ERA EU

Carlos Edyl

Não pude me negar, reconhecido naquela foto familiar antiga, no meio de habitantes do meu passado, como a criança de calças curtas e meias longas que todos diziam que era eu: – Meus primórdios.

 

Outra foto, décadas depois, noutra festa repleta de gente que um dia viveu como quem vive quem tem vinte e loucos anos; um cabeludo com juízo curto e pensamentos longes que todos diziam que sim, era eu: – Meus indícios.

 

Reconheço resquícios do que eu era no que sempre sou.

Vestígios do que nunca fui na forma em que hoje estou.

 

Não me lembro com nitidez, e desconfio de todos que se recordam de muitos detalhes de um tempo muito distante. As coisas, os fatos precisam ser verossímeis, mais que verídicos. De forma que nessas e em tantas outras fotos é possível que realmente seja eu. Noutras não. Eu era assim. Era eu.

Fotografias. Escritos. Filmes. Rabiscos.

Vejo as muitas formas em que não me perpetuei, mesmo que se num instantâneo fosse contido. O que criei. O que tentei. O que aparentei. Era Eu.

O tanto que fui não reflete o tudo que sou.

Nas lembranças, amores, memórias, amigos, saudades.

Era eu.

Mas hoje, não sou mais.

Hoje, sou muito mais.

Quanto mais eu vou, mais de mim eu fico.

Ontem sim. Hoje mais.

Era e sou.

Eu.

 

Nos dias de hoje, tudo (quase tudo) tem seu preço. Afinal é a Lei de Mercado, tão propalada pelos consecutivos governos ‘neoliberais’ (FFHH e Lulla) que acreditam ser o governo apenas uma forma de facilitar ganhar eleições e deslumbrar-se com o exercício do poder, deixando a selvageria do nosso incipiente capitalismo cuidar das necessidades e do futuro desse povo que, repito, só serve pra chavequeiros ganharem eleições. A Seleção Brasileira virou um outdoor de logomarcas, assim como a novela das oito que começa as nove da Globo, sem falar no cinema, música, etc... Tudo hoje, pra ser ‘moderninho’, tem que ostentar um logotipo comercial ao lado do brasão, escudo, da instituição pátria. Estamos, com um século de atraso, vivenciando o ‘glamour’ da propaganda subliminar, denominada aqui com o pedante anglicismo de marketing, merchandising, mas sonoramente resumido em ‘marquetingue’.
Projetando uma possibilidade decorrente do predomínio de tal mentalidade, nada melhor que os excessos e absurdos que, se implantados gradativamente, deixam de ser tão exagerados e absurdos assim, tão banalizados e mediocrizado está o senso crítico do cidadão.
Apresento texto e comentários contidos no site (ou saite como prefere) do Millôr Fernandes sobre o futuro, exagerado mas não impossível, do nosso Hino Nacional. Eis o:
MILLÔR: Recebi, de várias fontes, este admirável hino nacional pós-corrupção. Perfeito em sua composição, pode ser cantado perfeitamente com a melodia do nosso hino pátrio (ainda é pátrio, pois não?). Todas as cópias que recebi, chegaram sem qualquer alteração, o que é raríssimo. Engraçado, e com uma força crítica rara, é das poucas coisas que nos chegam, na Internet, com esse nível de qualidade.
Urgente! Fernando G. Menezes, teleitor atento, comunica-nos que o Hino Nacional consumista que publicamos aqui, com os maiores e mais merecidos elogios, já duvidando que fosse criação popular, é de autoria da Cia. de Teatro Os Melhores do Mundo. Parabéns, Melhores do Mundo. Se o total do que vocês fazem é desse nível, vocês são mesmo o que dizem. Pensando bem, isso é até modéstia. Abracadabraço. M.

