A história das Internacionais, da seção brasileira da CMI a EM-PT e a reconstrução da 4ª. 1ª parte

Introdução.
Este texto foi extraído da Escola de Quadros da Universidade Vermelha (EQ-UV) da corrente interna petista Esquerda Marxista (EM-PT) a seção brasileira da Corrente Marxista Internacional (CMI) que é uma organização existente em mais de 35 países. Registre-se a EQ-UV foi realizada entre os dias 06 e 12 de janeiro de 2007, em Joinville (SC). O evento foi preparatório da 1ª Conferência Nacional da EM-PT também realizada em Joinville, nos dias 27, 28 e 29 de abril do mesmo ano.
Nesta primeira parte o texto abordará a história das Quatro Internacionais.

Ou seja, a história das quatro associações mundiais de trabalhadores, sendo que a da 4ª Internacional até o final do 1º capítulo, isto é, “A 4ª Internacional no pós Segunda Guerra Mundial.

A 1ª Internacional.
Foi fundada em 1864 sob o brado “Proletários de todo o mundo uni-vos” com o nome de Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) que funcionou como federação, por ter sido desdobramento do 1º partido político operário do planeta, a Liga dos Comunistas. Esta, ao referenciar-se no Manifesto do Partido Comunista de 1848, dos filósofos Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), elevou-os à função de dirigentes da AIT. Estes fatos foram um histórico aprendizado para o movimento operário mundial, que permanece atualíssimo “É impossível lutar contra a burguesia de maneira isolada, num só país!” Pouco tempo depois, em 1871 a AIT foi imprescindível na Comuna de Paris, na França.               
Para se avaliar a dimensão disso, dos 60 membros de seu Comitê Central, 15 eram da AIT. Foi a 1ª tentativa dos trabalhadores em tirar a burguesia do poder. As nove semanas da Comuna ensinaram o caminho aos trabalhadores, mundo afora. Dialeticamente sua derrota impactou tremendamente o movimento operário, acarretando na dissolução da 1ª Internacional em 1873. O que levou Marx e Engels a tirarem lições dessa luta, inclusive dos erros dos militantes da AIT durante as nove semanas que estiveram no poder em Paris.
Tais lições foram incorporadas à compreensão científica do mundo. Isto é, o materialismo histórico e dialético junto com ditadura do proletariado são os únicos instrumentos capazes e conduzir à vitória da luta pela emancipação da classe trabalhadora.

A 2ª Internacional.
Foi fundada em 1889 também sob o legado dos ensinamentos de Marx e Engels, levando ao surgimento de grandes organizações operárias e de massas (sindicatos, e partidos políticos). No caso destes, partidos socialistas os (PSs) ou sociais democratas os (PSDs) responsáveis pelo primeiro grande desenvolvimento dos sindicatos operários e de massas na Europa. Que, funcionaram como partidos políticos revolucionários, arrancando grandes conquistas para a classe operária.
O capitalismo iniciou seu desenvolvimento, passando a organizar o mercado mundial. Sua expansão com característica colonial agregada às forças produtivas (novas técnicas, novos instrumentos assim como nível de vida para os trabalhadores) acabou causando otimização, ou seja, sendo um salto á frente sem precedentes na História. Todavia, tais dirigentes partidários acomodaram-se com reformas ditas sociais no parlamento burguês. A conseqüência disso foi o surgimento de camadas especializadas da classe operária, erroneamente chamadas de aristocracia operária. Estas passaram a sentir-se ligada às burguesias nacionais européias que se empolgaram com suas expansões coloniais, jogando as sobras de seus banquetes às maldenominadas aristocracias operárias. Daí, então, surgiu uma concepção filosófica a da teoria do reformismo. Ou seja, através de reformas contínuas e crescimento das camadas (e não classes) médias abre-se mão da revolução, pois, se chegaria gradualmente ao socialismo.
