Na segunda quinzena de setembro, após ocorrerem casos de furtos e roubos em praias da Zona Sul do Rio de Janeiro, as forças empenhadas em criminalizar a juventude pobre, destacadamente o monopólio das comunicações, prontamente criaram o clima de medo e histeria contra “adolescentes de favelas da Zona Norte da cidade” que realizam “arrastões” nas praias. Tudo isso com o objetivo de justificar mais repressão e atiçar ainda mais a opinião pública em favor do projeto de redução da maioridade penal.
Jovens negros detidos pela PM em praia da Zona Sul do Rio
Como manifestação da profunda degeneração dessa velha sociedade em que vivemos, nas chamadas redes sociais proliferaram mensagens de incentivo por parte de bandos paramilitares de tipo fascista — autoproclamados “justiceiros” — para que os moradores da Zona Sul se organizassem para agredir o povo que vai até a região aproveitar as praias nos finais de semana de sol.
Este é o cenário na cidade do Rio de Janeiro: o fascismo disfarçado de “pacificação” persegue o povo, particularmente a juventude, das periferias e favelas até as praias da Zona Sul, enquanto as massas sobrevivem a duras penas sem acesso a saúde, educação, cultura, com um transporte caro e de péssima qualidade e sob a mais brutal repressão.
Uma parcela da chamada classe média, atiçada pelo discurso fascista do governo e pela histeria disseminada pelo monopólio de imprensa, busca soluções rápidas para os conflitos sociais que se desenrolam à sua frente. Conflitos cuja responsabilidade é do velho Estado e seus gerenciamentos antipovo que, por vezes, enxergam erroneamente na repressão contra o povo pobre o caminho para manter uma aparente ordem social e para (iludem-se) preservar seu padrão de vida.
ESTADO E GOVERNOS FASCISTAS
No fim de agosto, a Polícia Militar de Pezão-Beltrame “apreendia” jovens, negros em sua maioria, simplesmente porque se dirigiam das periferias para as praias da Zona Sul, sob o pretexto de “ação preventiva”. Bastava ser negro e morador de favela para correr o risco de ser revistado, “esculachado” e impedido de prosseguir viagem nos ônibus. Por ação da Defensoria Pública do Rio, tal prática foi proibida a partir de 10 de setembro. O secretário de segurança Beltrame correu para contestar a decisão tão logo surgiram as primeiras imagens de supostos “arrastões”, afirmando que voltaria com as blitz, que têm como alvo os ônibus que saem dos subúrbios com destino à Zona Sul. Pezão disse em alto tom, “Não vamos recuar!”, e que as massas são monitoradas desde as UPPs instaladas nos locais onde vivem para impedir que “isso chegue a praia”. O gerente municipal, Eduardo Paes, em entrevista, disse: “Nós não vamos tratar delinquentes, marginais, como problema social. Isso é problema de segurança pública”.
Assim, os gerentes de turno desse Estado reacionário incrementam a repressão às massas para garantir os lucros dos monopólios estrangeiros e locais. Basta vermos os fatos mais recentes, como a Copa da Fifa, a bestialidade com que são tratados professores, garis, trabalhadores rodoviários, estudantes e a nossa juventude combatente.
A Zona Sul da cidade é alvo permanente da especulação imobiliária e, nesse momento em particular, ainda mais, os monopólios estão sedentos dos lucros que esperam com as Olimpíadas de 2016. Milhares de moradores de favelas já foram brutalmente despejados, seja por remoções forçadas, seja por força da especulação e da carestia de vida na Zona Sul, principalmente. No Centro do Rio, camelôs sentem na pele a escalada fascista, sofrendo a repressão de agentes do Estado mobilizados e armados para impedir que ganhem seu pão, em um claro esforço para expulsar violentamente esses trabalhadores da região central.
RESISTIR E LUTAR
Em tempos de crise como este que vivemos, o aumento do desemprego, os cortes de direitos, o lixo cultural, o desmonte do ensino público, etc., podem acabar empurrando parte da juventude empobrecida para o caminho da “marginalidade”, tendo como resultado, infelizmente, o seu encarceramento nas masmorras do velho Estado ou o assassinato pelas mãos dos agentes das forças de repressão e seus grupos de extermínio.
Cabe aos revolucionários, democratas e progressistas combater toda essa campanha fascista e apontar para as massas que a única forma de resistir é se organizar e lutar. Impõ-se com urgência a tarefa de ir fundo às massas e desfraldar o caminho da Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao Socialismo, único capaz de conduzir a destruição das três montanhas de opressão que pesam sobre nosso povo: o latifúndio, a grande burguesia e o imperialismo. Isto significa: 1) entregar toda terra aos camponeses pobres, destruindo o latifúndio: esta é a única condição para acabar com a fome, garantir trabalho para milhões que foram expulsos do campo para as cidades e garantir alimento barato na mesa do trabalhador. 2) Confiscar e nacionalizar todas as grandes empresas da grande burguesia. 3) Varrer com a dominação do imperialismo confiscando todas as propriedades das transnacionais.