Nem tudo são ‘flores' no mundo da imagem. Se não houver preparo emocional, o que pode sobreviver é profunda melancolia

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O belo rosto de Carmen Silvia de Barros Ramasco, em momento ainda como competidora ao certame do Miss Brasil 1967. Nesse periodo, ela chegou a pegar uma gripe violenta, alem de ter sido antipatizada lamentavelmente

Explodindo sucesso nos badalados palcos, as misses municipais de 2011 deram um show de apresentação com suas belezas nos últimos concursos estaduais. E no dia da final do ‘Miss Brasil 2011', as vencedoras dos certames regionais se reuniram para concorrer, em acirrada disputa. Neste ano, o concurso foi em São Paulo-SP, e a felizarda do estado sede conquistou o 4º lugar - Rafaela Gomes Butareli, de Marília - sendo uma das grandes favoritas do público. A vitória coube Priscila Machado, do Rio Grande do Sul.
Nesse clima do concurso, as meninas que se sagram como miss são cheias de sonhos e esperanças, e acabam criando expectativas de que o mundo da imagem pode ser ‘fada madrinha', mas nem sempre é essa a realidade, pois concursos de beleza direcionam bastantes meninas para muitas alegrias sim, mas também levam outras para grandes decepções, sejam elas quais forem.Devido ao fato de que a população nacional permanece sob o êxito do concurso de beleza do último sábado, 23/07/2011 - que foi realizado em terras paulistas - e também está as voltas por causa do Miss Universo 2011 - que será feito esse ano no Brasil, em cenário também paulista - este artigo discursa sobre a 1ª candidata desse rico e próspero estado, que venceu o oficial concurso de Miss Brasil, isso em 1967, numa época em que os concursos de misses eram tão famosos mundialmente como são os reality shows hoje em dia. Trata-se de Carmen Sílvia de Barros Ramasco, considerada como uma das mais bonitas misses paulistas de todos os tempos, e que inclusivelmente, teve um reinado que pode servir de lição para muitas meninas que mergulham no mundo das misses, e também como exemplo de que nem tudo é tão lindo nesse universo do glamour, como muitas pessoas idealizam.

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Carmen desfilando na longa passarela do 'Miss Brasil 1967' ja eleita. Diante das arquibancadas e do publico todo, enfrentou as vaias, os protestos e insultos, alem da laranja que nela atiraram, mas que nao a acertou

Carmen Sílvia é a 3ª filha de Carlos Ramasco e Íris de Barros Ramasco, sendo irmã caçula de Neusa e Carlos Afonso, e tendo nascido em Campinas, na data de 07-04-1946. Antes de ser miss, Carmen foi campeã paulista de voleibol, e guardava diversas medalhas que conquistou na natação, desde os 6 anos, quando ainda era criança. Ela estudou em escola de freiras, no Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Campinas. Carmen, que desfrutava de uma vida simples em Campinas, apreciava bossa-nova e cinema, também freqüentava o Tênis Clube de Campinas (TCC), e foi representando este clube, que ela conquistou o feito como Miss Campinas 1967. Na verdade, a campineira que trabalhava como secretária, tinha outros planos naquele momento, como o de estudar psicologia, mas isso foi interrompido por causa do concurso. Sua tradicional família foi contra a sua participação em concurso de miss, já que naquela época, não era bem visto pelas famílias conservadoras, os tais desfiles de belezas plásticas. Mas a pressão familiar não foi tão grande e Carmen acabou se sagrando como miss.
Eleita Miss Campinas 1967, Carmen teria de representar sua cidade natal no concurso estadual de beleza, com sua fisionomia clássica, de rosto composto por belos traços delicados, olhos azuis e cabelos loiros, além de seus 1 metro e 73 centímetros de altura, 63 kg, 94 cm de busto e quadris, 61 de cintura, 56 de coxa e 21 de tornozelo. Naquele ano, São Paulo foi o último estado a eleger a sua miss, tendo sido feita a sua eleição em cerca de 10 dias antes do miss Brasil. E foi nos bastidores do concurso estadual, que Carmen começava a ver que nem tudo era ‘flores' no mundo das misses. Ela e as demais candidatas municipais foram tratadas com uma severidade muito alta, chegando a ser desrespeitosa. A partir daí, a campineira via o seu sonho acabar, pois sabia que para manter a disciplina não era necessário que a organização agisse com tanta indelicadeza e brutalidade com ela e as demais competidoras.

