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Artes Plásticas

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O que é e o que pode ser o universo da arte naif, aquele regido geralmente por artistas autodidatas, sem formação acadêmica em escolas de arte ou faculdades e universidades?

Acima de tudo é uma maneira de se relacionar com a realidade em que as diferenças e as semelhanças entre pessoas, sociedades e culturas dialogam. Nesse sentido, é essencial que cada vez que se organiza um projeto do gênero, exista um processo de seleção cuidadoso das ações e imagens que o integram.

Trata-se de um exercício permanente de ver e sentir quais os melhores caminhos a serem percorridos. Dessa maneira, conjuntos plásticos devem coexistir de modo a oferecer a maior unidade dentro da diversidade. Esse caminhar demanda um olhar atento sobre aquilo que se deseja e se pode mostrar em termos plásticos e técnicos.

Seja nas obras mais visuais em termos de qualidade de composição, como naquelas mais voltadas a um consumo mais direto na forma dos mais diversos utilitários, cada obra tem um papel individual, mas existe a necessidade de que exista uma conversa de cada uma com o todo do gênero.

Assim, portanto, respeitando individualidades e estimulando a conversa entre diversidades, os projetos que envolvem o universo da arte naif devem sempre funcionar como a abertura de portais em que o silêncio de cada um e o ruído do coletivo convivem para estabelecer poemas sinfônicos plenos de sentido pela riqueza existencial proposta.


Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Uma das maiores tragédias brasileiras envolvendo a saúde pública ocorreu em Goiânia, GO, terra natal do artista visual Siron Franco (1947). Em 1987, um catador de sucata em Goiânia encontrou uma máquina de raio X abandonada em um terreno baldio e, dentro dela, uma cápsula de césio 137, altamente radiativa.

Encantado com o brilho do material, levou para casa, onde sua família brincou com ela. O resultado foram quatro mortes, centenas de pessoas doentes e consequências até hoje difíceis de mensurar. Siron, que tinha morado em uma rua próxima daquele mesmo bairro, fez uma histórica série de trabalhos sobre o fato, chamada ‘Rua 57’.

O endereço tornou-se emblemático e a presença dessas obras na 33ª Bienal de Arte de São Paulo alerta para temas de impressionante atualidade. A principal é a irresponsabilidade de quem jogou no lixo comum uma substância de tamanha periculosidade. As relações público-privado são colocadas em xeque.

O desenvolvimento visual que Siron Franco dá ao tema, com cores ocre da terra e figuras estilizadas plenas de elementos simbólicos, como o mapa do Estado de Goiás e símbolos de perigo, amplia a dramaticidade de um depoimento plástico contundente que mostra como a arte pode estar a serviço de uma ideia sem perder seu vigor e autenticidade. A narrativa construída pelo artista aponta como o brilho sedutor de um elemento radiativo encantou e destruiu centenas de vidas.


Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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