À memória do democrata e patriota Adriano Benayon

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O professor Adriano Benayon faleceu no dia 11 de maio de 2016, depois de um período de internação em Brasília, aos 81 anos. Seu falecimento gerou grande comoção e inúmeros depoimentos emocionados foram publicados, tanto em meios de comunicação tradicionais como na internet.

Benayon sempre trabalhou intensamente. Além de escritor de livros e artigos, era advogado, economista, professor universitário e diplomata. Além do jornalA Nova Democracia, escrevia para inúmeros outros órgãos de imprensa, seja com espaço cativo, como em AND, seja com contribuições esporádicas. Sempre atendia a nossos pedidos com diligência e debatia suas pautas apaixonadamente por telefone, antecipando alguns pontos polêmicos e às vezes ponderando sobre a conveniência de um ou outro aspecto não se encaixar na linha editorial do jornal.

Sobre isso, travamos diversos debates com o professor Benayon, alguns inclusive públicos, nas páginas do próprio AND, o que contribuiu ainda mais para reforçar nossa unidade e o respeito mútuo pelas opiniões divergentes que não eram fundamentalmente contrárias à nossa linha editorial.

Talvez suas maiores divergências com a linha editorial de AND tenham sido a avaliação sobre o papel de Getúlio Vargas, o atual caráter do Estado chinês e do imperialismo russo e sua interpretação das lideranças de Lenin e Stalin.

Sua posição em alguns temas pode ser considerada anticomunista, mas ele nunca se expressou com os termos macartistas comumente usados pela matilha que vive para atacar os movimentos revolucionários e populares. Por que então um jornal empenhado na luta pela verdadeira independência do Brasil e na construção de uma nova política, uma nova cultura e uma nova economia teria relações com alguém com essa tendência?

Nessa questão reside a chave do entendimento sobre a Frente Única Revolucionária, aliança de classes oprimidas para derrotar o imperialismo e seus lacaios nativos. O professor Benayon era um inconteste nacionalista revolucionário, um dos que mais claramente expressava o  pensamento da burguesia nacional como setor de classe oprimido pelo imperialismo. Era honesto e leal no debate político. Se pretendíamos reunir um time que expressasse o melhor do pensamento nacional, com Adriano Benayon avançamos para conquistar esse objetivo.

Aparte os poucos pontos em que discordávamos, era notável uma grande convergência de pensamento sobre a situação do país, o balanço sobre a gerência PT-FMI como lacaia do imperialismo, do latifúndio e dos bancos, que não havia nada a esperar das farsas eleitorais e a necessidade de uma ruptura. Nas suas palavras, “o povo terá que exigir outros caminhos”.

Benayon começou a contribuir com AND na edição nº 2, de setembro de 2002. Era o mais assíduo dos colaboradores e conta-se nos dedos de uma mão a quantidade de edições em que não publicou pelo menos um texto. O título de seu primeiro artigo é ‘Economia e democracia’. Nele, o autor combatia a política de substituição de importações no Brasil sem produção genuinamente nacional, ou seja, que a produção no Brasil por transnacionais, seguindo planos estrangeiros, era forma de dominação.

Um dos trechos desse artigo soa bastante atual e, apesar de tratar especificamente de crise econômica atravessada no final do gerenciamento Cardoso, fala muito sobre este melancólico fim do gerenciamento do PT, revelando que não importa quem ocupe o Planalto, enquanto não se romper com a dominação imperialista, não haverá desenvolvimento nacional independente:

“Sob o modelo caracterizado pela predominância dos ‘investimentos’ diretos estrangeiros, a economia piora sempre. E, de tempos em tempos, dá saltos para o abismo. Por exemplo, quando: a) a dívida se aproxima de uma proporção que faz temer pela capacidade de o País continuar a servi-la; b) o investimento direto estrangeiro se retrai. Ambos eventos fazem elevar ainda mais os juros reais internos e os externos, acelerando o crescimento das dívidas e tornando ainda menos sustentável a carga de juros que pesa sobre o País. Além disso, causam a desvalorização da taxa de câmbio, o que, por sua vez, faz crescer o valor em reais da dívida externa, bem como elevar a dívida interna por efeito da valorização dos títulos indexados ao dólar. Tudo isso faz definhar as despesas não financeiras, que, como dito, absorvem a parte do leão da receita”.

Seu estilo de escrever era sempre direto, frases curtas e parágrafos pequenos. Uma aula também de jornalismo para nós, que começávamos a fazer o jornal em 2002, de forma ainda meio artesanal. A aridez da linguagem tecnocrática do economês, quase um código fechado, era traduzida para algo mais próximo do leitor comum, e mesmo não conseguindo sempre esse resultado, era notável o esforço do professor Benayon nesse sentido. Era também disciplinado, um dos primeiros a entregar os textos, sempre a tempo e no tamanho combinado.

Apesar da idade, o professor Benayon esbanjava jovialidade. Era sempre muito atento e atencioso. Cuidava muito bem da saúde. A esse respeito, me recordo de que em duas vezes que nos encontramos, por ocasião de reuniões do Conselho Editorial de AND, Benayon carregava potes com arroz integral e, mesmo que almoçássemos em restaurantes, ele não abria mão de comer aquele item trazido de casa.

Era ainda praticante de artes marciais. Em particular, nos últimos anos desenvolvia o aprendizado do Ving Tsun, um estilo de luta chinês. Era tão entusiasta dessa arte marcial que convenceu o ex-diretor de AND, José Moreira Chumbinho, a iniciar o aprendizado no Rio de Janeiro por volta de 2005.

Não contribuía com o jornal apenas com seus precisos textos, senão que também o apoiava materialmente, fazendo assinaturas para amigos e algumas vezes custeando o valor das passagens até o Rio de Janeiro, onde comumente eram realizadas nossas reuniões do Conselho Editorial.

Benayon foi ainda, ao lado de outros notáveis, parceiro do grande pesquisador Bautista Vidal, falecido em 2013, desenvolvendo estudos e se tornando defensor da utilização da energia da biomassa, com produção descentralizada, combinando alimentos, etanol, óleos vegetais e seus subprodutos, as bases de uma nova química

Em AND 101, de janeiro de 2013, publicamos artigo de Benayon chamado ‘No limiar de 2013’. Seu parágrafo final serve também para encerrar esse texto:

“Fica fácil concluir que a indispensável transformação da estrutura econômica só é possível juntamente com a substituição das instituições políticas (e vice-versa)”.

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