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A beleza, educacao, personalidade e simplicidade da moca do estado paulista, foram fatores fundamentais para que a comissao julgadora composta de 11 juizes escolhessem dar o titulo maximo da beleza nacional para ela

No dia da final do ‘Miss Estado de São Paulo 1967', Carmen Sílvia era considerada a favorita do público paulista. A ocasião foi no Ginásio do Palmeiras (SP), este que estava lotado de pessoas. As próprias candidatas estavam certas de que a campineira provavelmente seria a vencedora. E não tinha para mais ninguém e a concorrente de Campinas venceu o campeonato. O seu desfile como a nova miss paulista, foi marcado pelos aplausos e aprovações de todos os que estavam ali presentes. Ali, se despedia da faixa estadual, Tânia Maria Zattar (que defendeu o estado no Miss Brasil 1966, sendo semifinalista). O prêmio que Carmen iría ganhar como vencedora seria um automóvel, mas tal recompensa pela vitória nunca apareceu, e Carmen ficou sem sua viatura.

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Carmen, ao renunciar os cargos de beleza, parou com as atividades de miss e voltou para sua cidade, Campinas. Se uniu ao companheiro Jose Roberto Jacobucci, e ambos estao nesse retrato, em julho de 1969, em Campinas

A próxima etapa da paulista de Campinas, seria participar do ‘Miss Brasil 1967', cuja final seria dia 1º de julho, no maracanãzinho. Como ela foi a última miss estadual eleita, quando chegou ao Rio de Janeiro-RJ na concentração do concurso, não foi lá tão bem recebida. Diziam às más línguas que ela foi a ultima miss a chegar só para fazer charme e chamar a atenção. Carmen Sílvia terminou sendo antipatizada por outras competidoras por causa disso, e acabou ficando de lado. Para piorar ainda mais, na véspera da final, a paulista estava com 39 graus de febre, devido a uma gripe violenta, o que a poderia ter feito ausentar-se do concurso, mas isso não aconteceu, pois ela participou e venceu a ocasião. No dia do desfile, um espetáculo marcado por muita elegância foi realizado. Eram 25 candidatas. Ali, se despedia da faixa nacional, Ana Cristina Ridzi (que defendeu o país no Miss Universo 1966). E logo que a campineira entrou na passarela, muitos disseram ‘Ela vai ganhar'. Desfilou com traje de banho e típico, além do belo traje de gala, que era branco, reto, e com bordados. Carmen se destacou não só pela beleza, mas também por sua personalidade dotada de um bom nível disciplinar, intelectual e cultural. O momento da vitória de Carmen Sílvia Ramasco foi marcada por desaprovações do público, já que as pessoas em geral torciam pela 4ª colocada, Anísia Gasparina da Fonseca, a Miss Brasília, esta que marcou também por ter sido a 1ª miss a chamar tanta a atenção por ser de família muito humilde, além de trabalhar como empregada doméstica. Até uma laranja foi atirada em Carmen Sílvia no momento em que ela desfilava na passarela depois de eleita. As vaias e a laranja - que por pouco a atingiu - foi outro momento desagradável durante a fase como ‘miss' da paulista. E o carro, um ‘Volkswagen', que era um dos prêmios do concurso - além de 24.000 cruzeiros -, ela recebeu somente 4 meses depois.
Carmen Sílvia teve somente 2 dias para preparar a documentação e fazer compras em butiques para viajar para Miami (EUA) para concorrer à ‘Miss Universo 1967'. Em Miami, na concentração do evento, foi sem dúvida, os piores momentos de seu reinado. Carmen viajou acompanhada de sua irmã Neusa, que tal como ela, falava pouco inglês. Por causa disso, a campineira precisaria ter um representante do concurso o tempo todo para ajudá-la nos EUA, mas infelizmente ela ficou só. Assim que chegou no Aeroporto, não havia ninguém para ajudá-la a chegar ao hotel que ficaria hospedada. Carmen ficou cerca de 20 dias quase que isolada, e sua irmã teve de ficar em quarto separado. Sua ficha de medidas que precisaria ser convertida em polegadas, não foi conferida por ninguém. Nesse período, as 56 misses nacionais tinham que participar dos ensaios durante o dia, e a noite eram proibidas de sair do quarto. As demais misses tiveram seus intérpretes durante uma entrevista com o júri, mas a brasileira não, que acabou ficando calada o tempo todo, só se pronunciando depois, quase no término da entrevista, quando apareceu um jornalista brasileiro. No dia da final, em 15 de julho, Carmen Sílvia queimou as pernas com água-viva enquanto as outras concorrentes se reuniam na praia para serem fotografadas. Depois, numa entrevista para a TV, Carmen disse à um repórter que falava em espanhol: "Eu gosto das reuniões que engloba ao mesmo tempo vários países e também de cultivar amizades, mas não penso na possibilidade em ser eleita Miss Universo". Ela disse isso, pois depois de tantas tristezas adquiridas, mais uma vitória como miss não seria nada tão oportuno de forma positiva em sua vida. Inclusive, no desfile final, a paulista levou um tremendo susto, pois um ventilador caiu sobre ela, o que quase a fez desmaiar. Na mesma noite da final, Carmen foi avisada de que sua hospedagem no hotel seria até o dia seguinte, e que se ela quisesse sair para passear e conhecer a cidade, ‘que se virasse', para então espairecer depois de tantos dias ligada à hospedaria. Apesar de tudo, a brasileira conseguiu seu lugar entre as 15 semifinalistas, mas ficou de fora das 5 finalistas. E conquistou como miss para o Brasil, um 1º prêmio "BEST NATIONAL COSTUME", que é o mérito para o melhor traje típico. A fantasia era um ‘Bandeirante estilizado' - que ela já tinha usado antes no Miss Brasil - sendo composto em sua vestimenta por minissaia, blusão e chapéu branco. Ali, se despedia da faixa universal, Margareta Arvidsson (da Suécia). Venceu a candidata do país-sede, a miss Estados Unidos, Sylvia Louise Hitchcock.