Ocorre que os dirigentes revolucionários reivindicativos do marxismo e da revolução não combateram isso. Afinal, tanto Marx (1883) quanto Engels (1895) já tinham morrido. Explicando: A acomodação da maldenominada aristocracia operária foi agravada pela pressão praticada pelas burguesias nacionais, fatos que acarretaram na degeneração dos partidos políticos da 2ª Internacional. Tudo devido à teoria do reformismo e agravado por sua adaptação às instituições burguesas nacionais. Isto é, os partidos políticos ditos socialistas ou sociais democratas romperam com a compreensão de que a classe operária é internacional, tornando-se suposta ala esquerda das burguesias dos países da Europa Ocidental.
Assim foi que, em 1914, os partidos da apelidada Internacional Socialista (IS) aprofundaram o reformismo, uma vez que em cada respectivo país passou a votar a favor de poderosos aumentos dos orçamentos militares, para poder deflagrar a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), obtendo como troca a redivisão do mercado mundial. Quer dizer, mundo afora, inúmeros partidos políticos da Internacional Socialista (IS) ou Social Democracia Internacional (SDI) usam nomes como “socialista”, “social-democrata” ou “trabalhista” para passar em definitivo para o lado da ordem capitalista. Isso foi devidamente denunciado pelo revolucionário russo Lênin (1870-1924) no livro “A falência da 2ª Internacional”.   
Em outras palavras, os partidos da IS ou da SDI são sustentáculos das instituições burguesas, mesmo as mais reacionárias, sendo fiéis defensores dos planos do imperialismo e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Tais partidos políticos abandonaram até suas lutas por reformas sociais que marcaram a juventude em suas histórias. Trata-se do preço pago por terem abandonado a revolução, sucumbindo ante a opressiva supremacia imperialista da “Era das guerras e revoluções” conforme também ensinou Lênin. Chamo atenção, a SI ou SDI permanecem vivas porque funcionam como agentes da burguesia através de variadas instituições como ONGs, sindicatos, centrais sindicais ou partidos políticos.

A 3ª Internacional.
Foi fundada em 1919. Por um lado, pelo impulso da mais notável ação política coletiva da humanidade, a Revolução de Outubro de 1917 na Rússia. Por outro, em meio à tragédia da 1ª Guerra Mundial. Haja vista, também chamada de Internacional Comunista foi propugnada na Rússia desde 1914 por Lênin e Trotsky (1879-1940) e na Alemanha por Rosa Luxemburgo (1871-1919). Sob as lideranças de Lênin e Trotsky os bolcheviques se superaram, ajudando os trabalhadores a organizarem-se em sôvietes (conselhos populares) e a tomar o poder, depois de expropriarem os industriais e os latifundiários. O que deu origem à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) que foi retirada da 1ª Guerra Mundial.
A Revolução encheu de esperança milhões de militantes e de operários, mundo afora. Entretanto, apesar dela, da 3ª Internacional reunir vários Partidos Comunistas, do fim da 1ª Guerra Mundial, enfim, da onda revolucionária na nova conjuntura, uma “luz amarela” alertava: Foi apenas na URSS que os trabalhadores tomaram o poder. Dentre as trágicas perdas de lideranças revolucionárias em janeiro de 1919, na Alemanha, Rosa Luxemburgo e Liekbenecht acabaram assassinados. Na Hungria durou apenas quatro meses a ditadura do proletariado praticada através da República dos Conselhos. Então a Revolução foi derrotada, tendo a burguesia instaurado o terror ao prender e executar milhares de comunistas.                   
Explicação: A expressão ditadura do proletariado que foi cunhada pelos filósofos Marx
e Engels, e posta em prática pelos bolcheviques sob as lideranças dos revolucionários russos Lênin e Trotsky, não tem nada a ver com regime ditatorial. Ao cunharem a expressão ditadura do proletariado, tanto o filósofo Engels, sobretudo, Marx buscou inspiração na história grega. Nela, Marx se inspirou no fato de terem existido as figuras dos ditadores, ou seja, de quem impunham os ditames nas regras das ações políticas sociais, isto é, coletivas. Daí, às vezes ocorrer no processo histórico deturpação sobre o significado da expressão ditadura do proletariado como um regime ditatorial, aburguesado e burocratizado.
