Arte é liberdade

Não foram poucos os que se entusiasmaram com o slogan de que “a pintura estava morta”, frase que o próprio tempo se encarregou de soterrar. O mais curioso é que muitos artistas, ao contrário de se debater publicamente contra esse tipo de ideia, simplesmente se voltaram para os ateliês para produzir mais e melhor.

https://jornalorebate.com.br/19-10/art.jpg

Surgiram assim criações feitas sem o intuito de resistência, mas apenas – o que não é pouco – como uma necessidade visceral de manifestação de vida. Valorizam a arte naquilo que ela tem de melhor, ou seja, a capacidade de estabelecer um diálogo com o mundo.

Num momento muito especial, em que ocorre uma tolerância em relação a qualquer tipo de manifestação e se vive uma falta de paradigmas para estabelecer o que pode ser considerado bom ou ruim, a tendência é o isolamento. Cada grupo realiza as suas composições, bate palmas para si mesmo e perde a noção do todo.

A postura é muito mais de desconstrução do que de construção. Com a ausência de critérios rígidos de avaliação – já que eles foram abolidos ou estão em crise na pós-modernidade, encerrada, para alguns com a derrubada das Torres Gêmeas – cada ato se torna uma ação pretensamente única e isolada.

As obras pictóricas contemporâneas, nesse contexto, propõem cada vez mais sugestões, criando novas problemáticas e indagações e possibilitando menos respostas prontas – o que parece bastante saudável e está afinado com o chamado vanguardismo do pós-moderno, que lida de nova maneira com o conceito de buscar o estabelecimento de possíveis novas verdades ou métodos.

A tendência é ressaltar que não existe garantia de que se possa chegar a respostas universais e imutáveis. As obras atuam então numa encruzilhada. De um lado, a procura por algum tipo de verdade existencial e artística; do outro, o desafio de lidar com a existência cotidiana.

O pensamento crítico sobre o sentido da verdade, em seu sentido filosófico, e sobre a realidade, enquanto consciência política, social e econômica, gera uma arte marcada por uma intensa força vital no sentido de buscar uma aceitação crítica das instituições, mas sem perder a liberdade ccriativa.

Ser livre significa ter o poder de acreditar em muitas coisas. Esteja a pintura morta ou não, a arte de qualidade permanece. Encontrá-la é o desafio proposto. Cada criação é a manifestação de um olhar sobre o mundo absolutamente pessoal que se dá entre o sonho de um artista e a sua capacidade de lhe dar uma concretude visual.


Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

publicidade
publicidade
Crochelandia
Visitantes desde fevereiro de 2006:
33771593

Blogs dos Colunistas

-
Ana
Kaye
Rio de Janeiro
-
Andrei
Bastos
Rio de Janeiro - RJ
-
Carolina
Faria
São Paulo - SP
-
Celso
Lungaretti
São Paulo - SP
-
Cristiane
Visentin

Nova Iorque - USA
-
Daniele
Rodrigues

Macaé - RJ
-
Denise
Dalmacchio
Vila Velha - ES
-
Doroty
Dimolitsas
Sena Madureira - AC
-
Eduardo
Ritter

Porto Alegre - RS
.
Elisio
Peixoto

São Caetano do Sul - SP
.
Francisco
Castro

Barueri - SP
.
Jaqueline
Serávia

Rio das Ostras - RJ
.
Jorge
Hori
São Paulo - SP
.
Jorge
Hessen
Brasília - DF
.
José
Milbs
Macaé - RJ
.
Lourdes
Limeira

João Pessoa - PB
.
Luiz Zatar
Tabajara

Niterói - RJ
.
Marcelo
Sguassabia

Campinas - SP
.
Marta
Peres

Minas Gerais
.
Miriam
Zelikowski

São Paulo - SP
.
Monica
Braga

Macaé - RJ
roney
Roney
Moraes

Cachoeiro - ES
roney
Sandra
Almeida

Cacoal - RO
roney
Soninha
Porto

Cruz Alta - RS