NEO-HINO NACIONAL (MAS NACIONAL, HEIN?)
Num Posto da Ipiranga, às margens plácidas,
De um Volvo heróico Brahma retumbante
Skol da liberdade em Rider fulgido
Brilhou no Shell da Pátria nesse instante
Se o Knorr dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço Ford
Em teu Seiko, ó liberdade
Desafio nosso peito à Microsoft
O Parmalat, Mastercard, Sharp, Sharp

Amil um sonho intenso, um rádio Philips
De amor e Lufthansa terra desce
Intel formoso céu risonho Olympicus
A imagem do Bradesco resplandece
Gillete pela própria natureza
És belo Escort impávido colosso
E o teu futuro espelha essa Grendene
Cerpa gelada!
Entre outras mil és Suvinil, Compaq amada.
Do Philco deste Sollo és mae Doril
Coca Cola, Bombril!

Carlos Edyl Santiago Filho, jornalista, funcionário administrativo da Câmara Municipal, é daqueles que não precisa de Sete de Setembro pra lembrar-se de ser patriota.
Mais do autor: PULSAÇÕES TRICORDIANAS
http://tricordiano.zip.net/

Falávamos de sonhos, e suas derivações projetadas no cotidiano, ‘alimentando de horizontes o tempo acordado de viver’. E enquanto falávamos, imaginei se alguém não nos estava sonhando naquele exato momento; um sonho daqueles que se apaga da memória com a água fria que nos lava o rosto, ou daqueles sonhos que se perpetuam como tatuagem na superfície lisa da sensibilidade. Era o que eu sempre quis: habitar um tempinho nos sonhos alheios, bisbilhotar a intimidade pura da amada que eu quis amante. E depois, como um Quixote flertando moinhos, a levaria para enveredar em sons e poesias que compõem a atmosfera que respiro, seguindo a inevitável sina de aquariano, meio louco, meio varrido...

(...) a fada esvoaçante baila ao som de uma sinfonia ouvida nos primórdios da adolescência. E me convida a dançar. Sou Quixote mas não sou bobo, e bailo com ela por nuvens de vapor que arrepiam a pele. Se sinto frio, ela me abraça. Se sinto calor, ela me despe. E deixa seu vestido esparramado pela sala enquanto corre para debaixo da cachoeira. Definitivamente, sinto seu corpo incorporado aos meus poros. Mas tem um dia que começa no fim da noite, no fim do sonho. As horas de sono transformam em saudade o que era abandono. E acabei ‘acordando mais cansado que sozinho’ com uma tatuagem estampada como uma cicatriz. Adivinho seu nome nas rimas lógicas que dizem o que não fiz. Porque não quis. E deixo fluir pelo papel branco, traços azuis rabiscados sem nexo. As palavras não têm sentido. O sentido não tem importância.

Em súbitas aparições, uma estrela que estava no fundo do mar volta a incomodar. Uma fada de olhar triste e que voa com as mãos nos cabelos, me saiu do sonho e esparramou feitiço pelas ruas por onde me atraso. E enfeitiçado, me apaixono. Apaixonado, me abandono. Abandonado, perco o sono.

E penso que a adoro eternamente. Plenamente. Mas não adiante. Ela nunca me leva a sério. Acha que sou meio louco, meio varrido...

 

 “Às vezes eu acho que o sinal mais evidente de
 que existe vida inteligente em algum lugar do universo
 é o de que ninguém até agora tentou
“entrar em contato conosco...”

(Bill Waterson, criador de Calvin e Haroldo)


PILEQUE CÓSMICO
Juro que pensei que era brincadeira. Na quinta-feira, 26 de julho, na NET apareceu a seguinte notícia: ‘Análise da NASA diz que Astronautas voaram bêbados’.  A informação é atribuída à revista ‘Aviation Week’, não foi desmentida e, pior, ainda foi mais detalhada nas edições seguintes. Segundo a própria NASA, Agência Espacial Norte Americana, pelo menos duas missões foram conduzidas por tripulantes que haviam consumido doses de álcool bem acima do que seria recomendável

BAFÔMETRO NELES
Já podemos imaginar que, além dos rigorosos testes de aptidão física e intelectual, os candidatos a astronautas a partir de agora também deverão ser submetidos a testes de bafômetros e fazer o 4 em pé com uma perna dobrada.