Lênin e Trotsky não tiveram dúvida, a revolução da URSS foi apenas a 1ª etapa da Revolução Mundial. Porque, apesar das inegáveis conquistas sociais e políticas a partir de 1917, caso o proletariado não tomasse o poder em outros países, sobretudo, em um país central como a Alemanha, a própria Revolução seria abalada por pressões políticas e econômicas do imperialismo que não cessariam. Que, não cessaram, até a restauração do capitalismo na URSS nos anos 1990. Depois de derrotado em outros países e não ter se recuperado dos horrores e traumas da 1ª Guerra Mundial, o proletariado soviético teve de enfrentar 10 exércitos imperialistas dispostos a afogar em sangue o poder dos sôviétes.
No entanto, em 1922, sob o comando de Trotsky, o Exército Vermelho (EV) combateu com coragem e abnegação, conseguindo vencer a guerra, ainda que tenha pagado o altíssimo preço da quase destruição econômica da URSS onde a miséria se alastrou socialmente, agravada por gigantescas dificuldades estruturais. Afinal foi hercúlea a implantação do socialismo em um país pouco desenvolvido economicamente. Ainda mais que, internacionalmente a Revolução de Outubro andou para trás. O cenário de tragédias foi tamanho, que só poderia ser relatado na obra literária de ninguém menos que o próprio líder do Partido Bolchevique e comandante do EV, Trotsky, no livro “A Revolução traída”. 
Dele assinalo “Em vez do esperado bem-estar, a URSS viu instalar-se por muito tempo a miséria. Os mais notáveis representantes da classe operária tinham desaparecido durante a guerra civil, ou subido alguns degraus ao desligarem-se das massas. Assim sobreveio em seguida a uma prodigiosa tensão de forças, de esperanças, e de ilusões, um longo período de fadiga, de depressão e de desilusão”. Além de superar o atraso lutou-se contra os novos burocratas e carreiristas sem compromissos com a Revolução (oportunistas incrustados nos aparelhos do Partido Comunista e das empresas estatais). O risco de burocratização da URSS, aliás, foi alertado por Lênin desde o início.
Um inesperado e trágico fato ocorreu no início de 1923, uma grave doença acometeu aos 53 anos de idade o principal aliado de Trotsky na Revolução, Lênin. Sua doença se intensificou, o impedindo definitivamente de ajudar Trotsky a organizar a Revolução Permanente, que recolocaria nos trilhos o estado operário da URSS. Lênin faleceu em janeiro de 1924. Pior: Mais que um corpo estranho à Revolução, a burocratização do aparelho do PC soviético e, por conseqüência, do estado operário acabou sendo um vírus letal. Isto é, erigiu das repartições públicas um velho e prestigiado bolchevique, que acabou tornando-se o chefe supremo do burocratizado aparelho do PC soviético, Josef Stalin (1879-1953).
Antes de galgar o topo como comandante da burocracia, Stalin foi figura de 2º plano tanto para as massas quanto para a Revolução. Ou seja, ele agiu como um tremendo oportunista. Porque, ainda que os novos dirigentes da degenerada burocracia tivessem buscado se livrar dos princípios da Revolução e do controle das massas, Stalin aproveitou a quase unânime aprovação para tornar-se um segundo árbitro dos assuntos internos. Isto é, Stalin impôs-se como chefe inconteste da burocracia termidoriana, o 1º dos termidorianos. É o que descreve Trotsky no já citado livro “A Revolução traída”. Stalin – ao invés de produtor - foi produto das dificuldades da luta de classes mundial, especificamente na URSS.        
Preste a trair abertamente o proletariado mundial, Stalin junto com sua camarilha passa a cometer graves equívocos em série, que culminaram com a formulação da absurda teoria “socialismo em um só país”. Quer dizer, o stalinismo passou a bater de frente com a Revolução Mundial corretamente propugnada por Trotsky, a quem perseguiu literalmente a ferro e fogo, principalmente dentro da stalinizada 3ª Internacional. Exemplos: Em 1º lugar, em 1926 o PC britânico derramou uma grana preta na burocracia sindical, para trair uma poderosa greve que foi deflagrada na Inglaterra. Em 2º lugar, entre os anos de 1925 e 1927 eclode uma situação revolucionária na China. A seguir.
