18 de março de 1871 – Paris, da insurreição à Comuna

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No dia 18 de março de 1971, um motim explodiu em Paris, na colina de Montmartre. Adolphe Thiers, então chefe do governo provisório da República, desiste de reprimi-lo e parte para Versailles com toda sua equipe de governo. É a isca para a “Comuna”. Apesar de tudo, mestres da capital, os revolucionários e militantes socialistas e os trabalhadores iriam oferecer à burguesia republicana a oportunidade de se livrar de uma vez por todas da “questão social”. Isto custaria 20.000 vítimas.

image 10Uma barricada próxima de Charonne, em 18 de março 1871 (Foto da Biblioteca da Cidade de Paris)

 

Provocações

No outono anterior, depois de capturar o imperador Napoleão III e seu exército em Sedan, os prussianos cercaram a capital e o governo de defesa nacional, que se refugiou em Bordeaux e concordando em assinar o armistício.

Os vencedores se concederam o direito de desfilar em 1º de março 1871, em Paris, em uma capital enlutada, perante estátuas recobertas com um véu negro. Os parisienses ruminavam sua humilhação. Após terem sustentado um cerco muito penoso, eles se sentiam traídos por seus governantes.

A Assembleia eleita outra vez e onde predominavam monarquistas atiça as tensões. Após a parada dos combates contra os prussianos, ela se nega a voltar a Paris e abandona Bordeaux indo para ... Versailles, a cidade real!

Desde o amanhecer, entre suas primeiras medidas, o governo eliminou, sem aviso, a moratória sobre o reembolso dos efeitos sobre o comércio e os aluguéis que tinha sido criado no início da guerra. Eliminou também a indenização devida à Guarda Nacional (30 moedas por dia). Ora, em Paris, a Guarda Nacional reunia nada menos de 180.000 homens oriundos da pequena burguesia e do mundo operário que se puseram como voluntários para defender a capital contra o inimigo e que estavam habituados a viver em armas.

Massacre

A temperatura de atmosfera subiu. Thiers, decidiu recuperar 227 canhões financiados pelos parisienses para a defesa da capital. A Guarda Nacional os havia posto aos pés das colinas de Montmartre e de Belleville para que estivessem fora do alcance dos prussianos quando de sua entrada na capital.

No sábado, 18 de março, Thiers enviou uma coluna de 4.000 soldados com a ordens de recuperá-los. Soou o alarme. A multidão se reuniu. Os soldados debandaram ou se alinharam à gente comum.

O general Lecomte que comandava uma das brigadas, foi feito prisioneiro. O outro general, Clément-Thomas, que caminhava pelas avenidas, foi, por seu turno, detido pelos desordeiros; foi acusado de ter participado da repressão de junho de 1848. Às 17 horas, os dois homens foram executados pela multidão.

Ocorreram tumultos ao mesmo tempo em outros locais de Paris. Adolphe Thiers evitou reprimi-los. Quem sabe ele tenha avaliado que a iniciativa fosse muito arriscada tendo apenas 30.000 soldados cuja fidelidade fosse incerta em vista dos 150.000 homens da Guarda Nacional? Ele ordenou então que o exército e os corpos regulares evacuassem a capital. A evacuação começou antes mesmo da execução dos generais Lecomte e Clément-Thomas. Foi encerrada na mesma tarde.

Confusão

Abandonada pela República, Paris voltou a acreditar nos militantes jacobinos nostálgicos da Grande Revolução (a de 1789), nos anarquistas, nos socialistas e nos utópicos. Vendo o vazio do poder, esses militantes, em número de trinta, se reuniram em grande confusão no Hotel de Ville.

Organizaram eleições municipais para 26 de março, porém a maioria dos parisienses estava desinteressada (229.000 votantes para 485.000 inscritos). É verdade que muitos burgueses não votaram para poderem fugir da cidade.

A Comuna é, no entanto, proclamada em uma sequência de eleições em 28 de março de 1871. Ela é representada por uma assembleia de 79 eleitos e seu nome faz referência à Comuna Insurrecional que pôs abaixo a realeza em 10 de agosto de 1792.

A capital teve então de suportar um segundo cerco, não dos prussianos, mas do exército francês. O cerco levaria a uma tragédia dois meses mais tarde, a Semana Sangrenta. Esse ferimento jamais cicatrizou e continua a separar a França em esquerda e direita.

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