Enredos afros da Imperatriz e Beija Flor exaltam racialismo ignorando luta antirracista

As escolas de samba Imperatriz Leopoldinense e Beija Flor apresentaram as sinopses de seus enredos para o Carnaval Carioca 2015. Ambas as sinopses se referem a enredos com tema, viés e fio condutor artístico-culturais de conteúdo e forma filosoficamente chamados de afros.  Ou seja, exaltam o racialismo que é a ideologia e ou crença fundamentalistas não comprovada cientificamente, por isto, equivocada da existência de “raças” humanas.
Como agravante o racialismo serve para conceber historicamente os povos negro e indígena não enquanto povos trabalhadores explorados, oprimidos e dominados. Mas, sim como pobres coitados necessitados de leis paternalistas e ou de piedade humana e social ao invés de políticas públicas com excelência na qualidade e universalistas, isto é, de direitos iguais para todos e todas. Além, obviamente de permanente política de combate ao racismo por ser opressão, ou seja, ideologia de dominação de um povo e ou classe social sobre outro, baseado na diferenciação da cor da pele, isto é, na diferenciação étnico-racial.           
O racialismo surgiu em 2001 como “Plano Durban”. Isto, por ter erigido de um evento global bancado a peso de ouro pela ONU na cidade sul-africana Durban, envolvendo e comprometendo multilateralmente movimentos sociais de causas antirracistas como os movimentos negros e indígenas. Tal evento foi a 3ª Conferência Mundial (supostamente) contra o Racismo, a Discriminação (Étnico) Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas.      
Nesta linha de paternalismo racialista os enredos da Imperatriz e da Beija Flor ignoram a História da luta antirracista patenteada pela célebre frase do maior herói mundial de cor da pele preta ou negro, o mártir internacional da consciência antirracista, o sindicalista e líder socialista sul-africano Stephen Bantu Biko o Steve Biko: Racismo e capitalismo são os dois lados de uma única e mesma moeda. Esta frase foi extraída do livro “Nacionalismo Negro” do revolucionário marxista Trotsky, no qual é dito: A luta dos negros na África e nos países da diáspora contra o colonialismo (imperialismo) e o racismo é específica, estratégica e indissociável da luta de classes.   
Assim, o título do enredo da Imperatriz é “Axé N’kenda! Um ritual de liberdade. E que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz” a ser desenvolvido pelo carnavalesco Cahê Rodrigues que disse: ”Precisamos ter respeito com o próximo. Não temos o direito de julgar ou apontar as pessoas pela cor da pele. Precisamos aprender a respeitar o indivíduo como ser humano que é”. Com pesquisa e texto de Marta Queiroz e do editor da revista da LIESA “Ensaio Geral” jornalista Cláudio Vieira, a sinopse teve como fio condutor frase do 1º presidente negro sul-africano Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando uma pessoa por sua cor de pele ou religião. Pessoas são ensinadas a odiar. E se elas aprendem a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”.     
Já o enredo da Beija Flor é patrocinado pelo ditatorial, burguês e oligárquico governo guinéo-equatoriano tendo consequentemente como fio condutor & título “Um griô conta a História: Um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade” cujo desenvolvido será da Comissão e do Departamento de Carnaval da agremiação cujos integrantes são os carnavalescos Fran Sérgio, Ubiratan Silva, Victor Santos, André Cesari, a pesquisadora Bianca Behrends, o historiador & compositor musical Cláudio Russo e o diretor geral de Harmonia Laíla. Este, por ocasião da entrega da sinopse aos compositores-sambistas afirmou:
”A Beija Flor é acusada de a agremiação da macumba, ou seja, das religiões de matriz africana como Candomblé e Umbanda. Então, os sambas concorrentes que fizerem menção a orixás e caboclos serão cortados. A sinopse exige irmos por outro caminho”; enfatizou. Tendo em vista o livro “Literatura e Revolução” de Trotsky que ensina: “O papel de poetas, atletas esportivos e artistas inclusos os sambistas não é com o politicamente correto, mas sim com produzir obras de excelência na qualidade”. É o que se espera em termos de criação e desenvolvimento da Imperatriz e da Beija Flor no que se refere especialmente aos quesitos Enredo, Samba-Enredo, Fantasias e Alegorias & Adereços.

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*jornalista – é torcedor da Portela a Majestade do Samba ou da Águia Altaneira ou ainda da Águia Guerreira de Oswaldo Cruz e Madureira.     
almirptmacae.blogspot.com     
  
                    

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