O corte de impostos que o tempo esqueceu

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Funcionário da Casa Branca preparando para o evento comemorativo dos 6 meses da aprovação da legislação relativa à redução de impostos. Tom Brenner/The New York Times

Tradicionalmente, as eleições presidenciais nos Estados Unidos têm como referência o desempenho da economia no ano anterior ao Dia da Eleição. Se o PIB estivesse crescendo rapidamente, seria como uma manhã ensolarada na América e o partido no poder seria o vencedor; se estivesse havendo uma recessão (como em 2008) ou se o crescimento fosse muito lento para criar empregos (como em 1993), o comando da Casa Branca trocaria de mãos. 

Porém, isto será improvável no próximo ano. É fato que uma recessão – trazida, digamos, por uma crescente guerra comercial – poderá selar o destino de Donald Trump; um estrondo (vindo de onde?) poderia compensar, de algum modo concebível, a aura de escândalo e possível traição que tem envolvido sua administração. Mas, justamente agora que a economia parece estar se deteriorando? É verdade, o desemprego está baixo, mas o que parece importar nas eleições é a taxa de mudança, e esta não é expressiva, com o crescimento de apenas 2% ao ano.  

Isto não era o que se imaginava que ocorreria. Há dois anos, os Republicanos, controlavam as duas casas do Congresso bem como a Casa Branca e eles usaram aquele controle unificado para decretar uma bela redução de impostos, direcionada principalmente às empresas, das quais se esperava um longo período de crescimento econômico. Com os impostos corporativos reduzidos, de acordo com a história, haveria a indução nas empresas americanas a trazerem de volta o dinheiro investido fora do país, alimentando um aumento no investimento empresarial que aumentaria a produtividade e os salários. 

Muitos economistas, inclusive eu, pensávamos que essas afirmações eram exageradas, e que a recompensa real da redução de impostos seria muito menor do que os advogados alegavam. Porém, estávamos errados. Quase dois anos se passaram e parece que a redução de impostos não apresentou praticamente ganho algum. Não se tem percebido qualquer retorno visível de capital do exterior e o investimento nos negócios tem sido bem fraco. 

Como pôde uma redução tributária tão grande quanto esta – as receitas fiscais das empresas caíram praticamente à metade! – terem tido tão pouco efeito no comportamento dos negócios? Vejo três explicações. 

Primeiro, pode ter havido algum efeito positivo, mas este foi superado pelas guerras comerciais de Trump, que podem ter aumentado a incerteza e desencorajado o investimento. 

Segundo, uma boa parcela dos lucros corporativos modernos provavelmente consistem em "rentismo" - retornam à posição de monopólio de uma empresa e não a seus investimentos passados. A redução tributária sobre esses ganhos não incentiva o investimento, apenas deixa as empresas com mais dinheiro. 

Finalmente, a maior parte do que parecia ser investimento fora do país por empresas americanas pode ter sido uma ilusão. Pesquisas recentes mostraram que muito do dinheiro que cruzou nossas fronteiras é composta por investimentos “fantasmas”, que são apenas artifícios contábeis para aproveitar os paraísos fiscais. O corte tributário de 2017 não trouxe de volta muito dinheiro porque, a rigor, esse dinheiro nunca saiu. 

Seja lá o qual for o conjunto de razões, o incrível é a maneira como a redução tributária de Trump já tenha desaparecido de nosso discurso. Ela foi, antes de tudo, a única grande conquista legislativa de Trump e chegou mesmo a parecer uma questão importante. No entanto, ninguém falará sobre isso na campanha e ela é raramente mencionada nas discussões de nossas perspectivas econômicas. 

E lembremo-nos: este caso vai adicionar alguma coisa perto de 2 trilhões de dólares à nossa dívida pública. No entanto, parece ter sido um belo caso de muito dinheiro empregado a troco de nada.

Traduzido do Inglês por A. Pertence

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