ROGÉRIA GOMES: Uma jornalista, uma mulher e a paixão pela arte

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“O teatro nos permite casar com a esperança e nos divorciar do preconceito e da intolerância”.
Rogéria Gomes


Norma Blum - Rogeria Gomes - Beatriz Lyra e Thersa Amayo - Foto Anderson Rocha

A arte é como o ar que respiramos. Pode estar inclusa nas letras, nas palavras, nos gestos ou num simples olhar. A arte faz com que a emoção se aflore, reunindo beleza, equilíbrio, harmonia, amor e revolta. No teatro, a emoção vem à tona em forma de sentimentos onde o belo e o feio, o brega e o chique, o amor e o ódio se unem num contraste revelador, mostrando quem realmente somos e o que sentimos.

Baseado em relatos de nove mulheres importantíssima para o teatro brasileiro, que a jornalista Rogéria Gomes, uma carioca de nascença e grande apreciadora do teatro, que além de escrever a maravilhosa obra “As grandes damas e um perfil do teatro brasileiro”, foi apresentadora, roteirista e editora de diversos programas de cunho jornalistico, além de assessoria a várias empresas na área de comunicação social, como a Revista Manchete, Amiga, Editora Abril e outras, e atuando ainda como professora e coordenadora na área acadêmica em Comunicação Social.


Rogéria Gomes e Fernanda Montenegro

De acordo com sua paixão pelo teatro e a vontade de registrar a história dessa arte no Brasil, que escreveu o livro sobre os grandes nomes relacionados a essa arte, retratando esse grupo de mulheres, que no decorrer do século passado ajudou a escrever essa história perpetuando seus nomes para sempre, com relatos emocionantes e curiosos se incorporando a história dos palcos brasileiros, cada uma com suas histórias distintas a outra, porém totalmente ligadas a um único ideal, o teatro, deixando um legado importantíssimo. São elas: Bibi Ferreira; Eva Todor; Beatriz Lyra; Beatriz Segall; Eva Wilma; Laura Cardoso; Nicette Bruno; Norma Blum e Ruth de Souza.
Hoje, Rogéria é uma consagrada jornalista e um nome importante para a classe, e deixa registrada sua obra vinculada a um grande elenco do teatro brasileiro, um trabalho memorável e inesquecível, junto a essas mulheres que apenas contribuíram para que a grandiosa arte teatral se tornasse ainda mais bela. Segundo Rogéria “o teatro é a arte que imita a vida”, finaliza.

ROGÉRIA GOMES
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Entrevista: Marcelo Rissato
Jornalista – Mtb: 64479/SP

Entrevista:

Marcelo Rissato: Fale um pouco sobre você. Quem é Rogéria Gomes, onde mora e qual sua descendência?
Rogéria Gomes: Sou carioca, jornalista, cristã, mãe de dois filhos encantadores, um adolescente Pietro Moreno, 15 anos; o mascote Enzo Moreno com 5 anos; uma  filha de coração, já uma moça, Barbara Luana. Sou casada com o psicoterapeuta e sexólogo Jorge Maurício Reis, que é meu grande amor e parceiro, grande amigo e pai de meus filhos. Tenho a felicidade de fazer parte e ter crescido em uma família próxima e querida, pais, avós, irmã, tios, primos, sempre presentes . Meus pais trabalhadores, éticos e que me deram régua e compasso pra seguir minhas escolhas. Aliás, comento no livro que devo a minha mãe Norma meu interesse e paixão pelo teatro. Com ela descobri cedinho o gosto por esta  arte que tanto aprecio. Ainda garotinha íamos frequentemente ao teatro. As peças que assisti povoam até hoje minhas memórias infantis afetivas. Meu pai Rogério, por sua vez, era cinéfilo, e todo domingo me levava à sessão das 10h para assistir o famoso clássico 'Tom & Jerry' no extinto cinema Metro Tijuca no Rio, pertinho da nossa casa. Eu adorava! Realmente minha infância e adolescência foram períodos felizes e divertidos.


