Brasília - Pelo menos 24 índios representantes das comunidades da Terra
Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, já estão em Brasília para acompanhar o
julgamento de ações que contestam a demarcação da reserva em área contínua,
marcado para a próxima quarta-feira (27), no Supremo Tribunal Federal (STF). Um
dos líderes do grupo, o conselheiro de Saúde Valuar Alves de Souza, da etnia
Macuxi, afirmou nesta segunda-feira (25) que os indígenas confiam em uma decisão
judicial que confirme o direito dos índios sobre as terras.
Na Raposa Serra do Sol vivem
aproximadamente 18 mil índios. A área foi homologada em 2005 pelo governo
federal com 1,7 milhão de hectares. Entretanto, um grupo de grandes produtores
de arroz e famílias de agricultores brancos se nega a deixar a área, por não
concordarem com os valores de indenização propostos pela Fundação Nacional do
Índio (Funai). Sustentam ainda ocuparem apenas 1% das terras.
Os índios
insistem, porém, que a área deve ficar exclusivamente para a utilização pelas
comunidades. "Há mais de 40 anos estamos lutando na Raposa Serra do Sol. Ela foi
delimitada, depois foi feita a demarcação. Onde está uma lei para revogar outra
vez? Vai ser um prejuízo para a comunidade. Nascemos ali, criamos nossos filhos
e vamos permanecer ali", afirmou Souza.
Segundo relatou o índio macuxi, a
Polícia Federal está monitorando a reserva, mas não haveria, por parte dos
indígenas, disposição para um confronto com os agricultores após a decisão do
STF.
"Nosso povo está mantendo firme seu trabalho e não estamos ameaçando
ninguém", garantiu.
(Envolverde/Agência Brasil)






























