Filósofo Fabiano de Abreu aponta que é preciso se libertar da luxúria para alcançar a felicidade

A luxúria ou lascívia (do latim, lascivia) é uma emoção de intenso desejo pelo corpo e pelo prazer. De acordo com a doutrina católica, é um dos sete pecados capitais e consiste no apego aos prazeres carnais, à corrupção de costumes, culminando na sexualidade e sensualidade extremas. No entanto, o que aos olhos carnais pode parecer uma explosão de deleites e prazeres e aos olhos da religião é tido como condenável, aos olhos da ciência pode, na verdade, ser uma compulsão perigosa e com grande potencial destrutivo para a vida pessoal, profissional e familiar.

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O filósofo e pesquisador de comportamento e sociedade Fabiano de Abreu afirma que o exagero não é benéfico e que aqueles que se entregam à luxúria, na verdade podem ser escravos dos seus próprios desejos: “Aquele que se torna escravo das paixões pode até achar que é feliz, mas na verdade ele confunde felicidade, com excesso de prazer. Para ser feliz de verdade ele precisará, primeiro, se libertar dessa necessidade de prazer a qualquer custo que o aprisiona. A Felicidade exige liberdade, e quem se torna escravo dos prazeres da carne nunca será livre. A não ser que ele busque ajuda e queira se libertar”.

Excessos de querer

Fabiano de Abreu ressalta que a luxúria consiste no que ele define como ‘excesso de querer’ e consiste em um desequilíbrio: “Um homem escravo das paixões se encontra na senzala dos sentimentos, movido por um excesso de querer, e dominado por um forte desequilíbrio emocional. Esse comportamento desmedido revela a sua incapacidade em lidar ou controlar as suas próprias emoções”

Proibido é mais gostoso?

O pesquisador também aponta que a crença de que o ‘proibido seria mais gostoso’ é na verdade um grande equívoco e reflete outra distorção de personalidade, que é o egoísmo: “O desejo carnal, principalmente pelo que é proibido, libertino e promiscuo denota um forte egoísmo por parte da pessoa, já que ela entende o ato sexual como uma finalidade estritamente vinculada ao prazer imediato e enxerga o outro como seu objeto ou propriedade. Tanto que, geralmente, a pessoa dominada pela luxúria, frequentemente, paga pela atividade sexual, contratando profissionais do sexo ou frequentando locais onde a banalização e a vulgaridade do ato estejam super expostas e evidenciadas”.

O perfil do luxurioso

Com base em seus estudos, Fabiano aponta o perfil dos que se deixam dominar pelo desejo desenfreado: “São frequentadores assíduos de bordeis, casas de massagens, boates e ambientes onde o sexo oposto é ofertado como mercadoria, exposto em vitrines, e gostam da sensação de pagarem por suas paixões. Frequentemente são infiéis em seus relacionamentos, e em sua maioria, não conseguem construir um relacionamento feliz, visto que seus ideais de intimidade fogem do conceito de amor e respeito. Por isso, acabam deixando rastros de decepção por onde passam. Esse comportamento excessivo acaba afetando a sua vida familiar, e também a profissional, já que a pessoa se torna escrava das paixões e age, na maioria das vezes, de maneira irracional, cometendo atos libidinosos, ou colocam os outros, nessas mesmas situações. O luxurioso não consegue pensar racionalmente, ele é movido pelo prazer”.

Segundo Abreu, outro ponto em comum que revela o perfil do luxurioso é a dificuldade em estabelecer relações saudáveis e duradouras em casa, no trabalho ou na vida pessoal: “Se são chefes, costumam ser assediadores sexuais. São aqueles que recebem processos e mais processos por assédio moral e sexual no ambiente de trabalho. Ou então, manipulam a situação e invertem os fatos para que os funcionários se sintam intimidados. Como possuem dificuldade em manter a harmonia familiar, não sentem prazer em estar em seu lar junto à família, e constantemente, saem do trabalho direto para o 'happy hour', muitos, regados de promiscuidade, e levam seus funcionários junto com eles. Com esse comportamento eles acabam prejudicando também, a vida familiar de seus funcionários, pois não levam a sério o amor, apenas o prazer momentâneo, e quando percebem que seus funcionários amam suas esposas, ou vice e versa, eles ficam incomodados, e dão um jeito de causar algum atrito para que esse relacionamento “feliz”, se desgaste. Já como funcionário, o luxurioso costuma desrespeitar os colegas e as colegas passando do limite aceitável no comportamento social, com olhares maldosos, piadinhas infames, e toques constrangedores.”.

A dependência da pornografia é um sinal de alerta

O filósofo também relata que muitos extrapolam os limites do permitido em ambientes totalmente inadequados somente para se satisfazerem: “Uma pessoa que se torna dependente do prazer sexual acaba sendo um consumidor frenético de conteúdos “adultos”. Ele espera um momento de descanso para poder assistir vídeos e fotos pela internet, e quando se vicia nessas produções do mercado pornográfico chega a ter que assistir no ambiente de trabalho ou até mesmo com a esposa ou esposo para poder conseguir se relacionar intimamente. Ele se deixa levar pela forte emoção que o invade, pelo desejo irracional que arde e queima como fogo dentro dele. A maioria deles ou delas, acreditam que o seu comportamento é normal, mas não percebem que, quase sempre, as suas falas e atitudes chegam a ser constrangedoras”.

Como se combate a luxúria?

Fabiano aponta que é preciso que aquele que se encontra escravizado entenda que precisa mudar e peça ajuda: "enquanto a pessoa não entender que o prazer momentâneo nunca o fará plenamente feliz, ele continuará com as correntes nos pés, preso no tronco da própria senzala.

Sentirá no dorso as chibatadas da vida, que não perdoa o desrespeito e a falta de amor impregnadas nesses atos libertinos.Quer parar de ser escravo das paixões e se tornar realmente livre? Então aprenda a amar de verdade. Aprender a amar é libertador. Busque ajuda de um psicólogo ou terapeuta. Existem muitos tratamentos eficazes nesse sentido. Tenha certeza que você será muito mais feliz quando conseguir passar de “escravo” para “homem livre” e finalmente receber essa carta de alforria”.

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