A síndrome do Capitão do Mato

Desde priscas eras de nossa história, o trabalho escravo foi a base da mão-de-obra utilizada e um dos vetores do crescimento da economia e da exportação de riqueza.

Uma figura teve nesse cenário um papel essencial na preservação da mão-de-obra - o Capitão do Mato - que podia ser um branco a serviço remunerado do senhor de engenho ou de qualquer outro empreendimento ou ainda um escravo liberto ou não que, em troca de uma porção a mais de comida, botas, um par de roupas vistosas saía a caça de seus antigos camaradas fugidos. Caçava e levava os escravos foragidos de volta à senzala para o espancamento, a tortura e outros sofrimentos.

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Um Capitão-do-mato negro

O brasileiro tem marcadamente a síndrome do Capitão do Mato, sem que obtenha qualquer vantagem em troca. A sociedade brasileira odeia pobres que são meros frutos da ação concentradora de riqueza de uma minoria. Faz coro com os extremistas de direita e com os programas sensacionalistas de rádio e TV que odeiam os alunos das escolas públicas.

Quanto mais ignorante o povo, mais aceita a corrupção como natural e imbatível. O povo também pobre, sem o assumir, se posiciona contra o aluno pobre de escola pública. Faz o jogo do contente e do poder.

Em alguns estados da federação existe a Polícia Militar que é chamada para manter os alunos pobres sob controle e calados. Os governadores autorizaram e criaram esquadrões da PM só para essa finalidade, mas não nas escolas particulares, é claro!

Nas escolas particulares há segurança própria para proteger o corpo de alunos. Nas escolas públicas lá está a PM para agredir alunos.

E por que a educação e os alunos pobres são tão agredidos por aqui? Não é só aqui. Há que se ter uma visão sistêmica: o modelo existe em toda a América Latina, África e sul da Ásia. Afinal, as elites do Centro precisam que seja assim. Este modelo viabilizou e ainda viabiliza a formação da riqueza das minorias nesse mundo capitalista.

Uma educação de qualidade ensina a pensar, desperta sonhos e projetos. A elite não aceita admitir que crianças pobres sequer sonhem com avanços sociais que possam tirá-los de seu lugar. A elite exige sua mão-de-obra. 

Capitães do Mato eleitos

Nesses últimos tempos temos visto Capitães do Mato no comando de diferentes ditaduras em diferentes partes do mundo. Não bastasse isso, chegamos ao absurdo de ver sociedades teoricamente democráticas elegerem Capitães do Mato para dirigi-las. O Brasil é um belo exemplo desta aberração.

O Capitão do Mato brasileiro, ainda durante sua campanha eleitoral, declarou ser favorável à tortura como seus predecessores na colônia a praticavam.

Revelou também sua admiração pelo maior torturador da última ditadura brasileira – 1964 a 1985 – um tal coronel Brilhante Ustra. Esses fatos eram de conhecimento de seus eleitores quando chegou a hora do volto.

Eleito, o atual Capitão do Mato brasileiro tomou imediatas providências para a imposição da reforma da previdência, tendo em conta apenas os interesses de banqueiros e empresários. Em momento algum os atuais e futuros trabalhadores foram chamados a participar de um debate franco e aberto sobre tema de seu grande interesse, provando que o regime comandado pelo atual Capitão do Mato não é democrático.

É do grupo do Capitão do Mato a autoria da máxima eivada de chantagem: “empregos sem direitos ou direitos sem empregos”. Vieram em menos de 4 meses de governo o fim de diferentes programas sociais, os cortes na educação e saúde públicas e tudo faz crer que mais cortes nas áreas sociais estão por vir. A tudo isso some-se a absurda e ilegal liberação do porte de armas de fogo em uma sociedade já tão armada clandestinamente.

O atual Capitão do Mato foi eleito em fins de 2018 e deve ficar no cargo até o início de 2023. A presença da figura do Capitão do Mato traz à cena um retrocesso secular, a uma sociedade que se acreditava estar avançando. Não, não está. Decepcionante para todos, mesmo aqueles que optaram pelo retrocesso, estar vivendo neste país nesta quadra da história com H minúsculo.

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