Seriam novas perspectivas para os comunistas. Porém, por ordem de Stalin o PC chinês liderado por Chiang Kai Shek apoiou a burguesia nacionalista do Kuomintang. Ante a eminência dos trabalhadores tomarem o poder, Kai Shek não hesitou mandando matar os operários comunistas. Estas tragédias levaram dirigentes liderados por Trotsky a constituírem uma fração dentro da 3ª Internacional, a Oposição de Esquerda Internacional (OEI). Esta, mesma expulsa, definiu em seu programa a necessidade da regeneração daquela Internacional fundada por Lênin, resgatando, por conseqüência a democracia proletária na URSS. Todos da OEI foram perseguidos pelo stalinismo, sendo Trotsky expulso da URSS em 1927.
Mas a OEI deu frutos em países como o Brasil onde em 1931 foi constituída a Liga Comunista Internacionalista (LCI) fração do PC brasileiro. Um de seus dirigentes, o gráfico e sindicalista Mário Pedrosa visitou nos anos 1920 a URSS onde assumiu o trotskismo. Pedrosa ajudou a fundar a 4ª Internacional (1938) e o PT (1980). No início dos anos 1930, Stalin comandou um caô dentro da 3ª Internacional, o “3º período”: Se nos anos 1920 ele praticou de forma oportunista uma capitulação ante a Social Democracia (SD). Nos anos 1930 Stalin posou de esquerdista denunciando a SD como “a irmã gêmea do fascismo” conforme relata Trotsky no livro “Revolução e contra-revolução na Alemanha”.
A ascensão de Hitler ao poder em 1933 deveu-se à recusa do PC alemão de fazer unidade com as organizações sociais democratas germânicas. O nazismo erigiu do falso giro à esquerda do stalinismo, acabando por aniquilar a vanguarda da classe operária alemã. Já no Brasil, em 1935 o secretário geral do PC, Luiz Carlos Prestes, sem apoio da classe operária, liderou uma derrocada insurrecional apelidada como Intentona Comunista. Que serviu para Getúlio Vargas intensificar a repressão sobre o movimento operário, dando o clima para a ditadura militar do “Estado Novo” em 1937. Essas tragédias de equívocos políticos juntos com outras, que veremos a seguir, deixou claro tá na hora de Nova Internacional.                
As outras tragédias foram: O stalinismo impôs a ferro e fogo os infames “Processos de Moscou”. Neles milhares de tradicionais bolcheviques foram mortos, inclusos ex-aliados de Stalin como o economista Bukharin e os militares Kamenev e Zinoviev. O que para Trotsky significou a irreversível degeneração da 3ª internacional, pois, para ele – corretamente - o proletariado mundial tinha necessidade de uma nova bandeira sem manhas. Haja vista, ao mesmo tempo, Stalin prosseguia impondo a capitulação às burguesias nacionais (Frentes Populares) que causaram as derrotas de duas Revoluções. França (1936) e Espanha (1939) que reforçaram o fascismo, acarretando na 2ª Guerra Mundial (1939-1945).

A 4ª Internacional.
Foi fundada em 1938, construída como consequência dos combates iniciados em 1933 quando Trotsky liderou a já citada OEI. A 4ª Internacional foi uma reação encetada dentro do Partido Bolchevique sob as co-articulações de Trotsky e Lênin. Foi erguida diferentemente da 1ª Internacional fundada enquanto tentativa de organizar o nascente movimento operário mundial, da 2ª Internacional produto do crescimento e fortalecimento da classe operária no final do século 19 e da 3ª Internacional fruto da Revolução Russa. Conclusão, a 4ª Internacional nasceu não de vitórias, mas, de derrotas da classe trabalhadora mundial (ascensão do fascismo, eminência da 2ª Guerra Mundial e a sangrenta repressão stalinista) a “Meia Noite no Século” conforme o escritor Victor Serge.
