AUTOR BAIANO FALA SOBRE ESCREVER UM THRILLER A RESPEITO DA MADONNA

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Quando os jornalistas brasileiros reclamam – como o fazem com freqüência – sobre o "elitismo" da literatura contemporânea, a honrosa exceção invariavelmente citada é a ficção do autor baiano ELENILSON NASCIMENTO. Prova dessa ousadia são os textos publicados no portal Literatura Clandestina e na sua coluna semanal no jornal O Rebate. O mérito que distingue as suas obras tem sido casar seriedade e ambição literárias com um andamento mais comumente associado à ficção comercial (ou talvez ele não queira apenas vender livros e sim, alimentar mentes). Elenilson é como um “novato-veterano” dos livros, juntando as engrenagens de seus enredos com impecável meticulosidade. Mesmo quando o pêndulo ameaçador de seus textos tende a engendrar ansiedade, a credibilidade de seu artesanato – a inexorabilidade de seu próximo movimento – infunde confiança. O resultado, para o leitor, é uma espécie de tensão serena. O tique-taque que ressoa pelos parágrafos é certamente a contagem regressiva para algum terrível desastre, mas também o som de uma máquina perfeitamente calibrada, funcionando exatamente como deveria.

Os trechos abaixo foram pinçados de uma entrevista ao jornal Boca de Brasa, onde o autor fala sobre o livro “Diálogos Inesperados Sobre Dificuldades Domadas” (lançado em 2005), onde o conto “O Ósculo Molhado da Madonna” gerou certa polêmica na imprensa baiana.

R. Oliveira - Porque escrever um conto sobre a cantora americana Madonna?

Elenilson Nascimento – E porque eu não deveria fazê-lo? Madonna é uma das personalidades mais ricas do show bis que empregou seu talento para difundir suas fantasias eróticas sob formas de livro de fotografias e poemas (que ninguém lembrou de ler) sobre sexualidade e foi literalmente banida da lista do bom gosto dos “moralmente afetados”. Contudo, durante essas últimas duas décadas, ela se transformou em tema do comportamento humano nas universidades americanas, entrevistada pelo escritor Norman Mailer e, agora, sendo homenageada num conto nesse meu livro.

R. Oliveira - Porque você acha que os intelectuais baianos criticaram tanto esse seu trabalho?

Elenilson Nascimento – Nunca houve ninguém como Madonna. No topo do Everest do show desde 83, a mais “clandestina” dos “clandestinos”, chegou lá. Madonna é pura e simplesmente, a mulher mais famosa do mundo. Ela se intitula uma “viciada em trabalho”, a rebelde cuja a sagacidade financeira é tão grande que o NGB Night News considerou-a uma “indústria em crescimento”, e a revista americana de absoluta credibilidade, a Forbes, a proclamou como a “executiva mais competente da América”. Madonna não é mais moda. A moda é a própria Madonna. Porém, depois de provar para o mundo o seu talento, ela continua sendo alvo de estudos sérios em universidades e dezenas de outras instituições de estudo superior. Madonna serve de pólvora para um tiro em direção às universidades americanas. Os artistas (principalmente os clandestinos) são os espelhos da sociedade à qual pertencem e isso ainda incomoda muita gente. Admiro e respeito muito a Madonna por tudo que ela já fez pela liberdade de expressão. Não estou nem aí para os intelectuais baianos. Eles não pagam as minhas contas.

R. Oliveira - Do que fala esse conto?

Elenilson Nascimento – É uma história bem simples, escrita de fã para outros fãs se divertirem. É a história de um cara louco pela Madonna que em 1993, quando a cantora esteve aqui no Brasil para seu show, faz de tudo para invadir o hotel Caesar Park e acaba sendo preso, justamente no dia do show. Então, ele consegue convencer o delegado que nasceu para assistir aquele espetáculo, mas na hora H, na frente do palco, acontece uma coisa e ele não vê nem a botinha preta da Madonna. Muito tempo depois, ele acaba virando um autor de histórias de terror e alguém lá dos USA adora o livro do cara e quer porque quer fazer uma peça em cima do livro. Ele acaba tomando 5 comprimidos de Zolof e embarcando para a América. No dia da estréia da tal peça, quem aparece nos bastidores?

R. Oliveira - Mas isso foi o motivo das pessoas criticarem você?

Elenilson Nascimento – O motivo principal foi eu ter exaltado tanto a Madonna num livro. Infelizmente, para alguns, Madonna ainda é sinônimo de mau gosto. Mesmo com toda a grana que ela já ganhou por seus trabalhos nesses anos todos. Só tenho a lamentar, pois muitos no Brasil têm a mania de minimizar o trabalho dos outros.  

R. Oliveira - Você se arrepende de ter escrito o conto?

Elenilson Nascimento – De forma alguma. Madonna entrou para a história por ter um atributo muito mais sedutor, que permite a ela dar quantas viradas forem necessárias: TALENTO! E a beleza sem ele apodrece, perde o sentido em médio prazo. Madonna ainda tem muito que amadurecer e permanecer. E eu ainda tenho muito que aprender com ela.

fonte: Rodrigo Oliveira/Boca de Brasa, agosto/2007 (“DIÁLOGOS INESPERADOS SOBRE DIFICULDADES DOMADAS – Histórias Inacabadas em Encontros e Despedidas” de Elenilson Nascimento e Anna Carvalho, contos e crônicas, 195 págs. 2005 - CBJE). Imagem: reprodução.

 

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