Infância

Infância vai, infância vem.
Mudam-se as pessoas, os gestos, a fala...
A Infância não morre. É como o cantar dos passarinho; o o Nascer e o Por do Sol.
Onde habitará a infância, senão no frescor da mente do velho escritor?...

AS PETECAS

A criativa na formação cultural destas crianças tinham um sabor bem diferente dos de hoje. Exemplificado Tiro pela peteca, que era uma obra que se a gente ia fazendo com rodilhas de câmara de ar de pneus ou de bicicletas, que no fim acabava iam formando um cimentado firme, tipo daquelas capas de cebolas que, no seu todo forma de película em película a fortaleza de seu conteúdo final.
Enquanto um grupo ia iam fazendo isso, alguns meninos procuravam nas casas e quintais alguma mãe que estivesse sacrificando algum frango para o almoço ou canja de alguém adoentadodoente.
Sobre a cebola minha bisavó, que tinha 100, anos contava a adivinhação seguinte.
“Que é o que é”? –

“ .....Capa sobre capa, capa do mais fino pano. Se não adivinhar este ano, nem o outro que vier enquanto eu não disser”
... Era um martírio esperar pela resposta depois de uma longa espera ela nos dizia ser a conhecidíssima a que no fritar dos ovos era a Ccebola.

Era a hora de finalizar o artesanato na confecção das “Ppetecas” e colocar os penachos dos galos que antes cantavam alegremente. Tapas nas petecas que voariam nos ares despoluídos pondo a vista nossa criação divinal.
Os estalos diferentes e o queimar de palmas de mãos diferenciavam estas deliciosa petecas das compradas em lojas.
O sacrifício dos frangos enfeitavam as nossas petecas e alimentavam doentes em restabelecimento . .
Havia uma alma conservadora que nunca trazia no ar qualquer suspeita de depredação das espécies. As tardes petecas e mais petecas iam cortando os céus da Rua do Meio e meninas e meninos formavam bandos e bandos que se juntavam a outros de ruas periféricas. As cantos podiam-se ouvir cantigas...
“Lá detrás daquele morro
tem um pé de manacá, -nós vão casar
-e vaun õ pra lá.. você quer?.... ?”....
assobiando outros tons que batiam no confronto com cantos de Cambaxirras e Sabiás da Praia...

Os mais velhos já começam a circular com gaiolas e visgos prontos para a caçada pura, ecológica e feliz. .Eram Mirian de “Ddona Pequena”, Luiz Luiz, Ayranseu irmão, Wilson de Sto. Pires, Rolien, Roberval, Osmar ‘Cascalho,’ Walcyr, Walber, Ruy e Rudy Sucena, e mais a galera das ruas da “Poça” e do Sacramento que, com ‘Anterinho”, Ismael “Dabarrinha”, Devan e “Durico”, ‘Tininho’ e ‘Flavito’ da rua Júlio Olivier davam os toques de concorrência para ver quem tinha pego o “Ppapa Ccapim” de ponto.
Os locais mais abrangentemente, onde se tinha mais pássaros eram nas proximidades do Cemitério, nos Arames que circundavam o Forte Marechal Hermes e nas imediações do Asilo da Velhice Desamparada ou mesmos nos quintais das casas..Eram mais comuns os “Papa´Capins de Ponto”, os “São Paulo”, os “Laranjeiras” e os “Coleiros”.. Alguns “virando”m que pareciam fêmeas com o tempo “viravam” nas gaiolas ou gaiolões com cânticos de “tui... tuis firmes e dobrados.
Mais tarde veio morar na rua dr. Bueno dona Enedina Daumas com Celso Barbosa, e Oberland e Lourdinha. Daí que passaram a habitar nosso mundo. Com eles veioa seu irmão Zenilton que com simpatia e alegria nos obrigava a belas travessuras já que era mais velho. O pai deles era de Conceição. Celso Barbosa . Como seu Henrique Daumas era contemporâneo de meus familiares a amizade foi se tornando estreita. Lourdinha estudava com Djecila e se casou com Marlécio.
Oberland somos amigos ate hoje.Trabalhamos uns tempos em um Pposto de Gasolina de Fernando Santos, nos revemos em Cabo Frio. Eu trabalhava no IAPETEC ele na Álcalis. Freqüentávamos o mesmo ‘Hhotel Colonial’ de lá. Ele se casou com Maria Lúcia de Cabo Frio eu com Lúcia Maria de Macaé... Vez por outra a gente se esbarra numa destas esquinas da vida e recordamos das infâncias da rrua onde a gente morou.ua do meio...

