Um novo escândalo de corrupção no Brasil

Diversas empresas brasileiras estão sendo objeto de uma investigação relacionada com uma provável rede de corrupção que teria desviado algo como US$ 5,9 bilhões do  fisco, segundo a Polícia Federal, enquanto outro escândalo em torno da gigante do petróleo Petrobras já abala o país.

Operação "Zelota" ("Falso Ciúme"), realizada pela Polícia Federal, se concentra no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, encarregado de julgar, em última instância, as sanções impostas pelas autoridades fiscais.

Suborno de grandes empresas
Alguns funcionários do CARF teriam aceito ou solicitado subornos de grandes empresas que deveriam pagar multas de milhões de dólares ao fisco em troca de uma decisão favorável que lhes permitiria escapar parcial ou totalmente à sanção.

"A investigação, que começou em 2013, mostrou que a organização atuava no interior [do CARF] para promover interesses privados que procuravam influenciar funcionários com suborno tendo o objetivo de obter o cancelamento ou a redução de multas impostas pela Receita Federal por violações", informou a Polícia Federal em um comunicado.

O montante desviado pode estar próximo de 19 bilhões de reais (5,7 bilhões de dólares pelo câmbio atual). A polícia já identificou cerca de 6 bilhões de reais (1,7 bilhão de Euros) de fundos desviados.

Um escândalo "tão grande" quanto o Petrobras
Dado o grande volume financeiro e o número de empresas envolvidas, este novo escândalo de corrupção poderia ser "tão grande" como o que está atualmente sob investigação no grupo estatal Petrobras, estimou o diretor do Luta contra o Crime Organizado da Polícia Federal, Oslain Campos Santana.

A nova investigação alcança ainda várias empresas e escritórios de advogados de consultoria, notadamente de Brasília e São Paulo. "A rede estava usando empresas terceirizadas para esconder suas ações, e o fluxo de dinheiro lavado era devolvido como patrimônio aparentemente legal para essas empresas", informou a Polícia.

Estas revelações são feitas menos de duas semanas após grandes manifestações que envolveram mais de 1,7 milhão de brasileiros, em 15 de março, para protestar contra o escândalo Petrobras e a gestão da presidente de esquerda, Dilma Rousseff.

Para saber mais:
www.lemonde.fr

Tradução: Argemiro Pertence


Un nouveau scandale de corruption au Brésil

Le Monde.fr avec AFP | 29.03.2015

Plusieurs entreprises au Brésil font l'objet d'une enquête sur un probable réseau de corruption qui aurait détourné du fisc quelque 5,9 milliards de dollars, selon la police, alors qu'un autre scandale, autour du géant pétrolier Petrobras, secoue déjà le pays.
L'opération « Zelotes » (« fausse jalousie »), menée par la police fédérale, se concentre sur le Conseil administratif de recours fiscaux (CARF), un organisme qui dépend du ministère du budget, chargé de juger en dernière instance les sanctions imposées par le fisc.

Pots-de-vin de grandes entreprises

Certains fonctionnaires du CARF auraient accepté ou sollicité des pots-de-vin de grandes entreprises, qui devaient verser des amendes de millions de dollars au fisc, en échange d'une décision favorable leur permettant d'éviter tout ou partie de la sanction.
« L'enquête, démarrée en 2013, a montré que l'organisation agissait à l'intérieur [du CARF] pour promouvoir des intérêts privés, en cherchant à influencer et corrompre des fonctionnaires avec l'objectif d'obtenir l'annulation ou la diminution des amendes pour infraction imposées par le fisc », a expliqué la police dans un communiqué.

Le montant ainsi détourné pourrait avoisiner les 19 milliards de reais (5,4 milliards d'euros au change actuel). La police a d'ores et déjà identifié près de 6 milliards de reais (1,7 milliard d'euros) de fonds déviés.

Un scandale « aussi grand » que Petrobras

Compte tenu de l'importance des montants et du nombre d'entreprises impliquées, ce nouveau scandale de corruption pourrait être « aussi grand » que celui qui fait actuellement l'objet d'une enquête chez le groupe public Petrobras, a estimé le directeur de la Lutte contre le crime organisée de la police fédérale, Oslain Campos Santana.

La nouvelle enquête implique aussi différents cabinets de conseil et d'avocats, notamment à Brasilia et Sao Paulo. « Le réseau utilisait des entreprises tierces pour cacher ses actions, et le flux d'argent qui était blanchi revenait comme patrimoine apparemment licite pour ces entreprises », a précisé la police.

Ces révélations sont faites moins de deux semaines après de vastes manifestations, qui ont mobilisé plus de 1,7 million de Brésiliens le 15 mars, pour protester contre le scandale Petrobras et la gestion de la présidente de gauche, Dilma Rousseff.
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