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Na ditadura militar ouviam-se gritos dos torturados, hoje, a ditadura do atraso agride o país

No momento em que o país e o mundo se levantam estarrecidos e indignados contra o calvário infame a que uma justiça farisaica arrasta o ex-Presidente Lula, assistimos à cumplicidade silenciosa da classe pensante brasileira representada por escritores, professores, jornalistas e artistas com a via-crúcis dramática do nordestino de Caetés. 

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Apenas se ouvem tímidos protestos. 

Nesse cenário no qual a estupidez e a insensatez se esparramam, mergulho no túnel do tempo e encontro, há mais de 80 anos, o escritor Romain Rolland a liderar a intelectualidade mundial em defesa da liberdade de Luís Carlos Prestes, preso nas masmorras da ditadura Vargas. Quão enorme decepção! No país os intelectuais se refugiam à sombra de seus interesses pessoais e negam o movimento libertário. Apenas se ouvem as palavras de indignação dos escritores Jorge Amado e Graciliano Ramos. 

Ontem como hoje, as ditaduras se conjugam: a varguista e a da estupidez satisfeita dos dias atuais. 

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