BURACO NEGRO
Depois ainda querem insistir que o ser humano é um animal inteligente. Quer dizer então que para pilotar astronaves, foguetes interplanetários, não se exige abstenção ao álcool. Agora, para dirigir um carrinho um-ponto-zero pelas nossas estradas cheias de buracos negros, não pode?
-SE FOR DIRIGIR, NÃO BEBA. SE FOR BEBER, ME CHAMA. SE FOR PILOTAR, TÁ LIBERADO...

AMERICAN WAY OF LIFE
Apesar da NASA não identificar quais das missões tinham bebuns no volante (manche?), sabe-se que nenhuma teve a participação do astronauta brasileiro Márcio Pontes.
É que ele, apesar de treinado por anos na sede da NASA, acabou fazendo sua viagem cósmica pela agencia russa equivalente a NASA.

EFEITO ORLOFF
Mas não demorou e a agência russa também admitiu que seus cosmonautas (é assim: o termo astronauta é usado para os norte-americanos; e cosmonauta para os soviéticos, hoje russos) também já deram umas voltinhas no espaço sideral movidos a vodka.

INGRATO
Por falar no astronauta/cosmonauta (é, porque ele fez toda preparação nos EUA mas acabou voando em foguete russo) Marcio Pontes, nas Forças Armadas, em especial na FAB, ainda é grande a mágoa com sua atitude.
É que ele, após anos e anos de preparação, sempre bancado pela FAB, tão logo retornou do espaço pediu baixa (aposentadoria) da vida militar.

GANÂNCIA
Tudo bem que seja um direito dele, mas a FAB deveria ter se cercado de garantias antes de fazer tamanhos investimentos na sua formação. E assim poder, como se pretendia, usar sua figura como herói nacional, estimulando vocações para vida militar.
Mas o ishxxxxperto Marcio Pontes foi logo pedindo baixa e saiu correndo pra faturar com palestras e outras atividades privadas. TSCTSCTSC

SENTIDOS COMPUTADORIZADOS

Mudando de assunto: Pesquisadores anunciam que é cada vez maior o avanço tecnológico para fazer com que o computador tenha, apuradíssimos, nossos cinco sentidos: Visão, Audição, Tato, Paladar e Olfato.
Cada vez mais quase humano. Aliás, já anunciam sistemas eletrônicos interligados que capacitariam o computador a tomar decisões sozinho, deixando apenas de cumprir com sua programação. Ou seja, quase uma consciência.

OUTRA PERCEPÇÃO
Antropólogos defendem tese de que perder a consciência é um instinto humano. Perder nem tanto, mas atingir um nível diferente de consciência. Nesse estágio diferente de consciência, se modifica a percepção como se vê o mundo. Antropologicamente registrado em todas as civilizações, por mais antigas que sejam, essa atitude quase sempre se apresenta em cultos e ritos religiosos. Com ou sem uso de substâncias alucinógenas.
E tal comportamento ainda é bastante visível no mundo contemporâneo, seja através do uso de drogas ilícitas, àlcool, tabaco, medicamentos, e mesmo outras formas de fanatismos que causam dependência.

GABINETE COM DIVÃ
Diante isso, se os computadores avançam na reprodução dos nossos sentidos e tentam imitar nossa própria consciência, pode-se deduzir que num futuro próximo então partirá para perder os sentidos, atingir outro nível de consciência.
De forma que a função de Analista de Sistema será diferente, tipo um técnico de informática sentado no divã ao lado do computador ouvindo suas crises existenciais:
-“Computo... Logo existo?”
-“Me sinto tão micro...”

ARTISTAS
Muitos acham que os artistas não são cognitivos. Nem inconscientes. Apenas utilizam uma outra percepção para registrar o mundo.
Logo computadores, perdendo os sentidos, também irão se enveredar pelas artes.

NOVOS PILOTOS DE FOGUETES

E, claro, também irão dirigir foguetes. Mas enquanto o HAL (brincadeira com IBM, uma letra depois no alfabeto), criado por Stanley Kubrick no filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço - era demasiadamente cerebral e lógico, nosso computador do futuro seria muito mais humano. Ensandecidamente humano. Eis o perigo!!! 

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