, à aprender a coreografia do Michael Jackson… mas presos.

Pessoas violentas também têm direito à cura, à saúde, à formação, ao trabalho, a se tornarem produtivas para não servirem apenas como item de despesa ao Estado – têm direitos e obrigações, diga-se – mas dentro da cadeia, até ao fim da pena, sem bónus. Programas de recuperação que possuam brechas que sirvam para financiar a manutenção da violência e que criem precedentes para criminosos andarem à solta, não recuperam ninguém. A violência existe porque há pessoas violentas. As leis não mudam porque as pessoas que escrevem as leis, que as aprovam e as executam, ainda estão preocupadas a mais em justificar socialmente os crimes e a menos em produzir leis severas. O Brasil não prende ou não mantém na cadeia a maioria dos seus criminosos. E a violência existe porque o Estado, que não tem nem como controlar o espaço público pacífico, quer controlar as prisões, que são castelos de muitas máfias. Porque o Governo privatiza tudo no país, mas não privatiza as prisões. A Violência existe porque A Lei é fria e os protestos são mornos.
A Paz seja convosco!        

Esta primeira crónica fica como apresentação para os leitores do O Rebate. A partir desta edição vou lhes mandar notícias do lado de cá do Atlântico, preferencialmente de Portugal, mas poderá ser de qualquer lugar desta minha pequena grande casa, o planeta Terra, pois eu tenho fases em que ando mais do que as más notícias. Isto até eu me tornar mais uma entre os excêntricos semanais ganhadores do Euromilhões e comprar uma viagem ao espaço. Já lhes explico, a quem não sabe o que isto é – não a viagem ao espaço, mas o Euromilhões. Vou procurar escrever sobre coisas que podem interessar ou impressionar pessoas fora de onde vivem, preferencialmente sobre o que interessa aos brasileiros em Portugal e aos portugueses no Brasil, sobre coisas que podem nos tocar a todos, longe do lugar onde estamos e aonde queremos ir.

O José Milbs me achou no Orkut, me propôs, eu gostei do O Rebate, foi amor ao primeiro click. O Orkut fez, já em pouco mais de 4 meses, vários milagres – encontrei amizades há muito perdidas nos lugares longínquos da minha infância – e me proporcionou novas amizades que sei que ficarão para o resto desta minha vida. Como o Milbs me falou que o tema é livre, não resisti. Liberdade é uma palavra mágica, espero que não se chateiem se eu escrever sobre alguma coisa que de imediato não sirva para nada. Música, cinema, publicidade, telenovelas, comportamento, política. Nada como poder meter o bedelho em tudo. Eu amo o Rio de Janeiro, embora tenha nascido e vivido metade do meu tempo no Pará. E O Rebate fica sendo agora um link com todos os amigos brasileiros interessados pelo que se passa fora da confusa maravilha em que vivem, e com todos os que desejam, com eu, sempre, estar, por um dia mais que seja, na paisagem do Rio. O Brasil tem outras paisagens, mais cada qual por cada qual e eu sou pelo Rio. Espero que não se aborreçam com o meu português misturado, com os escorregões à portuguesa, gírias africanas, amazónicas e vícios brasileiros. E nem com os termos em inglês, sem aspas. Espero que este seja um espaço sem preconceitos de língua, como o meu canal no Youtube (www.youtube.com/youtugamusic) que os convido a visitar e a deixar um recadinho.

Se apanharem alguma gafe gritante, mandem vir que lhes garanto não esquecer mais. E qualquer dúvida sobre algum termo que não conheçam, me divertirei em tentar explicar. Não aprendi a escrever decorando regras gramaticais – embora as tenha estudado, não sou muito de aprender com as regras – mas lendo, escrevendo, conhecendo gente que fala português vinda de todo o planeta, afinando o ouvido para as pronúncias locais e observando calões regionais e provérbios… e ainda não vou nem a meio. Ô língua complicada e fascinante, que nunca mais se unifica, porque é falada por gente de ambientes tão diferentes, que uma unificação nas regras seria como tentar cozinhar um dicionário em uma panela à pressão. Em Portugal, um pequeno país onde toca mais música estrangeira nas rádios que no Brasil e os filmes são apenas legendados – graças a Deus, pois a voz do Dustin Hoffman não se dubla e a da Sandra Bullock é cana difícil de rachar em português – uma pessoa tem mais possibilidades de ir aprendendo outras línguas do que aperfeiçoando o português, uma língua cada vez mais rica em novas palavras, com uma gramática cada vez mais cheia de normas e mais subjectiva. Acho mesmo pretensioso aperfeiçoar o português, embora não goste dos exageros na invenção de novos verbos e seja pouco tolerante com alguns modismos estúpidos, que surgem a partir do desconhecimento e não da desconstrução da língua. Ah! Perdoem os “c” na redacção, quem não gostar, que é um dos hábitos adquiridos pela prática da escrita em Portugal, como muitas outras palavras com grafia diferente da brasileira. Há hábitos da escrita no Brasil que não consigo mudar, como por exemplo, ainda hoje não consigo escrever automaticamente “equipa”, mas equipe. Cada vez mais acho engraçado quando alguém se arma e fala algo parecido com tentar “dominar” o português. Vivo a diversidade e a capacidade de renovação e inclusão da língua portuguesa, não gosto da complexidade das regras gramaticais que mais servem para encalacrar quem aprende, com relação às notas, do que para afirmar o português como idioma de importância internacional que é. Eu aprendi e continuo a aprender, estudando e praticando.

Prometi explicar o que é o Euromilhões a quem não sabe e ainda não ganhou a mania. É uma loteria mais simples do que as outras, em que uma pessoa paga dois euros e marca em um quadrado um mínimo de cinco números entre 1 e 50 e mais dois números entre 1 e 9. E teoricamente tem as mesmas chances de ganhar um dos 12 primeiros prémios, tantas quantas quem joga centenas de euros. O volume de dinheiro envolvido é espectacular, os prémios são milionários, por vezes super acumulados, e como diz o slogan, é o jogo que produz novos excêntricos, todas as semanas. É uma espécie de Mega-sena cujo primeiro prémio mínimo semanal é equivalente a 30 milhões de reais (10 milhões de euros) e já atingiu o acumulado de 180 milhões de euros. E você pode ganhar sozinho se jogar pela Internet, antes das 19.00h de sexta-feira (fuso horário de Portugal) de qualquer lugar do mundo, através do site da Santa Casa de Misericórdia de Portugal, o www.jogossantacasa.pt

Até a próxima!

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