Em vivacidade ao 200º aniversário de Macaé: enaltecimento à Maria das Graças Valença

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Gracinha fazendo pose de maio, reinando como a rainha da beleza macaense 1965.

Depois do sucesso de Sílvia Valadares Mota Maia (Miss Macaé 1963 e 3ª colocada no evento do Miss Estado do Rio 1963, no ginásio do Caio Martins, de Niterói) e de Jane Maria Martins (Miss Macaé 1964 e 2ª posicionada no concurso estadual naquele ano, também no Caio Martins), a Miss Macaé de 1965 foi eleita sob muitas expectativas, devido aos êxitos anteriores conquistados pelas macaenses no referido local, que seria neste novo ano também a próxima sede do desfile estadual que a futura rainha da beleza macaense iría enfrentar.

Fazendo uma análise: se em 1963 os munícipes viram sua miss ser a 3ª mais bela do estado, e em 1964 a outra miss avançou uma classificação a mais na colocação, eles estavam esperançosos de que a Miss Macaé 1965 progredisse mais uma posição (como uma extensão de pontos melhorados a cada ano), ou seja, fosse eleita em 1º lugar como a Miss Estado do Rio 1965, e participasse do espetáculo do Miss Brasil 1965 e quem sabe, fosse a eleita. Mas infelizmente, as oportunidades não foram tão triunfadas para a representante da beleza feminina macaense de 1965, porque foi esquecida pelo júri estadual, portanto não foi incluída entre as 9 misses selecionadas no dia da final do concurso do (antigo) Estado, sendo eliminada na 1ª fase. Portanto, não vingou Jane e Sílvia, suas antecessoras de 1964 e 1963, respectivamente.
A Miss Macaé 1965 se chama Maria das Graças Valença, e é nascida no município macaense. Tendo vindo ao mundo em 17/02/48, tinha 17 anos quando foi miss – um ano a menos que o exigido pelo regulamento do concurso (o que a pode ter prejudicado, ajudado em ter sido desclassificada pelos juízes no concurso estadual).

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Gracinha em desfile de vestido social, na competicao do Miss Estado do Rio 1965, em que ela competiu, defendendo a sua cidade natal, Macae.

O percurso de Maria das Graças – apelidada por “Gracinha” – como miss, iniciou quando ela foi convidada a suceder Jane Martins no posto de Miss Ypiranga Futebol Clube. Gracinha, que era uma moça que gostava de freqüentar os clubes da cidade na época, resolveu encarar o desafio de ser a representante do citado clube no desfile municipal, que seria realizado no próprio. No dia do evento, eram cerca de 6 misses, representando seus clubes. Na apresentação em vestido de baile, Gracinha estava com um traje em tons cinzas. Já na aparição em roupa de banho, ela usou um maiô negro. Na ocasião, a Vice-Miss Estado do Rio 1964, Jane Maria Martins teve duas importantes missões: a 1ª foi a de ter sido juíza (era ela e mais 6 jurados, inclusive a socialite macaense Magdá Pereira Garcia, falecida em 09/08/2003, aos 85 anos) e ter tido a oportunidade de avaliar para escolher quem seria a sua sucessora; e a 2ª missão foi justamente entregar a faixa à nova miss 1965 – Gracinha, felizarda do concurso. Jane Maria a deu um certo apoio, demonstrou sua amizade com ela no que precisasse em suas obrigações como miss, pois havia sido miss durante um ano inteiro e sabia como uma miss devia agir perante a sociedade. “A convivência com Jane foi maravilhosa. Me recordo positivamente dela, como miss e pessoa. Realmente muito triste ela ter partido cedo num acidente, atropelada por um ônibus no Rio de Janeiro-RJ. Fiquei chocada na época quando soube do seu óbito. Era muito nova, estava com 32 anos quando faleceu, e tinha vários filhos pequenos para cuidar. Ficou bem conhecida em Macaé e no Estado, por ter competido e tirado 2º lugar no concurso Miss Estado do Rio 1964”, relembra Gracinha sobre a memória de Jane, que hoje é patrona de uma Avenida em Rio das Ostras-RJ (cidade-limítrofe à Macaé): a ‘Avenida Jane Maria Martins Figueira’, no Bairro Jardim Mariléa.