Isso, não impediu Trotsky de afirmar que a construção da 4ª Internacional significou a tarefa mais importante da vida dele. Aliás, para ele e para os camaradas que se mantiveram coerentes com o marxismo e o bolchevismo. Afinal, sendo uma nova internacional, a 4ª ajudou a classe operária a caminhar até a Revolução, superando os obstáculos do stalinismo e da social-democracia.  Seu texto de fundação foi o Programa de Transição (PT) que permanece atual uma vez que é claro como água quando ensina que na época imperialista deixa de existir dicotomia entre “programa mínimo” (reformas sociais) e “programa máximo” (expropriação socialista da burguesia). A seguir, entre aspas.
Na época progressista do capitalismo a Social Democracia (SD) dividiu seu programa em duas partes: O mínimo que é limitado a reformas na estrutura da sociedade e o máximo que é prometedor da substituição do capitalismo pelo socialismo no futuro indeterminado. A 3ª Internacional repetiu essa história (caminho) da SD na época do capitalismo em decomposição. Isto é, quando não teve mais espaço para reformas sociais contínuas, sequer para melhorar a qualidade de vida das massas. Ou seja, quando cada reivindicação concreta do proletariado, mesmo, uma progressista da pequena-burguesia, ultrapassou os limites da propriedade privada e do Estado burguês. Continua.
O propósito da 4ª Internacional não é reformar o capitalismo, mas, derrubá-lo com o proletariado conquistando o poder e expropriando a burguesia”. A outra questão mais que fundamental, imprescindível do Programa de Transição da 4ª Internacional  foi definir sua política em relação à URSS: “Seu regime é terrivelmente contraditório, embora ainda seja um Estado Operário (degenerado) devido à crise social. Mas, politicamente, das duas, uma: Ou a burocracia (que cada vez mais é a representante da burguesia mundial) toma de vez o estado Operário, derrubando as novas formas de propriedade e traz de volta o capitalismo à URSS. Ou a Classe Operária destrói a burocracia e abre uma saída para o Socialismo”. Continua.
É necessário fazer uma revolução política (e não, revolução social) porque é preciso expulsar a casta parasitária dos burocratas que usurpa o Estado Operário (e não a burguesia enquanto classe social”. Atenção, em momento algum Trotsky e a 4ª Internacional duvidaram da necessidade de defesa da URSS na eventualidade de uma guerra ou de ameaça de restauração do capitalismo vinda do exterior. A questão central seria impedir que o Estado Operário, ainda que degenerado, voltasse a ser um Estado Burguês. Para tanto, Trotsky foi lúcido, reconheceu a pequena estrutura da 4ª Internacional, e ensinou ficar sempre junto às massas, da classe operária (sem abrir mão dos princípios do Programa de Transição).
Afinal, para Trotsky a coerência é rejeitar o sectarismo e observar dentro dos movimentos das organizações da classe trabalhadora, mesmo as dirigidas por reformistas e ou stalinistas, o objetivo que é a construção do partido revolucionário. Ou seja, o chamado entrismo. Isto é, em determinadas situações almeja-se ficar junto aos operários para retirá-los da influência de direções traidoras, aproximando-os do Programa de Transição da 4ª Internacional. Foi isso que ocorreu a partir do final dos anos 1930, notadamente durante a 2ª Guerra Mundial quando se fez entrismo na ala esquerda do Partido Socialista estadunidense, do Partido Socialista francês e do Partido Trabalhista inglês.       
É que Trotsky pensou que tal qual a 1ª a 2ª Guerra Mundial motivaria a disposição revolucionária do proletariado, conforme o texto “Manifesto de Alarme” por ele redigido em 1940 (pouco antes da morte) ao prever no Pós-Guerra a derrocada dos dirigentes contra-revolucionários da 2ª Internacional e da 3ª Internacional. O acerto de Trotsky foi parcial – em 1943, 1944 e 1945 – eclodiram crises revolucionárias na Itália e na França. Nos dois países o Estado Burguês se despedaçou por causa de rebeliões de trabalhadores que ocuparam fábricas, cujas lutas só não foram vitoriosas porque ocorreram traições das direções dos Partidos Comunistas que reconduziram a burguesia ao poder.
