A ameaça da indústria operando em suas condições “normais”

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Os desastres ambientais com mortes de milhares de pessoas e sequelas e ferimentos em outras centenas ou milhares de pessoas e a destruição de patrimônio de famílias e outros têm sido recorrentes em nossa civilização industrializada. Sua frequência tem crescido à medida que mais países se industrializam. A falta de investimento em treinamento e em segurança desde a fase de projeto da indústria ainda é tida como um custo. Daí, por razões de economia barata, tem-se os desastres.

Apenas a título de lembrança, vamos citar alguns deles:

1. Explosão, em 1984, em uma fábrica de agrotóxicos, da empresa americana Union Carbide, em Bhopal, na Índia, provocando cerca de 22 000 mortos. O número exato de mortos nunca será conhecido;

2. Em 5 de novembro de 2015, ocorreu o rompimento da barragem de descarte de resíduos da mineradora Samarco, num distrito da cidade de Mariana (MG), despejando água contaminada com minerais tóxicos na Bacia do Rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo, inviabilizando todo o ecossistema do rio até sua foz, no Oceano Atlântico. Foram 19 mortos e a destruição de casas, escolas, postos de saúde e outras construções. Até hoje a Justiça brasileira não conseguiu fazer a empresa responsável pagar as devidas indenizações às vítimas ou suas famílias;

3. Em abril de 1986, deu-se a explosão da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. Esse desastre provocou a morte imediata de 31 pessoas, mas estima-se que já tenham morrido entre 30 000 e 50 000 pessoas por câncer e outros males, em decorrência da radiação residual ainda existente em partes dos equipamentos que restaram.

Haveria ainda outros mais a citar, mas paremos por aqui. Esses foram acidentes desastrosos que mataram muita gente em consequência da má operação de plantas industriais.

Há, todavia, situações em que não houve qualquer acidente na operação de uma empresa industrial. Sua simples presença em alguma locação do planeta já é o desastre.

Este é o caso da Aracruz Celulose, hoje disfarçada sob o nome de Fíbria Aracruz Celulose, instalada no município de Aracruz, no norte do estado do Espírito Santo. A Fibria Aracruz é líder mundial na produção de celulose branqueada de eucalipto. Com capacidade produtiva de 5,3 milhões de toneladas anuais. A empresa exporta celulose para mais de 40 países.

As plantações de eucaliptos, matéria-prima para indústria de celulose, já alcançam cerca de 200 000 hectares, o que equivale a aproximadamente 286 mil campos de futebol ou 4,5% da superfície do estado.

Para tanto, a Fibria Celulose teve de simplesmente desmatar 90% da Mata Atlântica do norte estado e parte dessa mesma Mata no sul do estado da Bahia e, em substituição, plantar matas de eucaliptos, o que vem a ser uma agressiva monocultura, a exemplo da soja no Cerrado brasileiro.

Adicionalmente, a Fibria Aracruz apossou-se inteiramente dos cursos d’água da região de São Mateus e Conceição da Barra, também no norte do estado, para emprego no plantio e replantio de seus eucaliptos. Diariamente, seus caminhões-pipa percorrem as mais diferentes fontes de água. Essa região à qual ela recorre, perdeu praticamente os seus principais mananciais de água pelo desmatamento e pelos efeitos das florestas de eucalipto, que cobrem mais de 80% do seu vasto território agrícola.

image 29Mata de eucaliptos replantada, o chamado “deserto verde”

 

image 30Toras de árvores da Mata Atlântica original abatidas para o plantio de eucalipto

São mais 1 290 hectares de deserto verde na região, a mais impactada pela monocultura de eucaliptos no estado, que já sepultou centenas de córregos, rios e nascentes, além de degradar o solo, expulsar quilombolas, indígenas e camponeses, e ainda aprofundar a concentração fundiária e de renda.

Tudo isto se dá enquanto centenas de animais que antes viviam em equilíbrio com a Mata abandonaram a área degradada por terem seu ambiente invadido e sua cadeia alimentar interrompida. Os pássaros maiores se foram porque o eucalipto não tem ramos resistentes a ponto de sustentar seu peso.

image 31O urubu-rei foi forçado a procurar outras paragens para sobreviver, sendo hoje uma das espécies mais ameaçadas de extinção no país

 

image 32Árvores ressecadas pelo uso intensivo das águas subterrâneas e dos mananciais pela Fibria Aracruz

Fica muito claro que a industrialização descontrolada e utilizada de forma aleatória é ela em si mesma um acidente muito grave. Este acidente é permanente e ameaça constantemente a vida de pessoas, animais e plantas. É por isso que muitos países europeus estão buscando incentivos em países da periferia do capitalismo, como o Brasil, para instalar suas novas unidades industriais.

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