Das notícias falsas aos números falsos

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Na foto, o presidente Donald Trump tem em mãos um mapa elaborado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, abreviatura em inglês) indicando uma rota previamente projetada para o furacão Dorian - Michael Reynolds/EPA, via Shutterstock.

O Sharpiegate (a questão de Trump ter usado dados meteorológicos manipulados na questão do furacão Dorian) passou a ser engraçado à medida que o presidente dos Estados Unidos, ao agir como louco, pode ser engraçado. Neste ponto, entretanto, nada está parecendo engraçado; é realmente preocupante porque acabamos de saber que funcionários da alta administração exigiram que o Serviço Nacional de Meteorologia – no qual, sem dúvida, podemos acreditar como sendo a agência menos envolvida com política em meio a tudo isso – teria feito falsas declarações em favor de Trump. E, dentre as pessoas mais preocupadas com essa história, estão os economistas, que estão avaliando o que isto poderá significar para os membros do governo que geram informações econômicas.

A história vai mais longe, se você foi, por algum motivo, um dos que perderam os acontecimentos das últimas duas semanas: primeiro, Donald Trump declarou que o furacão Dorian era uma ameaça para o estado do Alabama, ao passo que o Serviço Nacional de Meteorologia não estava prevendo tal fato. Na verdade, logo após o anúncio, o escritório do Serviço em Birmingham, temendo que o público entrasse em pânico de forma desnecessária, emitiu um comunicado informando que o Dorian não iria, de fato, representar qualquer ameaça para sua área.

Então Trump recusou-se a admitir que estava errado e apareceu na TV com um mapa de previsão que parecia ter sido rudemente alterado com um marcador preto para incluir o Alabama na “bolha” que indicava as áreas de risco.

Até então, tudo hilariante. Porém, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), da qual faz parte o Serviço Nacional de Meteorologia, divulgou um comunicado não assinado afirmando que Trump estava certo. E ontem, repórteres do Times revelaram a história por trás daquele comunicado: Wilbur Ross, o secretário de Comércio – cujo departamento inclui a NOAA – tinha ameaçado demitir funcionários da agência, a menos que dessem suporte a seu chefe.

Esta foi uma inacreditável violação das normas de boa governança. E foi, acima tudo, mais grave que qualquer ocorrência trivial; isto é, nada estava em risco, exceto o ego de Donald Trump. O que acontecerá se e quando as agências governamentais começarem a noticiar más notícias econômicas, que poderão custar a reeleição de Trump?

Justamente agora os dados econômicos não estão a apontar nada terrível, porém algo fraco. O último relatório sobre o emprego foi desapontador, notadamente quando se tem em mente que a taxa de emprego tem sido inflada por contratações visando o censo de 2020. A indústria de manufatura parece estar em leve queda. A previsão atual do Federal Reserve Bank de Nova York – uma suposição educada do PIB baseada nos dados disponíveis atualmente - indica um crescimento de 1.5 por cento e caindo; este não é o território da recessão, mas é lento o bastante para que a taxa de desemprego possa começar a se elevar um pouco.

Estes não são o tipo de números que um presidente que enfrenta alta desaprovação em muitas áreas, mas tem afirmado que a economia é seu ponto forte, gostaria de ver quando for para a eleição. Eu não creio que seja absurdo imaginar que, depois de uma série de relatórios desapontadores, Wilbur Ross fará pressão sobre o Escritório de Análise Econômica – o braço do Departamento de Comércio que gera as estimativas do PIB – para relatar números melhores, e que o Escritório de Estatísticas Trabalhistas que gera os relatórios de emprego e de inflação das estatísticas, enfrentará pressão similar.

Uma razão para estarmos especialmente preocupados é que os Republicanos em geral, e Trump em particular, já têm uma história de se recusarem a aceitar dados econômicos dos quais não gostam. Podemos nos lembrar que Trump descartou os bons números de emprego do governo Obama, classificando-os como “fake”. E um grande número de conservadores tinham predito que as políticas da era Obama iriam levar à inflação galopante, gastaram anos insistindo que os números oficiais que mostravam baixa inflação estavam errados.

Assim, é muito fácil imaginar que, quando os números da economia começarem a aparecer, em más ou pelo menos em condições desapontadoras, os trumpistas irão afirmar que foram sabotados pela estrutura do Estado e farão pressão sobre as agências de estatísticas “to cook the books” (alterar dados ou números ilegalmente).

Rápidas:

Uma maneira de saber que os números da inflação oficial estavam corretos e os dos verificadores da inflação errados era que as estimativas independentes da inflação, que foram desenvolvidas para rastrear os preços em países cujos governos de fato alteravam os dados, batiam de perto com o Índice de Preços ao Consumidor.

Mais acerca da história do Projeto de Preços Bilionário, que foi tão útil para mostrar que a inflação da era Obama não foi subestimada – e poderia nos ajudar a acompanhar se os trumpistas forem, de fato, pressionar as agências governamentais de estatísticas.

Uma razão para que isto ocorra é que as tarifas da era Trump estão agora começando a atingir os preços ao consumidor e poderão significar, de algum modo, inflação mais alta por enquanto.

Por outro lado, algumas estatísticas são meio falsas, embora não sejam falsificadas: uma grande parte do investimento externo registrado é “investimento fantasma”, criado para evitar o pagamento de impostos.

Paul Krugman foi laureado com o Nobel de economia em 2008.

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