Desmatamento, disputa por terras, desapropriação ilegal: o que está por trás dos latifúndios dos Dallagnol na Amazônia?

De Olho nos Ruralistas revela outra face do clã paranaense conhecido pela atuação de Deltan Dallagnol; pai, tios e primos do procurador da Lava Jato possuem dezenas de milhares de hectares no noroeste do Mato Grosso, em região de conflitos e em litígio com o Incra

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A revista CartaCapital que circulou na sexta-feira adiantou algumas informações sobre os latifúndios da família Dallagnol no Mato Grosso, em plena floresta Amazônica, em reportagem feita pelo De Olho nos Ruralistas. O observatório detalha agora, em uma série de textos, uma versão mais completa dessa saga. Do desmatamento aos conflitos agrários (numa região onde protagonistas da disputa foram assassinados), do histórico fundiário peculiar ao atual litígio com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) descortina-se um país bem diferente daquele do imaginário da Operação Lava Jato.

Optamos por abrir a série com as desapropriações em 2016 feitas pelo Incra, durante o governo de Michel Temer, iniciadas ainda durante o governo de Dilma Rousseff. O próprio Incra informou em maio que esse processo – envolvendo R$ 41 milhões, pelo menos R$ 36,9 milhões para a família Dallagnol, foi composto por fraudes cometidas por funcionários públicos: “Incra diz que desapropriação de R$ 41 milhões no MT que beneficiou pai, tios e e primos de Deltan Dallagnol foi ilegal“.

A história desses latifúndios envolve conflitos com uma madeireira e interesses de camponeses. Um dos textos – que publicaremos nos próximos dias  – ajudará a entender como as fazendas dos Dallagnol estão relacionadas a essa disputa espacial.

Outra reportagem oferece uma perspectiva histórica: “Família Dallagnol obteve 400 mil hectares de terras no Mato Grosso durante a ditadura“.

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Desmatamento em Nova Bandeirantes. (Foto: Daniel Beltra/Greenpeace)

Entre os personagens do clã, destacam-se dois tios de Deltan Dallagnol, o famoso procurador da Lava Jato, em Curitiba. Um deles, Leonar Dallagnol, conhecido na região por um apelido: “Conhecido como Tenente, tio de Deltan Dallagnol foi acusado de invadir terras ao lado de ‘Pedro Doido’”.

Outro, o advogado Xavier Dallagnol, um dos expoentes jurídicos dessa família de advogados e procuradores. De Cuiabá, ele comanda a defesa dos latifúndios em Nova Bandeirantes (MT): “Tio de Deltan, Xavier Dallagnol foi flagrado em grampo sobre compra de sentenças“.

Ao lado de Leonar, Xavier e sua mulher, Maria das Graças Prestes, protagonizam os casos de desmatamento diretamente ligados ao clã, em plena região conhecida como Portal da Amazônia, já em região de floresta: “Três tios de Deltan Dallagnol figuram entre desmatadores da Amazônia“.

Mas a maior beneficiada foi a filha de Xavier, prima de Deltan: “Em 2016, prima de Dallagnol ficou em décimo lugar entre maiores beneficiados por recursos agrários no país“.

A movimentação política em Brasília e Cuiabá – no Incra, por exemplo – terá feito alguma diferença na decisão por desapropriações? Tentemos entender melhor este aspecto: “Indenização milionária para os Dallagnol no MT foi liberada quando diretor de Obtenção de Terras do Incra era do estado“.

E os camponeses, como ficam? “Na outra ponta do impasse fundiário em Nova Bandeirantes (MT), camponeses se sentem acuados com situação“.

O nome do procurador Deltan Dallagnol não está diretamente relacionado a nenhum dos casos esmiuçados nesta série de reportagens. Ele é um dos herdeiros de Agenor Dallagnol, um dos proprietários de latifúndios na região e um dos beneficiados pela desapropriação feita pelo Incra.

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