Trotsky não previu - o marxismo não é ciência exata - que a vitória do Exército Vermelho sobre Hitler e os nazistas levaria o mundo a aumentar o prestígio dos Partidos Comunistas. Como exemplo disso a consequência da luta dos trabalhadores no Leste Europeu então ocupado pelo Exército Vermelho comandado por Stalin, a burguesia acabou sendo expropriada, pelo menos nos países à época chamados Hungria, Polônia e Tchecoslováquia aonde se ergueram Estados Operários, ainda que burocratizados.

A 4ª internacional no pós-guerra.
A 2ª Guerra Mundial foi uma carnificina que causou a perda de inúmeros militantes da 4ª Internacional cujos já reduzidos quadros no movimento operário, nem por isso, deixaram de sofrer a hostilidade e a repressão do stalinismo. Para se ter idéia, em agosto de 1940 Trotsky foi tragicamente assassinado a mando de Stalin. A repressão stalinista fuzilou em campos de concentração outros importantes dirigentes da 4ª Internacional, deixando-a sob um cenário sombrio: Tudo porque seus quadros no pós-guerra, além de inexperiente sofriam o isolamento da pouca implantação trotskista na classe operária e no movimento de massas. O que acarretou em erros da nova direção da 4ª Internacional, levando-a a uma crise estrutural.         
Essa direção da 4ª Internacional, por ser nova, não pode compreender os significados decorrentes da 2ª Guerra Mundial. Haja vista, para esta direção seria questão de tempo a eclosão da 3ª Guerra Mundial. O fato é que a história foi outra, não existiram condições para tal absurdo. Isto é, a burguesia mundial não se dispôs a tal, assim como as forças revolucionárias do proletariado não permitiriam isso. Ou seja, se lançaria em uma nova aventura que seria outra carnificina. Os mesmos dirigentes da 4ª Internacional erraram novamente ao prognosticar não existir condições para a retomada do crescimento do capitalismo. A seguir os fatos que comprovaram a gravidade do erro deste prognóstico.
Não apenas ocorreu, como foi consistente o crescimento econômico no Japão, na Europa Ocidental e nos Estados Unidos até o início da década dos anos de 1970 quando o então presidente estadunidense o republicano Richard Nixon decretou a inconversibilidade do dólar ao deparar com uma violenta crise. Esta inconversibilidade levou à falência os Acordos de Bretton Woods firmados no final da 2ª Guerra Mundial. Que, aliás, foi o período do financiamento da economia através da ampliação dos déficits públicos, sobretudo, dos elevadíssimos gastos militares. A seguir, a reconstrução do capitalismo na Europa Ocidental contou com as contribuições dos Partidos Comunistas (PCs) e Socialistas (PSs).
Os PCs e os PSs fizeram isso para impedir a luta de classes no propósito de garantir os Acordos Yalta e Potsdan, nos quais o mundo foi dividido em “zonas de influência”. Uma para o russo Stalin e a outra para o estadunidense Roosevelt e o inglês Churchill. O resultado disso: A Revolução foi impedida nos principais países da Europa Ocidental. Por exemplo, na França tornaram-se famosas duas palavras de ordens do PC francês “Produzir primeiro, reivindicar depois” e “Greve é arma dos trustes (poderosos conglomerados de empresas)”. É que na nova e errônea concepção dos principais dirigentes da 4ª Internacional, Estados Burgueses na Europa só ficaria de pé através de ditaduras militares ou civis.
Nem mesmo os episódios de intensa repressão conforme ocorre em qualquer Estado Burguês dito “democrático” fez os principais dirigentes da 4ª Internacional acertar suas orientações políticas. Ainda que a onda revolucionária do pós 2ª Guerra Mundial tenha minimizado o poder repressivo das burguesias nacionais na Europa ocidental. O fato explicado pelos benefícios sociais conquistados no mencionado período pelos proletariados da citada região européia. Tal período foi denominado como “Estado do bem Estar Social” no qual as burguesias souberam ceder os anéis, preservando os dedos. Em meio a isso os dirigentes da 4ª Internacional cometeram um irreparável erro sobre o futuro dos stalinistas.              