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Gracinha de traje de banho, no periodo em que foi Miss.

A trajetória posterior de Gracinha seria defender as cores macaenses no evento estadual, no dia 12/06/1965, num certame ao todo com 21 candidatas. Gracinha ostentou um vestido branco na etapa da elegância, e no desfile de plástica corporal, trajou um maiô azul. A euforia de que ela vencesse não se concretizou – como dito antes – mas o que importa é que defendeu sua cidade natal. A Miss Macaé 1965 não demonstra melancolia por não ter ganho o desfile e nem por ter sido desclassificada pela equipe julgadora. Ganhou a Miss Niterói, Ilce Ione Hasselmann, que foi a 5ª colocada no concurso Miss Brasil 1965. “Quando foi anunciada a vitória da vencedora como a representante máxima da beleza fluminense, a coroação aconteceu entre aplausos, mas também de vaias de torcidas rivais, pelo o que me lembro muito vagamente. Isso, porque não prestei atenção nesses detalhes, e hoje, 48 anos depois, posso até estar equivocada”, diz a Miss Macaé 1965. “O que recordo daquele evento são outras coisas, como por exemplo, os meus desfiles realizados no ginásio, de traje de gala e banho”, explica a ex-miss Macaé.
Sobre o certame do ‘Miss Estado do Rio 1965’, foi um concurso em que tudo terminou com a satisfação de todos os que o apreciaram – no ginásio, eram mais de 8 mil pessoas. Apesar de a macaense não ter sido incluída no TOP 9, porém o veredicto final agradou à população fluminense – segundo os registros históricos daquela época. Às 3 horas da madrugada que o resultado final foi pronunciado. Na mesa julgadora, nomes como a Miss Brasil 1959, Vera Regina Ribeiro (oriunda de Vila Isabel-RJ, foi a 5ª classificada no Miss Universo 1959) – a jurada mais referendada pelo público presente no Caio Martins. E Jane Maria Martins foi quem entregou a faixa à nova miss estadual. Isso, porque a Miss Estado do Rio 1964 (Cecília Rangel Martins da Rocha, de Cambuci; que em 1963 foi Miss Mello Tênis Clube e 7ª posicionada no Miss Cidade-Estado da Guanabara) desmaiou no palco após receber a estátua de Vênus de Milo, por ter sido a rainha da beleza fluminense 1964 e 6ª colocada do Miss Brasil 1964. Mas Cecília, mesmo emocionada, chorosa e quase caindo no palco, conseguiu colocar a coroa em sua sucessora, num esforço espetacular, o que surpreendeu à todos. E a sucessora no posto estadual como vice, de Jane Maria, foi a competidora de Campos dos Goytacazes, Tereza Cristina Henriques, 2ª colocada, Vice-Miss Estado do Rio 1965.

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Foto tirada no dia 11 de dezembro de 2011, a socialite macaense Tania Maria Schueler ('TSchueler', a ruiva) e a Miss Macae 1965 Gracinha Valenca (a morena), num almoco no Lions Clube Macae Imbetiba.

