Recado para Bali: "Não cozinhem o clima!"

Começou nesta segunda-feira a 13a. Conferência da Convenção do Clima, reunião da ONU que definirá a segunda fase do Protocolo e também o futuro do nosso planeta. Nas próximas duas semanas, acompanharemos as discussões na Indonésia, pressionando os governos a tomarem decisões concretas de proteção ao clima.


Assim que o mais importante encontro em dez anos sobre o clima se iniciou em Bali, nesta segunda-feira, o Greenpeace deu seu recado: 'Não cozinhem o clima!' Um termômetro gigante em cima de um globo em chamas, vigiado por um preocupado urso polar, foi colocado do lado de fora do prédio da conferência para alertar os delegados participantes da reunião da ONU que é preciso impedir que as temperaturas do planeta atinjam níveis perigosos.

O termômetro ficará no local nas próximas duas semanas, que é o tempo de duração da conferência.

"Por anos os governos do mundo nos deixaram na mão falhando em lidar com o problema das mudanças climáticas. Nos deixaram cada vez mais expostos à maior ameaça da humanidade", afirmou Stephanie Tunmore, do Greenpeace Internacional.

"Em Bali, os governos têm que pôr logo a mão na massa - e agir de acordo com as alarmantes evidências científicas sobre as mudanças climáticas discutidas duas semanas atrás em Valência, na reunião do IPCC (http://www.envolverde.com.br/?materia=40177)

Milhões de pessoas, especialmente em países mais pobres, já estão sofrendo os impactos das mudanças climáticas, como tempestades e inundações."

O diretor de campanhas do Greenpeace Brasil, Marcelo Furtado, lembrou que o Brasil é parte do problema "e deve, portanto, assumir sua parcela de responsabilidade na luta contra o aquecimento global".

"O Governo brasileiro precisa mudar a retórica do 'direito de poluir para crescer' e participar ativamente na luta contra o aquecimento global. Devemos assumir o compromisso pelo desmatamento zero, que garante a conservação de florestas com o a Amazônica e elimina nossa maior fonte de emissões", afirma Marcelo.

Furtado cobra a implementação imediata de uma política nacional de mudanças climáticas. "A solução não está do outro lado do mundo, mas bem ao alcance das mãos do governo brasileiro", afirma.

Pelo menos 20% das emissões globais de gases do efeito estufa provêem da destruição das florestas tropicais. No Brasil, esta conta é ainda mais perversa. Cerca de 75% das emissões brasileiras de gases que provocam o aquecimento global são decorrentes dos desmatamentos, principalmente na Amazônia, e mudanças no uso do solo.

A Amazônia já perdeu 17% da cobertura florestal original e uma área similar se encontra severamente degradada. Se soluções não forem encontradas e implementadas nos próximos dez anos, a floresta poderá estar irreversivelmente ameaçada, com conseqüências desastrosas para a biodiversidade e o clima do planeta.

"A Amazônia está indo para o espaço, desmatada e queimada para dar lugar a pastos para gado, como ocorre na Flona do Jamanxim, ou campos de soja", disse Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace. "É responsabilidade do governo parar imediatamente esse processo. Não há mais tempo a perder: a redução de emissões brasileiras de gases que provocam o aquecimento global passa por zerar o desmatamento na Amazônia o mais rapidamente possível. O Brasil não pode mais queimar o futuro do planeta", acrescentou.

Conheça nossa página especial da campanha Desmatamento Zero.

Para manter a temperatura do planeta em níveis seguros, as emissões globais de gases do efeito estufa têm que cair a partir de 2015. Isso significa um compromisso maior dos países industrializados em cortar suas emissões em pelo menos 30% até 2020 e 80% até 2050. Em termos mundiais, as emissões têm que ser reduzidas pela metade até 2050. Isso tudo sob a segunda fase do Protocolo de Kyoto, que deverá estar em vigor a partir de 2012.

O Greenpeace quer que os governos reunidos neste encontro em Bali estabeleçam um prazo de dois anos para acordar um plano de ação que precisamos para a sobrevivência do planeta. Este deve ser um plano de ação que corte drasticamente as emissões de combustíveis fósseis e acabe com o desmatamento, um grande contribuidor de emissões de CO2. Isso não é negociável.

Em Bali, os governos têm que concordar com os elementos chaves desse plano de ação e criar uma agenda detalhada para assegurar que suas negociações estejam concluídas em 2009.

Os países desenvolvidos, responsáveis por mais de 80% de todas as emissões produzidas pelos seres humanos atualmente na atmosfera, precisam encontrar meios de ajudar o mundo em desenvolvimento para lidar com os impactos das mudanças climáticas e obter tecnologia limpa.

"Também temos que ver mais países em desenvolvimento concordando em atacar suas próprias emissões", afirma Yang Ailun, do Greenpeace China.

O acordo de 2009 deve também prever o financiamento dessa adaptação, um mecanismo para a transferência de tecnologia limpa e um mecanismo separado para o desmatamento de florestas tropicais, que contribuem com cerca de 1/5 das emissões de gases do efeito estufa no mundo hoje.

O Greenpeace acredita que é possível impedir que os piores impactos das mudanças climáticas coloquem em risco a vida de milhões de pessoas. Isso requer uma revolução no modo como usamos e produzimos energia, e um forte compromisso em acabar com o desmatamento em todo o mundo.

(Envolverde/Greenpeace)

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