Porta-aviões americano no Golfo é alvo e não ameaça, afirma comandante iraniano

Guerra de palavras se intensifica, mas um anterior almirante americano na área não espera um agravamento da situação a despeito dos exageros da mídia.

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O USS Abraham Lincoln navega ao sul do Canal de Suez, em 9 de maio último, a caminho do Golfo Pérsico (Autoridade do Canal de Suez via AP).

“A presença militar dos EUA no Golfo costumava ser uma séria ameaça, mas atualmente representa apenas um ‘alvo’ e uma ‘oportunidade’", afirmou um graduado comandante da Guarda Revolucionário Iraniana, trazendo à tona a retórica de que as forças dos EUA são líderes na região.

Enquanto isso, um anterior alto oficial de defesa americano alertou no domingo (12 de maio) para o “risco real” do erro de cálculo em um dos lados à medida que a guerra de palavras se intensifica.

Os militares americanos deslocaram tropas, inclusive um porta-aviões e bombardeiros B-52, para o Oriente Médio em um movimento que oficiais americanos afirmaram ser para se contrapor às “claras indicações” de ameaças do Irã a suas tropas na região.

O USS Abraham Lincoln veio substituir outro porta-aviões retirado do Golfo no mês passado.

Um porta-aviões que carrega, pelo menos, 40 a 50 aviões e 6.000 homens a bordo era uma séria ameaça para nós no passado. Todavia, agora passaram a ser um alvo e as ameaças se tornaram oportunidades”, disse Samir Hajizadeh, chefe da Guarda Revolucionária na Força Aérea iraniana.

Se (os americanos) fizerem um movimento, nós vamos acertá-los na cabeça”, acrescentou, de acordo com a Agência de Notícias dos Estudantes Iranianos (ISNA).

Falando à CNBC, em uma entrevista que tinha sido programada para ir ao ar na segunda-feira (13 de maio), o Secretário de Estado americano Mike Pompeo informou que os deslocamentos militares aconteceram em resposta a informações da inteligência sobre o potencial de ataques iranianos e visavam detê-los e capacitar-nos a responder, caso necessário.

Nós vimos essas reportagens”, informou Pompeo. “São reais. Parece ser algo atual, isto é, coisas com as quais estamos preocupados atualmente. Na eventualidade de o Irã decidir atacar algo do interesse americano – seja no Iraque, Afeganistão, Iêmen ou qualquer outro local no Oriente Médio – estaremos preparados para responder de modo apropriado”, disse ele, acrescentando: “nosso objetivo não é a guerra”.

‘Guerra psicológica’

William Fallon, ex-chefe do Comando Central dos EUA, disse à Al Jazeera que não espera que a situação entre Irã e os EUA entre em uma escalada, a despeito “dos exageros mídia”.

Fallon disse ainda que as tensões entre Teerã e Washington cresceram durante décadas e ele não viu qualquer desfecho, apesar da recente retórica de ódio em ambos os lados.

Reportagens ridículas” estavam exagerando a situação no Golfo quando, de fato, temos o mesmo cenário militar que temos tido por anos entre esses dois arquirrivais, comentou.

Os EUA têm entrado e saído do Golfo durante décadas e estão comprometidos com uma passagem bem aberta, clara e livre para navios no Golfo”, informou Fallon.

O Parlamento iraniano realizou uma sessão fechada no domingo (12 de maio) para discutir o desenvolvimento da situação no Golfo.

Heshmatolá Falahatpishé, que lidera a influente Comissão Parlamentar de Segurança Nacional e Política Exterior, repassou à Agência Oficial de Notícias, IRNA, que o Irã não estava buscando aprofundar a crise.

Ele disse que a posição dos EUA se enfraqueceria com o tempo, e que não há atualmente quaisquer condições para negociações com Washington.

O major-general Hossein Salami, indicado para liderar a Guarda Revolucionária no mês passado, informou ao Parlamento que os Estados Unidos tinham iniciado uma guerra psicológica. “O comandante Salami, em relação à situação na região, apresentou uma análise que mostrou que os americanos tinham iniciado uma guerra psicológica dado que as idas e vindas de seus militares é uma questão normal,” disse seu porta-voz Behruz Nemati.

Consequências não previstas

Robert Gates, ex-secretário de defesa dos EUA, disse à CBS News que qualquer erro de cálculo das forças militares no Golfo seria, de fato, “um risco real agora”.

Gates disse que um conflito entre os EUA e o Irã poderia ter “tremendas consequências não previstas para o Oriente Médio”, o que seria “por demais perigoso”.

Os Emirados Árabes Unidos informaram que quatro navios comerciais foram vítimas de “operações de sabotagem” no último domingo (12 de maio), mas não foram identificados os responsáveis.

O incidente, no Golfo de Omã, ocorreu conforme os EUA tinham alertado: “o Irã ou algum de seus aliados teriam como alvo o tráfego marítimo na região”.

O ministro da energia de Israel Yuval Steinitz disse que as coisas estavam esquentando no Golfo.

Se ocorrer algum tipo de conflagração entre os EUA e o Irã, entre o Irã e seus vizinhos, não descarto a hipótese de eles ativarem o Hesbollá e a Jihad Islâmica de Gaza ou mesmo eles irão tentar lançar mísseis do Irã sobre o Estado de Israel”, disse Steinitz, que é membro do gabinete de segurança de Israel, à Ynet TV.  


Ali Younes, da Al Jazeera, contribuiu para esta matéria

Traduzido do Inglês por A. Pertence    

 

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