O vigor de Maria das Graças Valença como rainha da beleza macaense durou dois anos, pois a cidade só veio conhecer uma outra miss em 1967 (Marialva Neto, 8ª colocada no Miss Estado do Rio daquele ano). Durante seu mandato de miss, Gracinha realizou bastantes atividades e o município na época a poderia ter valorizado mais ainda. Mas no dia 29 de julho de 1965, quando a cidade comemorou seu 152º aniversário, a Miss Macaé 1965 desfilou em carro aberto apoteoticamente para todos os munícipes. E estava trajando um traje típico enaltecendo a cultura macaense. No espaço de tempo de sua autoridade como miss, participou de eventos em Macaé, que normalmente eram todos em clubes. É bom citar que ela durante o reinado, viajou para uns 6 municípios do Estado do Rio, e em todos eles, fazia seus desfiles em carro aberto para a apreciação da população dos tais locais. Naquela época da influência como miss, Gracinha manteve contato com misses, tanto as que ela desfilou no Ypiranga, quanto no Caio Martins. Mas hoje, 48 anos depois, por força do tempo que passou, perdeu o contato com as meninas. Mas faz questão de dizer que a convivência com as variadas misses que concorreu nos dois desfiles que participou, foi tranqüila. “Muitas vezes nos bastidores dos concursos de misses, as meninas não criam uma convivência bacana e se tornam rivais, mas felizmente isso eu não vivenciei”, conta Gracinha. No período em que ela reinou como miss, teve muitas alegrias, todavia gostou de ser miss, mas acha que não foi premiada como merecia. “Eu penso que não ganhei tantos prêmios como merecia. Só isso que eu tenho a me queixar: podia ter sido mais considerada na época que fui prevalecida por causa da elevação como miss. Mas gostei de ter tido esse cargo de beleza feminina, valeu a pena”, explica.

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Gracinha (no meio da foto) escolhida como a Miss Macae 1965, ao lado das outras 2 finalistas.

A Miss Macaé 1965 compara as moças de antigamente com as atuais. “Antes, as meninas pensavam de forma diferente, porque a educação familiar era outra. Nós, que éramos educadas em cidades do interior e sem grandes recursos, tínhamos que nos dedicar a terminar os estudos do ginásio ou no máximo seguir um pouco adiante, na formação como professoras primárias. O casamento ainda era o primordial para uma moça de família. As garotas da minha mocidade sonhavam em se casar com um homem afetuoso e de bom caráter, além de serem donas de casa ou educadoras”, discursa Gracinha. E acrescenta: “As misses da minha época tinham mais orgulho de representarem seus clubes, cidades, estados e países. As atuais são diferentes, se orgulham de outras coisas, como por exemplo, pelas oportunidades de poderem participar de reality shows e negócios do tipo. Para muitas, parece que somente a vaidade e o sucesso é que valem a pena, e não o amor de estarem representando como miss a sua localidade. Os valores do tempo da minha juventude para a época de hoje mudou bastante”, compara.
Outra questão que é importante notar é que nos anos 60 – quando Gracinha foi Miss – a cidade de Macaé era pequena – a Petrobrás se instalou em Macaé na década seguinte (fazendo o município se desenvolver e crescer) – sendo o lazer principal das pessoas, o de se encontrar nos clubes ou irem ao cinema. “No meu tempo de solteira, gostava de sair com os amigos, ir à praia da Imbetiba, freqüentar missas, dentre outras atividades sadias da Macaé de antigamente”, recorda a Miss Macaé 1965.
Gracinha casou-se em 1969 com Hélio Gomes de Oliveira e sempre foi dona de casa, vivendo em prol do conforto e harmonia da família. Tem 2 filhos (Hélio Júnior e Marcos Leopoldo), 1 filha (Graziela) e 3 netos (Hélio Otávio, José Rodolfo e John Brendon). “Para a minha família, o fato de eu ter sido miss, é uma condição que eles curtem, tanto meu pai, marido, irmãos, sobrinhos, filhos e netos. Eles acham bacana esse negócio de eu ter o título como Miss Macaé 1965 e ter representando a cidade no concurso estadual daquele ano”, diz a ex-miss. E a vida atual de Gracinha é justamente essa: estar ligada principalmente à sua família.
Neste momento em que a cidade completa 200 anos – em 29/07/13 – a Miss Macaé 1965 (e representante no Concurso Miss Estado do Rio 1965) é a escolhida para exaltar essa página. E tomara que Macaé escolha – já às pressas – uma garota como a ‘Miss Macaé 2013’ para defender a cidade no próximo concurso estadual, em 10/08/13. Desde 2009 que o município macaense não participa da disputa fluminense de beleza.

Raphael Guedes Marinho

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