Ruth de Souza e Rogéria Gomes

Marcelo: Como iniciou sua carreira jornalistica?
Rogéria: Acho que a grande motivação de todo jornalista é em primeiro lugar a curiosidade, saber mais, a descoberta. Comigo não foi diferente. Sempre tive este interesse. Voltando a minha infância, lembro que uma de minhas brincadeiras favoritas era ser professora. Ao lado da amiga Mônica entre outras colegas, reuníamos a turminha para transformar a diversão em sala de aula. Fazia muitas vezes minhas saudosas e amadas avós Maria e Felisbela e a tia Izaira de alunas. Meu alvo era imitar minhas professoras ‘tia Terezinha’ e ‘tia Leila”, figuras de destaque na minha primeira formação. Era divertido. O instinto da descoberta já estava comigo e sempre gostei muito de escrever. Era boa aluna em português, literatura, história. Exercitava a criatividade e a escrita. Quando terminei o ensino médio já tinha certeza que era jornalismo que eu queria. Comecei estagiando em jornais de bairro, na extinta Revista Nacional (encartada no Jornal do Comércio com circulação nacional como suplemento cultural), em pouco tempo já assinava a coluna Mutirão, ao lado de grandes nomes do jornalismo, como Fernando Lobo, entre outros. Uma escola e tanto. A revista era dirigida pelo grande jornalista Mauritonio Meira. Fui seguindo, passando por importantes revistas semanais, TVs, editoras, rádio, experimentei muito da atividade jornalística. Decidi me especializar no seguimento cultural, onde atuo ate hoje. Sou uma pessoa que gosto de gente, adoro conhecer pessoas e conviver. A profissão de jornalista nos dá essa possibilidade, somada a maior porção que o jornalista pode ter: informar. Esta é sem dúvida uma faceta maravilhosa do jornalismo. A história prova o quanto o jornalismo tem ajudado à democracia brasileira. Trabalho na área cultural a muitos anos, e  vejo com pesar que a cultura ainda é pouco valorizada no Brasil, apesar dos avanços e conquistas. Ser jornalista me dá a sensação de estar fazendo a minha parte, e não posso negar, com grande prazer.

Marcelo: Qual é o trabalho que você considera o seu melhor?
Rogéria: Esta é uma pergunta difícil de responder, pois estou há vinte e poucos anos nesta função e fiz muita coisa bacana. Programas de TV interessantes, matérias impressas e outras. Escolher uma é complicado demais. Mas aproveitando o momento, cito o livro que lancei recentemente "As Grandes Damas E Um Perfil do Teatro Brasileiro", editado pela Tinta Negra, em que traço um panorama da história importante do nosso teatro. Um trabalho de pesquisa complexo, mas adorável, que me rende muitas alegrias. Contribuir ainda que timidamente pra memória do teatro brasileiro, é uma grande satisfação .

Marcelo: Já que mencionou sua última obra, “As Grandes Damas E Um Perfil do Teatro Brasileiro”, como foi fazer esse trabalho?  Quando surgiu essa ideia?
Rogéria: Foi uma experiência fantástica. Sempre tive interesse em pesquisar o assunto. Como já mencionei, escrevo sobre o tema desde o inicio da minha carreira. Em minha passagem pela vida acadêmica, quando fui professora universitária, percebi a grande falta de informação dos estudantes sobre o teatro, sem contar que a maioria deles não frequentavam o teatro. Alguns alunos, não raros, nunca haviam ido a um espetáculo. As razões eram múltiplas e procedentes, no entanto, a falta do conhecimento era a principal.  Isso me chamou muito a atenção, me impressionou realmente. Fiquei com esta questão guardada por anos e através do livro achei uma de forma colaborar. A ideia é tratar do assunto com linguagem acessível a todos, especialmente aos estudantes. Assim surgiu o livro. Muita pesquisa, esforço e dedicação na tentativa de fazer o melhor possível, mas sei que ainda falta muito a ser registrado. Creio ter sido apenas o ponta pé inicial.

Marcelo: Rogéria, e para escrever esse livro, como foi sua relação com essas atrizes?
Rogéria: A melhor e mais prazerosa possível. São atrizes que dispensam comentários, e estão em nossas vidas por meio do teatro, da TV e do cinema a décadas. São pessoas realmente incríveis com histórias de vida e palco extraordinárias. Cada uma com sua singularidade, mas todas colocando a profissão em primeiro plano,  a espinha dorsal de suas vidas. Cito no livro que conhecê-las mais de perto, ‘foi tocar mais pertinho o céu’.

Marcelo: Você já conhecia algumas delas, ou o primeiro contato foi somente no decorrer das entrevistas?
Rogéria: Conhecer, eu conhecia todas em consequência destes anos sempre atuando com cultura. Já havia entrevistado-as para os veículos que trabalhei. No entanto, tenho o privilégio e a honra de ser próxima, porque não dizer amiga, de várias delas, e a oportunidade do livro na verdade estreitou nossas relações. Um grande motivo de alegria para mim.

Marcelo: Uma curiosidade. Por que a Fernanda Montenegro sendo um “monstro” sagrado do teatro brasileiro, não foi uma das homenageadas no seu livro?
Rogéria: Na verdade as homenageadas seriam dez, mas no final Fernanda não pode pela falta de tempo para acertar nossas agendas e resolvi não substitui-la. Por isso foram nove atrizes. No período em que estava na parte dos depoimentos, a Fernanda estava protagonizando a novela das nove “Passione”, portanto sem tempo para respirar. Em respeito ao meu trabalho, achou melhor não participar, já que se o fizesse não sairia como desejado para as duas partes.