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Na companhia do Padre Chiquinho (de Campinas), Carmen juntamente com a filha primogenita Cristiane Ramasco Jacobucci. Isso, em fins de 1969. A ex-miss, que sofrera com o reinado de miss, passa a se dedicar a familia

Carmen retornou para o Brasil - chegando a protagonizar um comercial para a TV, de produtos de maquiagem da cosmética ‘Helena Rubinstein' - e começou a cumprir seus compromissos como miss, participando de eventos e ocasiões gerais pelo Brasil. Isso fazia parte de seu contrato, que acabaria só no ano seguinte, quando houvesse a nova eleição de miss Brasil. Carmen tinha um salário fixo de 2.000 cruzeiros mensais, e isso era um contrato de trabalho como miss, e ela tinha que estar à disposição dos organizadores do concurso à qualquer hora do dia ou da noite. Porém, em todas as vezes que participava de eventos nas capitais dos estados, era cobrado um ‘cachê altíssimo', e ela começou a sentir a hostilidade por parte de certas pessoas, que faziam comentários do tipo "Quem ela pensa que é para cobrar esta fortuna?". Com tudo isso, ela se sentiu péssima, como se fosse um ‘objeto' que tinha de enriquecer a indústria dos concursos de miss. Visando que estava participando de um jogo o qual ela era a peça principal, Carmen ficou desiludida e magoada e resolveu parar de viajar. Começou a denunciar os organizadores do concurso através da imprensa, inclusive na televisão. Nessa lamentável situação, ela não tinha mais motivo para dar continuidade à seu reinado, e renunciou ao título antes de concluí-lo. Voltou rumo à sua vida normal em Campinas. Se uniu ao companheiro, o ortodontista José Roberto Jacobucci, e vieram filhos depois. Carmen Sílvia Ramasco, uma sensível pessoa que não estava preparada para enfrentar o que aturou durante seu reinado, é com certeza um dos grandes exemplos de pessoas que sofreram no mundo da ‘beleza'. Depois, passou por alguns momentos difíceis durante sua vida, até os dias atuais. Mas a existência humana não é prazerosa sempre. Isso é para com todos, infelizmente.
E aproveitando que há poucos dias aconteceu a edição 2011 do miss Brasil, o objetivo do espaço desta página foi - além de reconhecer o valor humano e do feito da 1ª Miss Brasil oficial oriunda do estado paulista, ‘Carmen Sílvia de Barros Ramasco' - também o de alertar as meninas que sonham com o mundo das passarelas e da beleza, e que almejam seriedade e consideração por parte das pessoas que atuam na produção e organização desse ramo, pelos bastidores. É necessário que estejam preparadas, já que nem todas tem tanta sorte. As decepções muitas das vezes são bastantes, e as alegrias, acabam sendo poucas em certos casos - como foi com a ex-miss Brasil Carmen Sílvia de Barros Ramasco. O ser humano tem a tendência em criar expectativas em alguma atividade que ele conquista, mas depois quando percebe que estava iludido, se frustra. E dependendo do grau de frustração, ele pode vir talvez a se transformar até mesmo numa pessoa ‘amarga', e todos nós precisamos tomar muito cuidado com isso. Principalmente as pessoas mais sensíveis e que são portadoras de muito amor para transmitir aos outros, mas que nem sempre recebem em troca esse mesmo sentimento de afeto humano. Para evitar uma sobrecarga de tristezas, é necessário enxergar que nessa vida nem tudo são ‘flores', e inclusive em qualquer área do mundo fashion, em que somente a ‘bela imagem' é tida como o valor maior.


Raphael Guedes Marinho.

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