AS CASINHAS DE FUNDO DE QUINTAL


Eu devia ter mais ou menos uns 6 anos de idade. Acho que não sabia ao certo diferenciar as coisas, mais tenho lembrança de meus bisavós que habitavam a velha casa da Rua do Meio, em Macaé. Estado do Rio de Janeiro.
A cidade tinha sempre cheiro de galho de árvore partida em tardes ensolaradas. Cheiro que se misturava a ervas naturais e vassourinha que se entrelaçavam a onze horas e zínias que bailavam no dia a dia.
As crianças como botos terrestres, se embrenhavam nas cercanias de casas divididas por cercas vivas e lençóis que, ao vento, secavam as belezas de lavagens diárias em tanques que ficavam sempre perto das saudosas casinhas de uso fisiológico que perderam a vida com a chegada dos banheiros sofisticados e mais catinguento como diria um escritor Amazonense, em seu livro Catingueiro do Nordeste.
De vez em quando era comum passar alguém vindo das ruas vizinhas sempre com olhar cumprimentativo e de agrado. Poucos iam para o centro. A maioria ia para os Cajueiros uns de bicicletas , alguns empurrando carrinhos de mão feitos de tábuas de vendas e mercadinhos.
Todos porém conhecidos de nomes e de vivências afetivas e eternas. Paulo Camarão, Paulo Cabeção e Buruca eram vistos sempre com seus coleiros vindo da Bicuda Grande.
De vez em quando se podia ver, vindo da Rua Direita, o velho Álvaro Bruno de Azevedo tendo em suas costas os primeiros caixões artesanais que ele levava ou para o hospital na Praça ou para o asilo da Velhice desemparada que ficava no final da Rua da Poça...
Não havia autos e eles eram transportados ou de bicicleta ou na carroça do Waldemar Azevedo. As crianças da Rua do Meio tinham a fama de não terem medo de almas do Outro Mundo acostumadas a esta relação. Alguns turistas e visitante menos avisados, quando viam o Velho Bruno Azevedo com o seu produto de trabalho, pensavam se tratar de algum enterro. Era motivo de brincadeiras estas dúvidas que iam se tornando alegrias/fúnebres entre nós que sabíamos do fato real.
Waldemar Azevedo era irmão de seu Álvaro e pai de Walmir e outros mais velhos. Era Tio de Waldyr, Dermeval e Acyr Azevedo. Waldyr se casou com Eléa Tatagiba. Dermeval era pai de ‘Rumo Errado’, Acyr pai de Cezar Sabino.
Esta era a cidade onde tudo começava e terminava em manhãs de sol a pique e tarde de revoadas de Pardais, Papa-Capins, Rolinhas, Bem Te Vim e Pombas Rola...
Final de verão eram as Andorinhas que se misturavam com Gaivotas e Tesoureiros vindos das ilha do Francês ou mesmo de pescarias em águas fundas de Búzios ou Cabo Frio. Alguns namoricos com meninas campistas que veraneavam nas ruas próximas era comum nas infancias dos anos 50/60...
Seu Álvaro atravessava a vala que margeava a Travessa onde ele morava. Esta “Travessa” se tornou rua Curindiba de Carvalho onde moram hoje “Peixinho” e as filhas de Nelson Carvalhaes, os filhos de Sucena, Zézinho Crespo e os filhos de Marquinho Brochado.
Seu Álvaro Bruno estava Longe de saber que seu filho Cláudio Moacyr seria Pprefeito, e eu como vereador iríamos, nos idos de 68, fechar uma Vala e abrir um caminho até a rua da “Poça” onde mais tarde viria a ser calçada e belamente jardinada.
. Cláudio Moacyr foi, verdadeiramente o único líder político de Macaé saído das poeiras das ruas. Jogou pelada com bolas feitas de meia; vendeu batata doce e goiabada em nossas ruas; sentiu o cheiro das Vvalas e Ccocheiras de nossas ruas...irão.

Na Praia de Imbetiba, que, depois viraria Ccais e suas areias apodrecidas, podiam se ver, ao longo do “Ilhote do Papagaio,” uma linda e bela carreira de Bbotos brincando ao som de suas vozes harmoniosamente natural e firme. Eram deles os medos infantis de longas braçadas proibidas e mergulhos afoitos. Suênio, Levy, Naná e Antonio irmão de Biriba eram dos poucos que iam e vinham nestas ilhas.

