A televisão vem adquirindo cada vez mais entre os brasileiros um lugar
central no debate travado entre os públicos em todo país. Com o
barateamento do aparelho televisivo e consequentemente a expansão de
seu alcance, também entre as classes menos favorecidas, o discurso
produzido por esta mídia tomou extensa amplitude, tornado-a mais
democrática.
O telejornalismo, especialmente das TVs abertas, “capricha” em sua estética e prima pelo tom “trágico”. A linguagem utilizada atualmente tende ao “familiar”, fala-se, por vezes, da forma que o telespectador fala. Usa-se jogos de câmera, os planos e enquadramentos são planejados de acordo com o que está sendo noticiado. Como na teledramaturgia.
O espetáculo é a essência deste veículo de informação e entretenimento, a TV. Contudo esta espetacularização da vida “real” que passa para o plano virtual dos telejornais não cabe. A função do jornalismo é informar e desta forma possibilitar ao cidadão/espectador instrumentos (as informações transmitidas) para transformar o mundo em que vive. A função do jornal é divulgar notícias e não entreter. Isto cabe aos programas de entretenimento.
Entretanto na sociedade capitalista, a qual o lucro é o fim de tudo... O telespectador/consumidor recebe a notícia como produto, “embalado” para atrair a atenção e conquistar a clientela. Na “luta” por pontos do IBOPE, o tom trágico e exclamativo dos noticiários cabe. Vale tudo!
Segundo professor Muniz Sodré “a televisão funciona em conexão com industrias e serviços de aparelhagem, consertos, publicidade, vendas etc.” É exatamente a função mercadológica da TV que faz dela um meio de produção de discursos e poder do controle social. “As relações sociais (políticas e ideológicas), como se sabe, não podem ser pensadas fora de sua condição de práticas de classes situadas em oposições. Por sua vez, os meios de informação constituem em seu conjunto aparelho que realiza ideologicamente o poder de Estado (...). O aparelho informativo se articula ideologicamente com a classe que controla o Estado e se investe de sua estrutura, isto é, assume a forma geral do poder de Estado. A ideologia, como a televisão, é também essencialmente forma (de um poder)”, acrescenta Sodré.
Esta forma de agir e pensar em sociedade, o modo ocidental de pensar, justifica para o bem ou para o mal, o discurso do capital que ressoa na cultura brasileira.
Referência: SODRÉ, Muniz “O Monopólio da Fala”.