Rechaçar a politicalha e lutar pela Revolução Agrária

Editorial Editorial do jornal A Nova Democracia

O indecente cenário político em que se arrasta as altas esferas do velho Estado brasileiro expressa o estágio avançado de decomposição de todo sistema político e de poder das classes dominantes de grandes burgueses e latifundiários serviçais do imperialismo, principalmente ianque. O escárnio dos sofrimentos do povo que se transformou a ciranda de cinismo e descaramento do joguinho de impeachment ou não de Dilma Rousseff e a cassação ou não do mandato de Cunha, tem servido aos guardiães da velha ordem de exploração e opressão, com destaque para o desempenho do monopólio de imprensa reinante no país, para polarizar a atenção do povo para desviá-lo dos embates reais a dar solução aos grandes problemas de que padece a Nação hoje e historicamente.

Os reais problemas, e principalmente suas soluções, segundo os interesses do povo e da Nação, acham-se distantes da imundice dessa politicalha que os dois campos que se digladiam desesperadamente para decidir qual deterá o manejo do gerenciamento de turno, insistem em arrastar a atenção e o ânimo da sociedade. Pois, ambos os contendores estão comprometidos até a medula com a política econômica e a economia política do imperialismo. Tal tem sido a história dos sucessivos governos no país como meros gerenciamentos de turno antipovo e antinação.

O mais elementar e gritante destes problemas é o agrário-camponês. O secular sistema de relações de propriedade da terra e de alta concentração desta nas mãos de um punhado de famílias e corporações em detrimento de milhões de pobres é base do atraso econômico-social semifeudal e semicolonial do País. O latifúndio, há praticamente quinhentos anos, vem se reproduzindo no Brasil, ancorado primeiramente no sistema colonial e, posteriormente, no sistema semicolonial sobre o qual o imperialismo engendrou o capitalismo burocrático.

Todos os gerenciamentos de turno da semicolônia Brasil, principalmente após o estabelecimento do simulacro de regime republicano, tiveram no latifúndio uma base de apoio para sua sustentação à frente do apodrecido Estado brasileiro.

Sendo impossível dissociar latifúndio da oligarquia municipal e regional, o sistema político putrefato correspondente ao sistema de poder em decomposição (o velho Estado brasileiro de grandes burgueses e latifundiários, serviçal do imperialismo) repousa no que existe de mais retrógrado e reacionário numa relação mediada pela farsa eleitoral.

A cada eleição, os oligarcas regionais e seus chefetes locais vendem os votos sob seu domínio para os políticos, tanto do executivo como do parlamento, ademais de manterem assegurados seus interesses na vasta burocracia judiciária. Fortalecidos economicamente, investem em mais terra, o que implica em aumentar seu poder político. 

As classes dominantes vivem neste momento uma crise sem precedentes e mais do que nunca usam todo o poder do velho Estado para oprimir o povo pobre do campo e da cidade. E fazem isto sob o receio de que estas massas se levantem com fúria redobrada, tal como as revoltas populares de 2013 prenunciaram.

O “Poder Legislativo”, mesmo enfrentando as querelas oriundas das disputas dentro do Partido Único, paralelamente, vai debulhando o seu rosário de medidas protecionistas do latifúndio, principalmente de sua versão produtiva, o “agronegócio”, e das mineradoras, numa despudorada agressão aos direitos dos povos indígenas, dos camponeses pobres sem terra ou com pouca terra e dos remanescentes de quilombolas.

O “Poder Judiciário”, em todas as suas instâncias, mas principalmente na primeira e segunda, acolhe as solicitações, as mais aberrantes, do latifúndio e as expedições de instrumentos como o famigerado “Interdito prohibitorum” para proteger a oligarquia da qual é originário “sua majestade o Juiz”.

Albergado na “decisão judicial”, o “Poder Executivo”, cuja burocracia em suas instâncias de direção é serviçal das classes dominantes, patrocina as frequentes realizações de ações combinadas e dirigidas a partir do gerenciamento central, onde as forças armadas, a guarda nacional, as polícias federal, militar e civil são utilizadas para realização de despejos violentos no campo e na cidade e da repressão aos justos protestos do povo.

É assim que funciona o Estado de grandes burgueses e latifundiários a serviço do imperialismo. É assim que, mesmo enfrentando crises econômicas, políticas, éticas e morais, as classes dominantes exploradoras e seus sabujos oportunistas e revisionistas, conluiados no Partido Único, acham que poderão continuar dominando por toda a vida.

Acontece que as massas já deram provas de que não estão dispostas a continuar sob a opressão e exploração deste falido sistema político e econômico. A realização recente do 8º Congresso da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Norte de Minas e Sul da Bahia, as tomadas de terra naquela região, em Rondônia, no Paraná, Centro-Oeste, Pará e no Nordeste, dão bem o tom com que o campesinato brasileiro, secularmente esmagado pela exploração e miséria (e por isto mesmo secularmente combativo), está disposto a enfrentar a crise das classes dominantes avançando para a Revolução Agrária.

Está mais do que claro para todo o povo brasileiro que as instituições do velho Estado são incapazes de resolver a crise em benefício do povo. Como costuma acontecer, sendo a crise o resultado da medição de força entre os grupos políticos das frações das classes dominantes, todos permanecerão dentro do Partido Único sob a nova hegemonia, pelo menos até a próxima crise.

O que os revolucionários têm como tarefa é intensificar a mobilização, a politização e a organização das massas em preparativo da Revolução Democrática, para a qual os camponeses já empreendem esforços do seu primeiro estágio como Revolução Agrária.

2016, portanto, será uma excelente oportunidade para conclamarmos as massas a abandonar, definitivamente, qualquer ilusão eleitoral, entendendo que a eleição municipal é uma das armas de fortalecimento do que há de mais podre dos sustentáculos deste sistema de exploração e opressão do povo e da Nação, o latifúndio anacrônico e odioso. Não votar e lutar junto ao movimento camponês combativo por tomar todas as terras do latifúndio é a essência das palavras de ordem de “Morte ao latifúndio!” e “Viva a Revolução Agrária!”.

Desde já, rechaçar e não deixar arrastar-se como massas de manobra para um dos dois campos que ora pugnam desesperadamente pelo domínio da velha e apodrecida política e centrar nas mobilizações em defesa dos direitos do povo pisoteados, partir para ação e lutar para impor as necessidades populares é a tarefa política mais avançada. Fazer preparativos para que as mobilizações e lutas sejam mais contundentes e organizadas é questão chave para repelir os apelos dos oportunistas eleitoreiros que infestam os movimentos populares e varrê-los do seu meio, bem como para repelir os ataques das hordas repressivas que o velho Estado e seus gerentes de turno enviam para massacrar o povo, destruir sua organização e aplastar sua luta.