O prognóstico de que o stalinismo seria varrido pela onda revolucionária do fim da 2ª Guerra Mundial foi uma interpretação mecanicista dos ensinamentos de Trotsky. Daí porque os dirigentes fizeram a equivocada proclamação de que as massas afluiriam à 4ª Internacional. O que na prática não ocorreu. Os principais dirigentes da 4ª Internacional se perderam ainda mais quando pretenderam caracterizar dois relevantes fatos da História (os estados nacionais recém estruturados do leste europeu e a revolução chinesa de 1949). Sobre o leste europeu tais dirigentes sequer admitiram que nos países daquela região européia constituíram-se Estados Operários, ainda que burocratizados.
Não souberam compreender que além da pressão revolucionária das massas, depois de ter colaborado com o nazismo a burguesia fugiu ou ficou desmoralizada. Em outras palavras, por conseqüência da expropriação dos principais meios de produção feita pelo Exército Vermelho, nos países do leste europeu foram constituídos Estados Operários burocratizados (que é uma caracterização marxista). Haja vista, diferentemente da Revolução Russa, não se organizaram nem sôviétes, muito menos democracias operárias. Por serem tutelados desde o nascimento pela burocracia do Kremlin, tais estados operários necessitavam de revoluções políticas que expulsassem a casta burocrática do poder.
Já sobre a Revolução de 1949 na China, o Secretariado Internacional (SI) da 4ª Internacional ao não adotar a concepção dialética acerca daquele acontecimento, mais uma vez equivocadamente o caracterizou como capitalista o Estado constituído naquele país asiático. Porém, a realidade dos fatos mostrou que, mesmo contra a vontade de Mao Tse Tung e do PC chinês (ambos pretendiam implantar um suposto capitalismo democrático), as ações revolucionárias campesinas se somaram às rebeliões operárias das cidades chinesas, formando a aliança operário-camponesa. O que acabou levando Mao e a direção não-marxista do PC chinês a avançar mais do que pretendiam, expropriando a burguesia.
Isso foi prova concreta da não interpretação correta do legado de Trotsky. Afinal, no Programa de Transição ele chamou de hipótese menos provável (porém jamais impossível) que em uma situação de guerra, revolução ou crise econômica, uma direção pequeno-burguesa pode vir a dar passos de ruptura com a burguesia. O agravante nesse caso é que o SI da 4ª Internacional “esqueceu” que o programa de Transição é um método bastante cuidadoso em matéria de previsões. Por isto ensina “É, entretanto, inútil perder-se em conjecturas (...). É impossível prever quais serão as etapas concretas de mobilização revolucionária das massas”. A seguir, como os marxistas vêem o Programa de Transição.
Não basta lê-lo. É imprescindível estudá-lo e pôr em prática a ajuda às massas na caminhada em direção à Revolução (tomada do poder).  Além de não reconhecer seus graves erros, o Secretariado Internacional da 4ª Internacional passou a expulsar as organizações trotskistas que os combateram. Foi o caso da expulsão em 1946 dos trotskistas ingleses do Revolutionary Communist Party (RCP) que quer dizer Partido Comunista Revolucionário. Nos próximos textos:
Giro de 180 graus do ‘pablismo’ acentua a descaracterização da 4ª Internacional”, “O Secretariado Unificado (SU) da 4ª Internacional”, “O impasse ‘lambertista’ após sua correta crítica ao ‘pablismo”, “A adaptação do ‘lambertismo’ aos aparelhos”, “Adotada pelos ‘lambertistas’ a linha da democracia”, “Expulsão da maioria na seção brasileira da 4ª Internacional causa o nascimento da corrente interna petista Esquerda Marxista (EM-PT) a seção brasileira da Corrente Marxista Internacional (CMI)”, “Os fracassos do PSOL, PSTU e PCO-LBI depois que saíram do PT“ e “A reconstrução da 4ª Internacional”.

*jornalista – é militante da seção brasileira da CMI a EM-PT onde integra o diretório municipal em Macaé (RJ).

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