Marcelo: A respeito de sua obra, a que público direciona?
Rogéria: Gostaria que a todos! (risos) Minha intenção na verdade é despertar o interesse das pessoas para o teatro, uma arte tão parecida com a vida, que nos ensina, entretem, faz pensar, repensar, nos faz descobrir como indivíduos, como sociedade, descortinar conceitos, entre tantas possibilidades. Ajudar a formação da plateia é também um dos objetivos. A arte não se limita, essa é sua beleza, e o teatro não foge à regra. Mostrar este valor das artes cênicas é o meu interesse maior. Procurei escrever de forma a cativar qualquer leitor, do estudante aos que curtem e pesquisam teatro. Sem dúvida, o depoimento espetacular destas atrizes é o diferencial da leitura. São histórias que cativam e emocionam. Elas mostram seu lado ‘B’, tão iluminado como o que já conhecemos de suas trajetórias profissionais.

Marcelo: Você acredita que o teatro é uma arte restrita, ou as pessoas tem conhecimento do que ele representa para a sociedade brasileira?
Rogéria: Não. Acho que lamentavelmente por muitos e diversos motivos, as pessoas têm pouco conhecimento. O livro tenta ser uma resposta a esta lacuna. Acredito que a oportunidade do conhecimento deve ser dada a todos, preferencialmente aos estudantes. Como se pode esperar que um adulto goste de teatro se nunca foi? Ninguém gosta do que não conhece, repito sempre. Um dado curioso que consta no depoimento das atrizes, é que todas puderam experimentar teatro na escola, independente da classe social. Isso é maravilhoso! Olha o resultado aí. Hoje não há tanto esta preocupação. Uma pena. Vamos reavivar esta ideia!

Marcelo: Rogéria, você considera o teatro uma arte impar, ou ele anda de mãos dadas com a televisão? Na verdade, quero saber se você acha que um influencia o outro, ou se cada um tem  o seu espaço distinto?
Rogéria: Os espaços são distintos, sem dúvida, mas não se pode negar que a televisão traz visibilidade aos atores, torna-se uma vitrine. A TV está na casa da gente, basta ligar o botãozinho, praticamente todo brasileiro tem uma ou mais. Essa exposição do ator muitas vezes  favorece a ida do público ao teatro.

Marcelo: Este livro te trouxe algum tipo de reconhecimento?
Rogéria: De certa forma sim. Como tenho tido a felicidade e participar de feiras de livros, eventos literários, bienais, projetos culturais Brasil afora, muitas pessoas já fazem associação e gostam da ideia do livro pelo registro histórico que propõe.

Marcelo: Você acha o sucesso importante?
Rogéria: Pra visibilidade do trabalho que se propõe, pode ajudar.  No mais, é completamente efêmero, não acrescenta nada.

Marcelo: Como é o seu trabalho hoje? Qual é o seu projeto atual?
Rogéria: Grande parte em função dos desdobramentos do livro. Desenvolvo com alguns parceiros projetos que gosto bastante. O produtor cultural Paulo Lima, diretor da Pallas Produções Artísticas, tem sido um grande parceiro nos projetos que desenvolvemos a partir do livro. Temos o ‘Teatro Vivo para Todos’ , uma proposta para as escolas, a menina dos meus olhos, ‘Conversa com Autor’, outro projeto muito bacana, em que conversamos com o público sobre o teatro a partir do livro, e as pessoas tem oportunidade de interagir, perguntar curiosidades, relembrar momentos raros do teatro. 'Teatro & Música', contamos a história do teatro a partir da trilha musical de cada período, este é realmente inovador. Estamos abertos a convites.

Marcelo: O que você espera para o futuro?
Rogéria: Um país que priorize de fato a educação e a cultura, fazendo jus a democracia que nos custou tanto. Pessoalmente saúde pra viver e lutar por tudo que acredito. Família feliz, claro.

Marcelo: Defina a Rogéria em uma frase.
Rogéria: Sou alegre, amo a vida  e grata a Deus por tudo que tenho. Sou definitivamente uma pessoa perseverante. A fé e a esperança me movem.

Marcelo: Rogéria, agradeço pelo carinho e atenção. Deixo aqui a minha reverência a seu trabalho jornalistico e o meu respeito a essas damas do teatro brasileiro que não só no teatro, mas na TV e no cinema encantou e nos encanta até os dias de hoje. Que seu livro atinja o verdadeiro objetivo que é chegar até aqueles que pouco conhecimento tem sobre a arte teatral. Desejo-lhe muito sucesso, hoje e sempre.

Jogo rápido

Uma palavra: Perseverança;
Um sonho: Um país mais justo e fraterno. Cultura e educação sem discriminação.  Mais escolas, menos presídios;
Família: Minha melhor porção, não vivo sem;
O que mais quero: No momento, levar a história do teatro onde for possível;
O que não quero: Desistir de meus ideais;
O que mais gosto em mim: Ser perseverante;
Não gosto de: Injustiça, mentira, corrupção;
Alegria: Meus filhos, marido,  família,  amigos,  profissão, a vida, minha fé;
Tristeza: Talvez, a saudade dos meus avós que tanto amei. No mais, não tenho grandes tristezas;
Um ator: Paulo Autran;
Uma atriz: Henriette Morineau;
Uma peça de teatro: Diversas,  mas cito “Gota d’água” por ser um clássico da nossa dramaturgia;
Um (a) jornalista: Jorge Pontual.

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