A casa onde morava com minha família tinha o formato de janelas angularmente feitas artesanalmente com vidros coloridos, em moldura arredondada distante da rua uns 4 metros, onde um jardim de roseiras e arbustos verde amarelo, que diziam se chamar Independência, davam toque de carinho. Ainda se podia notar as Ddálias e 11 horas que Minha avó cuidava com subtileza. No fundo do quintal havia um coqueiro, uns pés de laranja e plantas em latas que Djecila cuidava. Uma muda de Rrosa Vvermelha, Irene de Darcílio levou uma muda para sua casa no Visconde onde, mais tarde em conversa com Darcilio e Irene eles me disseram que a roseira “pegou” e dela saíram lindos filhotes que se espalham por todo o bairro onde eles residem. Darcirene, Matheus, “Mundinho”e Nelsinho foram um dos primeiros moradores do Visconde e ainda mantém o local onde a Roseira Vermelha, vinda da Rua do “Meio”, é vista quando se passa em frente a velha casa.soube que pegou
“Garfo e Faca, Pêra, Maça”...
e as brincadeiras do “Chicotinho Queimado” vivificam as horas que antecediam a noite...
.
A praça Veríssimo de Mello, o Tenys Clube, com sua sede antiga, onde os porões eram nosso refúgio nos piques que entrava por tardes adentro. Tinha no Tenys um grande porão cheio de trilhas de pilares de cimento naturais que davam medo quando se ia a 1ª vez.
Uma mistura de crianças de todos os lados se reuniam nas suas escuras vinhetas em busca de esconderijo. Muito cigarro se fumou em restos de Astória com Ponteira, Saratoga, continental com filtro e outros da época. Como era um clube de classe média emergente não tinha cigarro Clarim que era o chamado mata rato. Quando havia jogos de tTenys a luta era para ser Boleiro.. Era hora de faturar um troco. Acordar cedo e ir esperar os jogadores. A vaga era de quem chegasse mais cedo. Nesta “Escurinho”, que morava na Sacramento sempre nos ganhava...
Eu, Francisco, “Escurinho”, Orlacyr, Moacyr Prata, acho que Marlécio, “Calú”, “Nini”Drumond e outros criamos uma “fábrica” onde desmanchávamos as bingas, púnhamos pra secar e voltava a enrolar. Era tudo muito sutilmente puro e nossas tardes eram assim passadas nesta praça. Vez por outra alguns “Abelhas” iam chegando. abelhavam algumas tragadas e se iam. Havia ainda “Orlandinho”, Alexandre Herculano, Jonathan, Elmo, e a maioria dos filhos de seu Benedito Drumond. De vez em quando vinha “Zuzuca Tanajura” e Jocy que mais tarde ficou trabalhando com Paulo Emílio. Com pequena freqüência os meninos de Jorge Marins se juntavam na praça; “Jorginho” e “Colega” eram os mais chegados Eles eram da turma da “Pororoca”.
A maioria de nós éramos escoteiros e morava na mos nas periferias da praça Veríssimo de Mello. Falar nisso ,quem não tinha medo de “Baldo”, um cão que sempre ficava junto com “Marquinho Caúna” e dona Iolanda de seu Alcebíades Azevedo? A maioria de nós éramos do Grupo de Escoteiros.
“Marquinho” era ainda uma criança mais sempre bisbilhotava nossa andanças pela rua da Praia em busca de Sardinhas e Robalos nos saudosos tempos das pescarias no cais. Havia guerra de atiradeiras com os coquinhos verdes que haviam nas árvores que circulava a praça. Era um coquinho de formato angular, de uns poucos centímetros mais que, quando pegava na testa, doía muito. Bebeto Bacellar e Vovô (do INPS), irmão de meu companheiro Arthur, filho de dona Dominguas, sempre apareciam por lá´com suas atiradeiras municiadas com as terríveis bilhas de aço.
Sargento “Gavião”, que era o Cchefe da Gguarda Municipal e responsável pela conservação do logradouro. Qquando via a “guerra” tentava apaziguar e alguns arremessos que a ele eram dirigidos. vinha e era atacado A criançada corria para dentro do quintal de Francisco, co de “Juquinha” da Casa de Caridade, para a casa de Pepeu, de seu Sátiro ou para os corredores da casa de “Zé Paco”.
Às vezes que tia “Nizinha” Prata vinha do Rio, onde morava no Méier perto de Ary, Pratinha, Aires e Arina, nós íamos jogar Canastra ou Vvíspora. Tia Nizinha Prata não gostava de perder nunca e me lembra, hoje, meu filho Zé Paulo que também fica bravo quando perde. Zé Paulo, joga comigo Bburaco, que é o mesmo que Biriba ou Ccanastra. A diferença de um jogo para o outro é apenas no combinativo antes de se formar a mesa.
Tia Nizinha tinha um sotaque bem Carioca e as crianças adoravam jogar com ela. Na sala, meiao iluminada com duas lâmpadas de 60 e, tendo como cenário uma talha dáguad’água no canto e uma cristaleira antiga que dava para o quarto de minha irmã a gente formava o jogo. Do quarto de minha avó “Nhazinha”, que detestava jogo e conversas até altas horas, era comum a reclamação toda hora que se ia lá para apanhar algo. Ela dizia com sua voz meiga e firme. -“Eu já disse para Nizinha não ficar jogando com as crianças. Isto é jogo o jogo vicia. Ela não tem jeito”. Quando se voltava para a mesa era tia Nhazinha que falava em tom de preocupação: -“Crianças não falem alto para não acordar Nhazinha que ela não gosta de que jogamos”.
As vozes tinham uma diminuição combinativa entre nós Darcirene, Clyce, Nelson, Djecila, Lourdinha, Therezinha de tia Doca e Therezinha de Tinoco Keller e Nilzsa Mello formavam algumas das rodas dos jogos que ainda, às vezes, se podia ter outras crianças que iam “se ajuntando” formando na medida que eram cantadas as pedras.
Darcirene um dia “flagrou” a Tia Nizinha olhando e devolvendo um número que ela não tinha. Muitas crianças estamos estavam “por uma pedra”. Foi um pega pra capar. Nesta hora todos tinham a mesma idade e as acusações e as negativas de atos ilícitos eram dignos de Tribunais. Nos finalmentes, depois do jogo ser “melado” O bingo era reiniciada com os olhares atentos as cantadas e os possíveis olhares para dentro do saco. Tia Nizinha, com seus quase 80 anos, recebia os olhares de soslaio de todos que viam nela esta sublime fraquesa que norteia, creio, todos que se embrenham nos jogos...

