Portuguese Português

Falhas do Estado em episódio em Santo André deverão ser corretamente apuradas

Para o jurista Luiz Flávio Gomes, retorno de Nayara Silva, de 15 anos, ao apartamento, jamais deveria ter acontecido

Em princípio, uma série de falhas, menores ou maiores, poderia ter sido evitada no decorrer e no término do cárcere privado mais longo registrado no estado de São Paulo, de acordo com o especialista em Direito Penal pela Universidade de Madri, Luiz Flávio Gomes. "Todo o processo, principalmente o momento da volta da garota Nayara ao apartamento, deverá ser cuidadosamente investigado", observa Gomes. Na opinião dele, a menina nunca poderia ter sido designada para a tarefa de negociar com o seqüestrador Lindemberg Alves, de 22 anos, que demonstrava sinais de agressividade e desequilíbrio desde os primeiros dias de seqüestro. "Nem com a autorização dos pais ela poderia ter retornado. Foi um descuido flagrante do Estado", sentencia. A competência do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) não é questionada por Luiz Flávio Gomes, que salienta que o Grupo é especializado em lidar com situações de seqüestro e cárcere privado. "As negociações poderiam ter sido feitas por qualquer uma das duas polícias – militar ou civil – e acredito que o fato de o GATE ter entrado como negociador foi natural", explica.  No entanto, lembra, "uma série de erros cometidos poderia ter sido evitada, como a demasiada demora do aprisionamento da vítima", que levou cinco dias. 

Representado por uma advogada a partir de hoje, Lindemberg deverá prestar em breve seu depoimento no 6º DP de Santo André, delegacia para a qual foi encaminhado após sua captura. O Ministério Público então preparará a denúncia ao Judiciário que, em seguida, fará a pronúncia do processo, onde é decidido qual júri será designado para o julgamento do réu. "Neste caso, por ter sido um flagrante, será júri popular, sem dúvidas", afirma o especialista em Direito Penal.
publicidade
publicidade
Crochelandia