FRENTE PARA O NASCENTE

A frente da casa para o nascer do sol dava a certeza de que sempre era um acordar com esquentamento nas camas sempre postas nesta direção.
. Minha avó Nhasinha sempre dizia.” Meu filho, você quando crescer só resida more em casa de frente para o nascenter.

Agora que moro no sitio entendi profundamente esta beleza do conhecimento natural.
A frente da casa ao entardecer tinha cadeiras que se iam espalhando à medida que iam chegando mais alguém para as conversas que as crianças,sentadas no canto da calçada, ouviam em silencio. Com a chegada da noite é hora de fechar as janelas, mosquitos, mosquitinhos e mitigas entram sempre entre as l8 e l9 horas.
Cantarolando as rodas se integravam aos céus nativos com sons...

 

“Por isso José Milbs,
entre dentro desta roda...
Diga um verso bem bonito,
diga adeus e “vá simbora”....

era “vá simbora mesmo”....

Era a cultura natural que a televisão deformou com sua chegada devastadora e fria. Dona “Cotinha”, dona Elsa, dona Adelina, dona Olga, dona Zelita, “Zinha”, Dona Madalena de “Sseu Cristo”, a esposa de Benildo Amado, , idem de Seu Oswaldo, Gilda, “Lalate”, “Tia Doca”, “Dona Zinha”, Zeneida, dona Laércia, “Ddona Bentinha”, Tiuca, dona Alda de “Joaozinho Passos, pais de Joel Passos, Maria de “Benedito Drumond”, Dona Rita mãe de “Galo” ‘Pirata’ e Wanda que casou com Mozart Leão, Irene deo Darcílio, dona “Pequena”, “Titinha”, Jacyra , dona Enedina eram algumas das vidas vivas das recordações de uma Imbetiba que eram conhecidas em todos os recantos da cidade.
Recordações que passo para estas memórias no sentido de cristalizar a história viva de uma região onde a docilidade de suas presenças deram formato a uma Macaé que está memorizada em suas existências belas.

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